Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2022 (40-26)

Cada dia mais essa saga de posts se aproxima do fim (ainda bem, como cansa escrever isso), e as músicas vão ficando cada vez mais icônicas (depende do ponto de vista). Na parte passada, tive reclamações sobre Croquis ter morrido muito cedo. Pra quem será que a Eunbi perdeu posições daquele jeito? Vocês vão se surpreender.

40. Rocket Punch – Flash

Não sei se o dinheiro da Eunbi tá entrando na conta, mas 2022 foi um ano bem movimentado pro Rocket Punch, talvez o maior de todos desde o debut. O que é bizarro de se pensar, já que elas têm três anos de carreira e só agora começaram a trabalhar de verdade. Bom, seja ou não pelo motivo acima, precisamos agradecer a alguém por finalmente convencer o grupo a completar sua transição e entregar uma música mais sóbria e, hum, gay. Não que eu não goste dos vocais estridentes (na real eu amo), mas Flash é um número house redondinho e que imprime uma atitude mais “desafiadora” das integrantes, como se elas tivessem passado da puberdade. Tipo aquele episódio das Meninas Super Poderosas que elas viram adolescentes; Flash seria um ótimo acompanhamento. O refrão é uma delícia provocante, eu sempre quero jogar tudo pro alto e me perder na loucura repetitiva e quase mecânica dos “light, signal, action”. Pra mim, o Rocket Punch pode ser resumido naquele verso famoso: “agora que eu cresci, você quer me namorar”.

39. Utada Hikaru – BAD Mode

Por muito tempo, Utada Hikaru tinha se perdido nas próprias composições. Tudo parecia muito chato, pedante, não trazia consigo nenhum apelo pra ser acompanhado com afinco desde o fabuloso Fantôme. Chegou a pandemia e, no isolamento, parece que ela resolveu se conectar às raízes, anotando os pontos fortes de tudo aquilo que foi lançado com o seu nome. Então surge BAD Mode, a melhor faixa da Utada em anos. É incrível como ela consegue equilibrar perfeitamente o cult e o comercial, misturando influências de jazz e urban com uma letra totalmente sacana sobre espantar o mau humor com meio comprimido de diazepam ou um cigarrinho dos bons. Nisso tudo, BAD Mode soa divertida, alto astral, ao mesmo tempo que expõe feridas sobre amores descontrolados, ou algo assim. E aí ela mergulha em si, se tornando minimalista ao ponto de ser quase uma música ambiente. Talvez esse seja um dos trabalhos mais sinestésicos não só da carreira dela, como do jpop por inteiro. Foi uma música que me acompanhou por todos os meses, alguns mais, outros menos, mas sempre esteve ali pra me lembrar de quem eu sou.

38. YOUHA – Last Dance

Depois de Abittipsy, a YOUHA caiu no esquecimento, lançando uma coisa boba aqui e ali. Na verdade, eu cheguei a esquecer que ela existia até me deparar com Last Dance no Youtube e ouvir um clique na minha mente. Não sei se eu perdi muita coisa ou se ela sumiu do mapa mesmo, mas um retorno com algo desse tipo é mais que triunfal. Last Dance mostra um outro lado da YOUHA como solista, diferente da bêbada alegre que vimos no começo do ano passado. Toda a ambientação dessa música te propõe que o que estamos prestes a ver não é bonito: a YOUHA enlouquece aos poucos com a sua própria obsessão quando vê o amor da sua vida indo embora e Last Dance vai tomando rumos cada vez mais passionais e doentios, ao ponto dela se sentir tão miserável que nem uma tentativa de suicídio ela consegue levar adiante. Essa é a tal da tridimensionalidade que a gente tanto discute por aqui, de uma artista trazer veracidade pras coisas que interpreta, seja algo besta ou grandioso. E, pelo jeito, a YOUHA é gigantesca.

37. NewJeans – Hype Boy

NewJeans foi um negócio que surgiu do nada depois de um monte de especulação, com a HYBE investindo pesado no projeto saído da mente da diretora criativa Min Heejin. Tudo isso rendeu um EP curtinho, mas totalmente visual, e Hype Boy foi uma faixa que ultrapassou todos os limites do absurdo, rendendo sete versões do MV mostrando diferentes pontos de vista e performances especiais. E é engraçado porque essa é uma música bem lugar comum comparando com outra que vai aparecer mais pra frente, mas a letra é tão pegajosa e a coreografia é tão gostosa de ver que, nos últimos quatro meses, eu passei cantando e dançando isso pela casa. É aquele pop típico que a gente quer ver adolescentes lançando, mas com um toque especial de contemporaneidade. O refrão vai se superando a cada segundo, energético, contagiante, construindo camadas e camadas de um hit radiofônico. 

36. TWICE – Talk That Talk

Conforme os anos passam, o TWICE vai preenchendo a segunda parte da sua curva quadrática, o que não é necessariamente ruim. Elas construíram um legado, conquistaram um trilhão de coisas, marcaram a terceira geração e, agora, passaram do auge. É natural. E, ainda assim, elas conseguem entregar uma coisa catita. Talk That Talk foi um trabalho de paciência. Não que eu tenha escutado várias vezes de forma forçada até gostar; foi mais uma relação simbiótica, onde eu dava um pouco do meu tempo e a música, um pouco de entretenimento. No final, eu passei a amar cada segundo disso. Tem uma melancolia aqui, algo que você não identifica muito bem, mas consegue sentir, até o instrumental mudar a rota e desviar a sua atenção, mesmo que por alguns segundos, de que esse single não foi feito pra arrematar ninguém. É como uma festa chegando ao fim, sabe? Daquelas que você não quer ir embora porque entende que, saindo dali, você precisa enfrentar a vida. Uma ótima música de ótimas veteranas.

35. Hyoyeon – Deep

– MELHOR TOSQUEIRA –

Rindo só de imaginar o Lunei vendo que isso ficou na frente da Eunbi, mas eu quero me explicar. Existem três coisas que eu acho que só a Hyoyeon pode fazer. A primeira delas é mobilizar todo mundo da SM pra gravar um Tiktok com a música dela. Isso é fato, uma rede social idiota só poderia ser usada pela maior farofeira da empresa, e eu acho que o velho Sooman deveria agradecer por isso. A segunda é enganar meio mundo fazendo de conta que esse EP era o tão aguardado comeback do SNSD. E a terceira é lançar uma farofa eletrônica tão ridícula quanto Deep. Tudo que a Hyoyeon faz tem um apelo deliciosamente brega. Ela é cafona, tem uma voz anasalada maravilhosa e por isso mesmo ela faz disso aqui uma das melhores crocâncias da atualidade. Deep é perfeita do começo ao fim pra dançar extremamente bêbada numa festa de fim de ano da empresa (autocrítica), e também é poderosa dentro do que se propõe, criando um clima de tensão a todo momento. A Hyoyeon nunca pareceu tão fodona quanto aqui.

34. Yezi – Acacia

O fato do Spotify ter tirado essa música do ar pela maior parte do ano foi crucial pra ela cair tantas posições. Sei lá porque, problemas com copyrights provavelmente. Mas não tira os méritos de Acacia ser a melhor música da Yezi. E como eu gosto dessa, viu? Essa expectativa pra algo acontecer rola o tempo inteiro porque o instrumental vai crescendo e ficando cada vez mais intenso, como se a gente soubesse que existe uma cobra no ambiente e ela vai dar o bote a qualquer momento. Ouvir a Yezi cantando por cima dessa produção meio folclórica dá uma camada de dramaticidade a mais, mas é no refrão mesmo que ela brilha, cuspindo as palavras com um ódio quase palpável. Acacia fala de traições, amores sujos e indecência, o que só ganha profundidade quando ela usa como figura de linguagem uma árvore sagrada na bíblia. A Yezi nunca teve medo de ser grandona; o que falta é o público mesmo.

33. ITZY – Cheshire

Outra possível faixa que não deveria estar na frente das demais que foram cortadas até o momento? Talvez. Demorou pro ITZY lançar alguma coisa legal, demorou demais. Foram mais de dois anos desde Wannabe, a última grande música delas, e o JYP parece que não entendeu (ou entendeu errado) o caminho que deveria seguir com essas meninas. Por sorte, Cheshire saiu há tempo de fazer parte desse ranking. É basicamente tudo que eu queria que o ITZY fosse: debochado e brincalhão na medida certa. Nada de máfia com poesia trovadoresca, nada de propaganda de sapato, nada de imitação ruim da Anitta. Cheshire, assim como o gato de Alice no País das Maravilhas, é cheia de mistérios, enigmas e pegadinhas. O MV é divertidíssimo enquanto abusa da realidade e confunde a mente de quem assiste pra saber o que é real e o que não é. O refrão eletrônico, que estoura depois dos versos maquinados que parecem uma canção circense, é uma delícia. Era pra ter sido um follow-up antigo, mas saiu muito tarde. Pelo menos saiu.

32. STAYC – RUN2U

Não é só porque RUN2U tá aqui que eu não tenho críticas pra ela. Ainda acho o pré-refrão muito morno a ponto de tirar toda a expectativa criada pelos versos fortes, não tinha necessidade de desacelerar tanto assim a música. Mas, num geral, eu gosto de como ela envelheceu. O Black Eyed Pilseung sabe como produzir esses números pop chicleteiros, que além de grudarem, ainda causam um aumento considerável da nossa glicose. Ou seja, eles entendem muito bem a mente adolescente e traduzem isso com a música mais bolha de sabão possível. Ao juntarem forças pra debutar o STAYC, é como se eles tivessem aberto uma fábrica de doces, um mais esquisito que o outro, mas que explodem sabores na sua boca quando você prova. RUN2U tem um andamento estranho, chega até a ser incômodo, mas são exatamente os pontos que me ganharam. Acho difícil o grupo ser melhor do que isso (mas eu espero que seja).

31. ASP – Hyper Cracker

Eu sei lá o que acontece com essa música. Ela é completamente doente (e só agora escrevendo isso eu descobri que foi produzida pelo Yohji Igarashi, o mesmo que produziu outras coisas que vão aparecer mais pra frente) e nunca eu imaginaria ouvir e gostar de um encontro entre o rock e o hyperpop. Pois, ainda assim, Hyper Cracker faz muito sentido na minha cabeça. É uma das melhores loucuras que a WACK já lançou e, de quebra, fez eu amar esse grupo que foi tão humilhado e massacrado quando surgiu. O cruzamento maluco feito pelo Igarashi tem uma liga surpreendentemente forte, fazendo com que a faixa seja viciante ao seu modo. Enquanto isso, as meninas do ASP vão gritando um trilhão de coisas sem o menor sentido, mas com uma angústia tamanha que me faz entender que é só frustração adolescente, principalmente com os versos que clamam o amor dos pais. É um filho perfeito entre o Pop 2, da Charli XCX, e o Oil of Every Pearl’s Un-Insides, da SOPHIE, com aquele toque usual bizarro dos grupos da WACK. 

30. Nayeon – Pop!

Diferente da YooA, que lançou uma música da Meghan Trainor que ninguém pediu, a Nayeon foi lá e entregou uma música que a Meghan Trainor nunca fez. Aliás, eu consigo comparar esse debut com um monte de outras solistas coreanas que tiveram a oportunidade e não fizeram o trabalho direito: Jeon Somi e suas dez trocas de roupa não foram tão impactantes, Chaeyeon tentou encarnar um personagem divertido sem o menor sucesso, Moonbyul até tentou emplacar com algo “vintage” também, mas a música envelheceu rápido. Somente Pop! conseguiu juntar todos esses itens e permanecer no imaginário. Isso porque a música é um caminhão de felicidade que vem acelerando pela pista sem a menor prudência, e vai arrastando tudo que vê pelo caminho. Sempre que eu cérebro pedia uma dose extra de serotonina, a Nayeon estava nos meus ouvidos. E um pop bobão sobre orgasmo escrito de uma forma discreta era tudo que eu precisava.

29. Chanmina – Don’t go (ft. ASH ISLAND)

Sim, mais uma música de uma pobre coitada sofrendo por amor a ponto de enlouquecer. Se não fossem outros blogs falando na época, eu nem saberia que a Chanmina debutou na Coreia do Sul porque eu me acostumei com ela cantando em japonês, mas achei uma estreia super digna. Além de expor a personalidade musical dela, que é um troço que não alcança as camadas mais comerciais do kpop, ainda fez o favor de lançar uma parceria com esse rapper aí que eu não faço a menor ideia de quem seja, mas que ficou excelente. Don’t go é extremamente crua e, apesar de falar das mesmas coisas que a Last Dance lá em cima, consegue passar sentimentos opostos. É um relacionamento demente do estilo Sid e Nancy: feio e obssessivo. E quando a música faz a virada de um soft trap pra um synthpop grosseiro, é quando Don’t go, junto da Chanmina, brilha de forma violenta. 

28. Juice=Juice – Zenbu Kakete GO!!

Considerando o histórico, que ótimo ano teve a Hello! Project. Eu acho incrível que essa empresa, caindo aos pedaços, ainda consegue emplacar ótimas faixas pros seus grupos tão capengas quanto. Quer dizer, é só ver o MV de Zenbu Kakete GO!! e entender que eles não tem um centavo disponível no orçamento, alugando o hall de algum prédio comercial em Tóquio e enchendo daqueles LEDs que já viraram assinatura da pobreza deles. E, ainda assim, o Juice=Juice é incandescente. Facilmente um dos melhores exemplares do grupo, Zenbu Kakete GO!! não inventa nenhuma moda com esse disco-pop 101 que o Japão desova todo dia, mas é de uma simplicidade tão cativante e funciona tão bem nos ouvidos que é impossível não se apaixonar. Não é sempre que o Juice=Juice acerta, mas quando acontece, costuma ser no alvo. Por isso elas são o melhor grupo da Hello! Project em atividade.

27. Sunye – Genuine

Lembram de quando eu matei Just a Dancer muito cedo por conta de outra música? Então, é essa daqui, que talvez até dê aquela desanimada em quem refere a outra e tal, mas, pra mim, Genuine é muito melhor. A Sunye é hipnotizante e vocês já sabem o quanto essa mulher me fascina, sendo que a volta dela pro kpop certamente é top 5 melhores acontecimento do ano, mas aqui as coisas parecem que atingiram outro patamar. Eu não diria que é um equilíbrio; Genuine é uma dualidade entre o gracioso e o sombrio, sempre criando essa atmosfera soturna em volta dela, sem deixar que a gente saiba se ela vai te encantar ou acabar com a sua vida. Enquanto isso, ela canta sobre ser genuína, original, se mostrar da forma como veio ao mundo… Não necessariamente sexual, mas sensual o bastante pra atiçar os nossos pensamentos mais obscuros. Não sei o quanto essa polêmica da BBC pode prejudicar a Sunye. Ainda bem que ela retornou sendo artista.

26. Kwon Eunbi – Simulation

E chegamos no atual ápice da Eunbi como solista, torcendo muito pra que ela se supere no ano que vem. Não sei como começar a descrever Simulation. Ela tem um quê futurista, flertando com alguns elementos eletrônicos, mas ao mesmo tempo evoca os melhores funks da carreira do Michael Jackson, como se Don’t Stop ‘Til You Get Enough e Wanna Be Startin’ Somethin’ tivessem um filho muito homossexual. Aliás, o que a Eunbi foi inspirada pelo rei do pop aqui não é brincadeira. Vários detalhes que constroem a faixa lembram alguma coisa, como o grave pulsante do baixo, o refrão com backing vocals e os maneirismos do vocal dela trazem a presença do Michael de um jeito muito forte, mas com a sua própria assinatura. A forma como a Eunbi conduz a música é curiosa, quase uma aula de como se fazer um número elegante pro mercado atual, e ela interpreta isso daqui com uma facilidade invejável. Se algum dia eu critiquei essa mulher, achem os tweets e me cancelem. Eu mereço. 

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