Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2022 (55-41)

Chegamos na metade da lista, com o cerco começando a se estreitar entre aquelas faixas que tiveram o benefício da dúvida e trocaram de posição algumas vezes enquanto eu arrumava a playlist. Será que o Red Velvet tá aqui?

55. Taeyeon – Toddler

E em meio a um álbum muito bem executado da Taeyeon (e que eu ainda não sei direito se eu gostei), a música que mais se destacou pra mim foi Toddler. E não só isso: ela também se comunicou comigo de forma absurdamente real, principalmente nesses últimos meses. A gente sabe que a Taeyeon tem esse apelo da massa coreana como cantora de power ballads megalomaníacas e que emocionam por lá, ainda que soe bem qualquer coisa pra nós, então nunca pensei em ver ela indo pro lado dark pop da força. Toddler é um soco no estômago daqueles que finalmente se enxergam como adultos e sentem cada dia mais a sua criança interior morrer. É sombria, carregando consigo um pessimismo tão forte que, por vezes, eu me senti conformada em não sentir as coisas como eu sentia aos meus oito anos. Perfeita pra aqueles dias onde nada mais vale a pena.

54. Billlie – RING ma Bell (what a wonderful world)

E esse ano maluco do Billlie? Tão maluco quanto as caretas que a menina lá fazia na coreografia de GingaMingaYo, que todo mundo saiu pra defender quem tirou sarro e no final não deu em nada. O grupo continua na rabeira da subsidiária da SM tentando tirar algum centavo disso. De qualquer modo, elas são muito artistas, e só não entregaram o pop rock do ano porque outras chegaram antes e tomaram conta do meu gosto musical por meses. Mesmo assim, RING ma Bell é uma curtição, que consegue dar continuidade na história doida que criaram pra elas e aparar as arestas que os dois lançamentos anteriores deixaram. Com toda esse véu místico que envolve o Billlie, é claro que RING ma Bell não segue os padrões de uma faixa do gênero. A estrutura é toda esquisita e corta todas as expectativas que eventualmente temos, como deixar uma criança brincando com blocos de montar sem prever que loucuras ela pode construir ali. De novo: só elas poderiam fazer algo assim. 

53. Happiness – Everything

Sempre achei o Happiness hilário. Eu entendo a proposta, mas às vezes é muito engraçado olhar esses atos meio Pussycat Dolls nos dias de hoje porque, de um lado, a gente tem os kpoppers que sempre vão no Youtube reclamar que o bias feioso não teve linhas pelo vigésimo single seguido, e do outro a gente tem a Karen e a Ruri se matando nos vocais enquanto as outras três ficam ali dançando feito panicats. Tudo isso meio que tanto faz no fim do dia, já que o Happiness sempre foi um grupo bem consistente na parte musical e com Everything não é diferente. A faixa é imponente e poderosa, indicando que o grupo poderia seguir um novo caminho desovando esses synthpops de vez em quando, mas não parece ser um negócio muito interessante pra LDH. Bom, se for o fim, o Happiness pode descansar em paz que, mesmo sem nenhum legado, elas têm o povo.

52. Sunmi – Heart Burn

“Como ela conseguiu capturar insolação numa música?”, é um dos primeiros comentários no vídeo de Heart Burn no Youtube, uma pergunta que só pode ser respondida caso você esteja na mente da Sunmi, ou seja ela própria. Eu sinceramente não sei como isso passa a sensação de exaustão por calor: é por conta dos vocais ofegantes, sempre no mesmo tom? É por causa do instrumental nebuloso que soa exatamente como mormaço caso isso fosse um som? Ou seria o visual de Heart Burn, com essa paleta de cores quente e que faz com que o aplique ruivo da Sunmi se destaque ainda mais? Não dá pra entender muito bem como essa música chega nos nossos ouvidos e é interpretada pelo nosso cérebro; a gente só sabe que ela funciona. De tudo que a Sunmi já fez na vida, algo como Heart Burn deve ter sido a última coisa que eu imaginei, mas enquanto eu vejo ela matando os homens de febre pelo mundo com essa sensualidade estranha (ou estranheza sensual), eu entendo que, qualquer coisa tocada pela Sunmi, por mais genérica que seja, vira única.

51. Hyolyn – Ah yeah

Diferente da Hyolyn, que usa elementos muito comuns justamente porque são comuns, segurando tudo na interpretação. Se você me perguntar o que eu achei do comeback, eu nem vou lembrar de como ele começa, mas no EP tinha uma preciosidade chamada Ah yeah, que é o seu típico R&B norte-americano do anos 90 feito com toda a dedicação, a ponto de parecer que ele pertence de verdade à época que tenta recriar. De repente, eu me sinto transportada pra uma house party onde o Will Smith nos seus tempos de MC Fresh Prince manda suas rimas de Summertime em cima da discotecagem do DJ Jazzy Jeff. Ah yeah é bem construída e exalta pontos fortes que eu nem sabia que a Hyolyn tinha, mas que criam um contraste enorme na faixa e trabalham em sinergia. Dá pra perceber que a grande vitoriosa do Queendom 2 foi ela.

50. Kwon Eunbi – Croquis

E aquele pedacinho de música que existe no final do MV de Glitch ganhou vida e virou tudo o que eu queria que Glitch fosse. Já discuti o quanto a Eunbi vem crescendo desde o debut, que morreu rápido comigo, e construindo sua própria identidade de diva pop. E não é qualquer diva, é aquela que reconhece o papel das influências na própria música e reinventa a roda com sucesso, pelo menos dentro do kpop. Fundido em garage house, Croquis é elegante ao mesmo tempo que é suja. A voz da Eunbi, que é aguda e feminina até demais, cria essa aura intencionalmente sexual de forma bem discreta sobre desenhar o outro na mente a todo instante. Entre rascunhos e observações, ela assume uma postura de dominância, o que me faz gritar “todo poder às mulheres” todas as vezes que eu escuto Croquis. A forma como os produtores trabalham de forma quase literal em cima do conceito todo pra fazer com que a música fale sobre qualquer coisa menos um croqui é fascinante. 

49. Red Velvet – Feel My Rhythm

Vocês! Todos vocês odiaram Feel My Rhythm simplesmente porque não sentiram o ritmo que as boleiras queriam, enquanto eu senti até demais. Eu amo todas as inserções do Bach nessa música, desde a composição pura no começo até os versos que explodem tudo em um trilhão de pedaços por conta do trap selvagem que surge ali do nada. Apesar de concordar que o Red Velvet deixou de ser sinônimo de inovação há bons anos, Feel My Rhythm é uma faixa que funciona justamente pelo fato de esse ser o grupo responsável por cantá-la. Cada pedaço foi feito imaginando que uma das integrantes colocaria a voz ali, o instrumental desfigurado foi produzido porque o Red Velvet é engraçado demais botando a fuça nessas paradas e, no final, foi uma mistura que fez muito sentido na minha cabeça. Por mais que seja ruim, forçada e pedante pra vocês, o refrão escalonado sempre vai me emocionar.

48. Kep1er – Dreams

Em algum momento, um grupo vai soltar a potencial trilha sonora de soft porn do ano. Dessa vez, a responsabilidade ficou com o Kep1er que, nessa empreitada, acabou entregando a melhor faixa da carreira delas até o momento. E quem diria que seria uma midtempo sensual? Impossível ouvir Dreams e não se sentir nos lençóis de Emmanuelle sendo transmitidos por uma televisão de tubo nos anos 90, apesar da letra não contar nada além de um amor bobinho e adolescente. Mas o que vale é a interpretação dada pelas meninas do Kep1er e o resto a gente imagina conforme as vivências de cada um. Pode não ser o melhor exemplo de um número do tipo e que o próprio kpop tem números muito mais memoráveis nos anais da sua história, mas Dreams é uma ótima tentativa pra um grupo que nasceu outro dia cantando WA DA DA.

47. ICHILLIN – La Luna

Se você não sabe o que é um ICHILLIN, não tem problema porque, até um tempo atrás, eu também não sabia. Acontece que eu tenho essa mania de futricar grupos menores de vez em quando e, no meio dessa bagunça toda, eu encontrei La Luna, que facilmente é um dos melhores synthpops oitentistas que a Coreia do Sul já lançou. Tem algo mágico que rola aqui, um sentimento familiar, de que eu já ouvi esse instrumental antes. E, na real, eu devo ter escutado mesmo em algum momento da vida porque, sempre que possível, o kpop faz questão de usar aquele sample de Take On Me. La Luna é incrível, ao mesmo tempo que é uma trasheira entupida de autotune, mas ultimamente até os nugus tem se arriscado menos, então é refrescante ter o ICHILLIN por perto (no pun intended). Com centavos no bolso e um sonho do tamanho do mundo, elas deram origem a essa belezinha. Imagina o que elas fariam com mais do que a força de vontade?

46. Purple Kiss – Pretty Psycho

Um dos problemas do Purple Kiss não é nem culpa delas: a falta de timing da empresa. Não sei quais as intenções, mas a impressão que me passa é que Pretty Psycho estava guardada pra um possível EP de Halloween e acabou indo antes do previsto. A 5ª sinfonia de Beethoven sampleada por cima de um house resultou numa faixa assombrosa, terrível, horripilante – de um jeito bom! Chega a ser doloroso colocar essa do lado do que realmente foi single (que nem é tão ruim assim no fim do dia). Depois daqui, o Purple Kiss só foi perdendo relevância a ponto de eu nem me importar com o que elas andam fazendo, mas a história foi escrita em Pretty Psycho. E mesmo que nem todos tenham lido, eu tenho pra mim como uma das músicas mais ousadas e bem executadas do ano. 

45. TWICE – Sandcastle

Que o TWICE não teve um bom ano a gente já sabe, mas o que foi esse álbum japonês aqui? Ruinzinho, chatinho, capenguinha… Então eu acabei me apegando a Sandcastle, que nem é uma faixa tão memorável assim na discografia nipônica delas. O que eu gosto aqui são essas diferenças de tom, principalmente no refrão: enquanto uma canta sussurrando a primeira parte, aparece uma Nayeon ou uma Jihyo se esgoelando. O contraste, junto com a guitarrinha que percorre a música inteira e nunca cessa, funcionou muito bem nos meus ouvidos. Sandcastle é meio contraditória; ela consegue ser divertida e triste, mantém o astral lá em cima enquanto te puxa pra baixo ao mesmo tempo. É realmente como construir um castelo de areia e assistir a onda destruí-lo, e exprimir esse sentimento num rockzinho tão bobo desses é digno de nota. 

44. Red Velvet – Rainbow Halo

Não só teve Red Velvet nessa parte como dobradinha de Red Velvet! O primeiro EP que elas lançaram esse ano é um dos melhores do grupo, com uma tracklist que, mesmo não marcando presença por inteiro no meu ranking, ainda se mantém muito forte no meu dia-a-dia. Nele estão as faixas mais bem produzidas e mais apelativas já feitas nesses oito anos de carreira, e uma delas já morre aqui (pra vocês verem o quanto eu gosto do EP). Rainbow Halo é encantadora, e brilha no que o Red Velvet sabe fazer de melhor na vida. O R&B midtempo soa extremamente sensual a cada segundo que passa e, quando chega no pós-refrão, com todas ecoando “rainbow halo dance, rainbow rainbow halo dance”, surge o desgraçado daquele saxofone por cima, pornográfico de tão excelente e bem encaixado que ele é. Difícil o pop coreano soltar músicas assim, mas eu queria transar com essa música. Nos dois sentidos que a frase proporciona. 

43. Apink – Dilemma

Agora em dezembro, eu não acho Dilemma uma coisa tão maravilhosa assim. Quer dizer, o instrumental ainda bate forte, as mudanças repentinas de tom também, mas não é o número mais forte que o Apink pós-revamp pode oferecer. Ainda assim, ela é ótima e muito superior a muitos outros lançamentos de grupos mais novinhos dessa geração. O pop para garotas tristes consegue me capturar com sucesso em certas ocasiões quando eu sou pega de surpresa pelo meu streaming, e eu ainda vivo bastante por essa ponte hipnotizante (talvez uma das melhores dos últimos tempos) que emula qualquer rave de trance por aí, encapsulada numa música de kpop. Nesse momento, não consigo imaginar algo novo dentro da discografia mais recente do grupo e, com a saída da Naeun, não sei se elas voltam pra mais um comeback que não seja comemorativo. Se for uma disband song, estamos feitas.

42. Nature – LIMBO!

Consigo imaginar vocês lendo isso e rindo de nervoso com a quantidade de músicas icônicas que eu matei pra colocar LIMBO! nessa posição, mas acho que depende do ponto de vista do que é ser ou não um ícone. O Nature, que já é desconhecido por natureza (no pun intended #2), passou por poucas e boas esse ano, acumulando uma polêmica de apropriação cultural nas costas e a decepção de meia dúzia de pessoas que acharam que elas seguiriam com o conceito de Girls. Mas, pra quem não conhece, o Nature sempre foi um grupo meio serelepe e coisas parecidas com LIMBO! estão lá na discografia delas pra quem quiser ver. A diferença é que, dessa vez, elas acertaram a dose de diversão e qualidade, resultando nessa bagunça deliciosa. Tudo aqui dá muito certo: o electropop exagerado a ponto de ser camp, a coreografia literal mostrando a dança do limbo, os ganchos malucos da música mudando de ritmo a todo momento. LIMBO! foi feita apenas para as senhoras de mais de 25 anos apreciarem. 

41. YooA – Blood Moon

De um debut aclamado pra um comeback estranho, a YooA jogou seu EP pra quem quisesse ouvir e ainda bem que eu quis. Saída diretamente da mente sensual da Sade, Blood Moon abre a participação da YooA no meu ranking com um R&B sóbrio e inebriante, quase um conto erótico escrito após um sonho molhado. Hoje, eu considero a YooA maior que o próprio Oh My Girl, e acho que isso parte principalmente da empresa. E que bom pra ela! A diva tem um timbre único, cheio de camadas e alcances, e uma beleza marcante; lançando ela como solista, é possível perceber que a WM fez de tudo pra exaltar os pontos mais fortes e entregar produções que condizem com essa personalidade diferenciada. Não consigo imaginar outra pessoa cantando isso com o magnetismo que a voz da YooA tem, e é só por causa da interpretação dela que Blood Moon é tão forte assim. E, bom, não precisa de muita coisa pra se destacar de Selfish. 

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7 comentários

  1. Pra estar em uma posição mais alta que Croquis tem que ser SÓ musicão daqui em diante, porque olha… O que a Kwon Eunbi fez por mim ninguém mais fez com esse hino GLS! Ou melhor, até teve uma que fez: a YooA com Blood Moon, esta que foi uma das MELHORES músicas que o kpop entregou nesse ano. De verdade, o R&B coreano não fica melhor do que isso, não. Essa menina salvou vidas (tipo a minha). E quase ia me esquecendo: Toddler merecia uma posição mais alta! O pessimismo que a Teião imprimiu nessa música acabou com a minha infância inteira. A melhor da nossa robôzinha em 2022.

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