Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2022 (25-11)

Mais uma parte do ranking, a última antes do importantíssimo top 10 e que eu não consegui postar a tempo no dia 30. Aqui constam as músicas que realmente lutaram por uma posição até o último segundo, por pura subjetividade da minha parte (e um detalhe ou outro que foram decisivos). A sua fave não nadou o bastante e acabou morrendo na praia? Quem será que ficou na boca do gol? É o que vamos descobrir. 

Aliás, vou fazer igual ao Lunei e deixar dicas sobre as dez faixas mais boazudas: são sete coreanas (quatro grupos, uma solista e uma sub-unit) e três japonesas (um grupo e uma solista). Sim, a conta tá certa e quatro faixas são das mesmas pessoas, duas do kpop e duas do jpop. 

25. KARA – Shout It Out

Em 2022, o KARA brilhou. Tão forte, tão ardente que, até o presente momento, eu ainda não me recuperei. Foi um retorno daqueles que todo mundo estava precisando, tanto as velhas que cresceram ouvindo músicas poderosíssimas como Pandora, Lupin, Damaged Lady e outras, quanto as mais novinhas pra entenderem como o kpop é feito de verdade. É feito de personalidade, de ousadia, de revolução feminina e, principalmente, de KARA. Deixei óbvio que elas vão aparecer de novo mais pra frente, mas eu precisava dar essa introdução pra dizer o soco de felicidade que é Shout it Out, uma faixa com assinatura do Sweetune sem o Sweetune. Relembra com louvor os tempos do pop fácil, cuja única função era entreter. O instrumental de joguinho 8 bits é um charme, ele saltita pelos meus ouvidos e dá espaço pros vocais estelares do KARA, que vão ficando cada vez mais enormes e lindos. 

24. STAYC – Poppy

No começo, eu peguei raiva dessa música. Ficaram falando por aí que é assim que se faz jpop e, não, definitivamente não é assim. Poppy, na verdade, soa muito como uma demo coreana traduzida pro japonês, então de inovador aqui não existe nada, mas que ela é uma gracinha… Aí já é outra história. O STAYC consegue extrair 100% do seu conceito quando assume faixas bobinhas assim; aconteceu com ASAP, outro single que teve uma trajetória semelhante comigo. Essas músicas irritam. Elas grudam na sua mente e, de lá, não saem nunca mais, ainda que a frequência vá diminuindo com o tempo. O refrão com todos aqueles “poppy poppy pop-poppy poppy poppy love love” é tão bonitinho, mas tão perigoso porque, mesmo que você escute sem compromisso, só pra ver qual é que é, não tem volta. E eu acho que, na verdade, nem elas esperavam muita coisa com Poppy, já que a faixa soa exatamente como um trabalho qualquer do TWICE. Bom, se o ano japonês do TWICE foi fraco, pelo menos temos essa daqui pra passar um tempinho.

23. PIXY – Villain

Nem sei qual é a situação atual do PIXY depois de duas meninas do grupo rescindirem o contrato. Seria bem lamentável se elas disbandassem agora que encontraram o rumo da carreira com essa sonoridade mais obscura trabalhada desde o debut, mas não sei se eu reclamaria muito caso Villain fosse o último sopro de vida delas. Essa faixa é tudo que eu queria pro PIXY. Ela é extremamente dark e se agarra nesse conceito de que os seres humanos são bons e maus e, conforme fomos evoluindo, aprendemos a mascarar nossa raiva, o que casa muito bem com o fato delas serem fadas em busca das asas que provavelmente sofrem algum estigma social no ambiente em que vivem. Villain se permite ser crua de verdade e não é nada comum a gente dar de cara com trabalhos bem executados assim. Ainda que amarrada numa teoria cabeçuda e totalmente existencialista aberta a debates (e que o coreano médio não dá a mínima), é um ótimo número de future bass, carregado de soturnidade e sarcasmo. 

22. (G)I-DLE – Nxde

Ainda falando de lançamentos irônicos, Nxde poderia ter sido o grande momento do (G)I-DLE esse ano se não fosse por outra música feita com maestria pela mãos da Soyeon e, eventualmente, algumas falhas dessa aqui. De primeira, Nxde diverte. É a releitura da ópera de Carmen arrastada aos extremos do que existe de mais comercial hoje, que é o kpop. E, nisso, o grupo acertou em cheio: enquanto discutem o tabu social da nudez feminina nas entrelinhas, elas entretêm a massa utilizando o artifício popular de um show de cabaré; uma contradição tão gostosa que, extraindo ou não a crítica feita, consegue ser uma faixa extremamente contagiante. Claro que Nxde erra e perde a liga em vários pontos, mas é um trabalho de perdas e ganhos. Enquanto o rap da Soyeon é muito bem escrito, ele aparece num momento estranho; a Habanera é mal aproveitada, mas tem sucesso ao comunicar que existe um sample de alguma coisa erudita ali. O saldo final é a posição que ela se encontra aqui. Se não tivesse me alegrado tanto, nem no ranking estaria. 

21. Chungha – Sparkling

A situação da carreira da Chungha tá caindo aos pedaços a essa altura. Lançamentos espaçados, falta de divulgação, descaso da empresa e um álbum que deveria ter saído por completo mas só a primeira parte tá disponível. Ninguém imaginaria a pioneira de solos da franquia Produce em situação de barril grave em 2022, mas em meio às turbulências, ela trouxe Sparkling. Eu amo a capacidade da Chungha em entregar faixas potencialmente homossexuais com a mesma qualidade de coisas fofuchas e cintilantes. Não lembro dela já ter errado muito feio no verão, mas com Sparkling tudo parece meio diferente, como uma propaganda de refrigerante que surge no exato momento que você tá morrendo de sede e seu cérebro automaticamente pensa somente em conseguir uma latinha bem gelada de coca-cola. Tudo aqui foi feito com centavos, tenho certeza disso. E, ainda assim, deve ser um dos trabalhos mais graciosos que a Chungha já fez na vida. A coreografia dos segundos finais me deixa emocionada de tão linda.

20. NewJeans – Attention

O R&B noventista tá na moda ultimamente e algumas coisas que surgiram disso foram boas, apesar de poucas. Mas nada prepararia o público pra fidelidade e nostalgia com a qual o conceito foi concebido quando o NewJeans dropou Attention de surpresa na internet. Enquanto os primeiros momentos lembram muito Whip My Hair, da Willow, a batida gostosa que domina o restante da música surge logo por cima, se mesclando com tudo e criando ali um instrumental intrigante. É que soava como novidade e, naquele momento, ninguém mais estava fazendo algo como Attention. As harmonizações do refrão são angelicais, é um absurdo. E todo esse roteiro de meninas se aventurando pela cidade, que dançam e cantam por aí como se estivessem num musical, me parece muito verdadeiro porque deve ser a representação literal de um primeiro amor, daqueles que fazem a gente enxergar a vida com outros olhos. A Heejin tinha cinco meninas com cabelos enormes e um campo de futebol pra fazer história. E ela fez.

19. Amefurasshi – Artificial Girl

Somente um grupo seleto de cinco pessoas, incluindo euzinha, deve ter escutado isso aqui. Azar do resto do mundo que não conhece o Amefurasshi, que entregou um disco-funk aos moldes esquisitões do Japão. Ouvir Artificial Girl nos fones é uma experiência quase extracorpórea, tipo uma projeção astral. Ela tem essa estrutura maluca que começa com um coral cheio de glitter, como se você estivesse atravessando o tecido do espaço-tempo de dentro do seu guarda-roupa até um clube secreto de drag queens em Shinjuku. E lá, elas começam a te encher de plumas enquanto o baixo come solto. Se fosse só isso tudo bem, mas tem mais. Como se não bastasse, o refrão tira a gente da órbita por ser todo… Desconfigurado, digamos assim. As notas vão subindo de tom tal qual um disco fora de rotação, ou quando colocamos a fita no videocassete e o tracking vai ajustando imagem e som, passando essa sensação de, olha só, artificial! De vez em quando, é bom dar uma fuçada em grupos mais alternativos do Japão. Você pode topar com uma dessas pelo caminho.

18. VIVIZ – Love Love Love

Bom, o GFRIEND tinha acabado, três delas resolveram ficar juntas pro redebut e surgiu o VIVIZ, que é um grupo bem completinho, apesar de ser um trio, e lançaram algumas coisas memoráveis. Só que, sei lá, fui enjoando do EP de estreia ao longo do ano, a participação no Queendom foi pífia e o comeback mais recente trouxe um single tão molenga, tão fraco que eu meio que soltei a mão delas. Mas teve uma faixa que permaneceu comigo, uma das mais cunty girl que o pop coreano recente já colocou no mundo. Love Love Love é, com certeza, algo que o GFRIEND queria ter lançado enquanto estava vivo, principalmente nos últimos meses de atividade, porque condiz muito com a imagem madura que elas queriam mostrar. O house limpo brilha na voz manhosa e aguda das três, ainda mais no refrão, quando mesas viram e o drop eletrônico invade a música como uma rave. Um ótimo candidato a fazer parte de uma edição do Summer Eletrohits caso ainda fosse uma coletânea relevante. 

17. Perfume – Spinning World

Ai, Nakata… Eu tenho certeza que ele olha pras coisas que produziu nesses últimos dois anos e se arrepende de forma amarga de ter se prestado ao papel de mexer com country EDM e outras drogas perigosas. Como fã do Perfume, não tinha mais como sustentar álbuns horripilantes como Cosmic Explorer e fingir que estava tudo bem, então seja lá quem espancou o velho, tá de parabéns. Sou apaixonada pelo desconforto que Spinning World me causa, desde o som até o visual, além das interpretações impecáveis de bonecas de corda que, quando se dão conta de que não são humanas, os olhares vazios invadem a cena até que alguém dê corda novamente. É o retorno daquele trio estranho como só o Perfume pode ser, criando essa atmosfera sinistra por cima de um synthpop tão sombrio quanto. Em alguns momentos, ela até soa meio vaporwave por conta do baixo que seria usado de sample distorcido por qualquer Vektroid da vida pra ser a trilha sonora melancólica de um shopping abandonado. É a melhor delas depois de muito, muito tempo mesmo, e eu espero que o Nakata só se supere daqui pra frente pro trio seguir sendo inspiração para gerações futuras. 

16. JAMIE – Pity Party

Depois que saiu da JYPE, a JAMIE virou uma gostosa. Esse é o resumo pra quem não conhece ou nunca mais tinha ouvido falar dela. Agora um pouco de contexto: Pity Party é uma delícia. É o tipo de música que não caberia lançar dentro do 15& ou qualquer outra coisa que ela tenha se metido antes de virar a solista alternativa que é hoje. E isso aqui ganha camadas extras de lacre extraordinário quando lembramos que, mais ou menos na mesma época, teve uma polêmica com o ex-vocalista do DAY6 chamando ela de cachorra. Ou seja, Pity Party só subiu tanto comigo porque, ao mesmo tempo, eu tentei me empoderar através dessa música pra lidar com a amizade tóxica que eu tinha. Deu certo, e eu consegui me enxergar no refrão todo, que é sobre sentir pena de si mesma e bater no mais fundo que o poço possa ser até ter coragem pra se levantar. E, a partir daí, o caminho é só pra cima. A moral da história é que o menino do DAY6 tá vivendo de Twitch e a JAMIE continua encantando multidões de blogueiras emergentes. A maior matadora de incels.

15. BVNDIT – Venom

– Melhor canto do cisne –

Outra coisa que aconteceu aos montes no kpop em 2022 foi disband. Como alguém já tinha dito no Twitter na época em que o bugAboo tinha acabado, parece que investir num grupo que não tenha tanta relevância como os grandes nomes do momento é uma perda de tempo e aí todo mundo larga a mão do projeto. Não que o BVNDIT tenha surgido outro dia, mas foi um descaso enorme pelo período inteiro que elas se mantiveram na ativa, inclusive mandando a Seungeun pro reality da Mnet e não tirando proveito de nada. Pelo menos eles tiveram a decência de produzir um último comeback, um pancadão eletrônico da melhor qualidade, cheio de atitude e sendo o mais bagaceiro possível. Venom é tipo um veneno mesmo, daqueles que te paralisa e você ainda gosta da sensação. E, ao mesmo tempo que serve um ótimo e legítimo girl crush, consegue ser hilário por conta da letra que não faz o menor sentido. É o efeito Everglow do ano passado, de ser um EDM que não se leva a sério em nenhum momento, com sabor agridoce porque nunca mais elas vão lançar algo. 

14. LE SSERAFIM – Fearless

Meu problema com Fearless é bobo. Pode esquecer as coisas que eu disse no lançamento, sobre ser muito simples e sempre se manter no mesmo lugar a ponto de parecer entediante. Não, a pessoa que escreveu aquela review não existe mais; hoje, eu acredito que o LE SSERAFIM teve o melhor debut da quarta geração entre os grupos grandões e só não é a melhor estreia num geral esse ano porque outras alavancaram comigo. É só o fato de eu não conseguir mais enxergar espaço pra Garam nessa música, apesar da presença dela. Tirando isso, amo Fearless e a velocidade com a qual ela cresceu comigo foi absurda de tão rápida. A música expressa muito bem a imagem que elas querem passar, de um bando de garotas destemidas e sem pudor algum na hora de demonstrar sua feminilidade pro mundo. É o típico número bucetinha, como diria o Lunei, e seria muito mais se a coreografia anittesca não se limitasse só ao MV. 

13. Red Velvet – Beg For Me

Beg For Me também é extremamente feminina, mas de um jeito agressivo, quase misândrico. A situação que o Red Velvet me põe aqui é de total submissão, como se eu fosse uma serva sexual cujo único papel é implorar pela presença delas todas e a minha vida dependesse disso. O instrumental pesado, porém sacana, dá o clima pra se imaginar na narrativa da música, inclusive eu mesma penso em Beg For Me tocando em algum filme noir com uma protagonista feminina revolucionária que seduz milionários só pra matar eles no fim. Por puro prazer, e pela pátria mãe. Talvez essa seja uma das melhores interpretações do Red Velvet nesse lado mais “veludo”, ainda que essa divisão não exista mais de forma oficial. Mas ela é maravilhosa, eu me perco demais cantando por todos os cantos enquanto sinto o pusy power tomando conta do meu corpo. A melhor delas esse ano.

12. YooA – Lay Low

Eu disse que naquele EP da YooA tinham coisas extraordinárias. E eu gosto tanto de Lay Low na voz dela, não consigo imaginar outra gatinha do kpop levando isso aqui do jeito que foi levado. Única coisa “ruim” é o timing, mas eu tenho certeza que ela pensou que o Brasil sempre é muito quente nessa época e lançou pra gente poder dar close na praia nas férias de janeiro (que, inclusive, são as minhas férias do trabalho). Lay Low é magnética. Ela passa aquela sensação de fuga, de um amor rápido e intenso, de carro a 100 km/h por hora deslizando pela orla da praia numa noite abafada. Tem cheiro de maresia, sabe? E gosto de mulher decidida que vai machucar seu coração. O significado do nome é uma expressão em inglês pra “sair de fininho”, principalmente pra cenas de crime. Levando em consideração que a nossa solista aqui quer trucidar qualquer esperança que a pessoa tiver em amá-la ou algo assim, achei super apropriado. Eu mal posso esperar pra ver mais dessa YooA em 2023.

11. IVE – Love Dive

Dessa vez, quem ficou de fora da peneira do top 10 foi o IVE, mas acho que vocês nem precisam se preocupar com isso. O grupo foi estonteante em tudo que se propôs a fazer, começando com Love Dive, que facilmente apaga a má reputação que o debut delas deixou comigo, mas eu consigo me convencer de que existe toda uma jornada pra amadurecer e lançar um pop perfection dos anos 2000. Até os dias de hoje, Love Dive me hipnotiza. Se eu me permito prestar um pouco mais de atenção, os vocais ressonantes me levam pra outra dimensão onde sereias alisam os cabelos no meio do oceano esperando os primeiros tripulantes desavisados a passarem para derrubar o navio. É uma faixa deliciosamente traiçoeira, mas viciante na mesma proporção, mostrando que cupidos não precisam sempre ser seres angelicais de asinhas e fraldas. Cupidos podem jogar em benefício próprio, seja pelo amor mundano ou por diversão maléfica. A diferença de Love Dive pra outra que ainda vai aparecer aqui é um simples break mal encaixado. Sério. 

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