Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2022 (100-86)

Sim, ele voltou. Aquele que é o mais temido: o ranking das 100 melhores músicas deste humilde blog (que tá de carinha nova, vocês viram?). São quase duas da manhã, eu não conseguia dormir e pensei: “por que não começar a escrever essa budega?”, pra vocês verem como os meus ânimos mudaram bastante pra esse tipo de empreitada do ano passado pra cá. Brincadeiras à parte, eu gosto muito de fazer esse ranking e ler os dos outros blogs. Eu fico passada em como somos plurais, únicos, mesmo vivendo a mesma agenda de lançamentos. 

Falando neles, 2022 foi ligeiramente melhor, viu? Quer dizer, não rolou aquela abundância de hits, de ter que ficar horas decidindo a posição de cada música, mas foi um pouco mais sofrido pra mim ter que organizar a playlist de um jeito que pareça justo e condizente com o meu ponto de vista. Pode ser que, em algum momento, eu me arrependa de não ter botado fulana ou subido demais ciclana? Pode, como aconteceu em 2021. Mas fica a reflexão ali de cima, né? Somos volúveis e eu amo ser volúvel.

Pra quem não conhece a burocracia do ranking, aqui vai: serão sete posts, sendo que os seis primeiros têm 15 músicas e o sétimo tem dez. A playlist mesmo só vem no último post pra não dar spoiler. E, obviamente, é tudo baseado no meu gosto pessoal. Não curtiu? Paciência. 

100. Kep1er – Up!

É bem provável que o Gui não fique muito feliz com o fato disso aqui estar acima das faves dele, mas, em algum momento do verão desse ano, eu me rendi aos encantos do Kep1er. Eu previ lá no começo que o surgimento delas era o equivalente ao apocalipse; ainda bem que eu estava errada. Quer dizer, o grupo mais errou do que acertou, mas em Up! elas se deixaram levar pela simplicidade de um comeback de verão adolescente: colorido, alegre e bobo, como deve ser. Claro que a música não é perfeita, senão ela não estaria em #100; alguns versos e grande parte do pré-refrão são descartáveis, mas sendo sincera isso não importa porque a mágica mesmo tá no refrão. É tão refrescante que dá até pra esquecer o que veio antes e depois na discografia delas.

99. FIFTY FIFTY – Lovin Me

A graça de acompanhar kpop em 2022, ironicamente, foi por conta dos álbuns visuais com universos próprios. Se isso já foi motivo de chacota, hoje a gente consegue dizer que alguns grupos levaram o conceito com excelência, tipo o FIFTY FIFTY. Vindo de uma empresa recém-nascida, que estruturalmente existe a serviço delas, fica difícil não pensar na possibilidade de serem engolidas pelos peixes grandes da indústria, mas elas tão aí e são resistência pra quem tem sede de novidade. Lovin Me é a mais melancólica desse projeto, um synthpop angustiante que toca em feridas esquecidas e faz o peito ansioso ficar prestes a explodir. Pelo menos é assim que eu me sinto quando eu escuto. E é lindo. 

98. Ayumi Hamasaki – Nonfiction

Por onde anda Ayumi Hamasaki e seu 18º álbum? Bom, enquanto as promessas não saem do papel (porque eu só acredito quando chegar nos meus ouvidos), podemos dizer que Nonfiction envelhece cada dia melhor. A voz já não tá das melhores por conta da surdez, mas a veia artística dessa senhora voltou com tudo, ouvindo bem ou não. Fazia um tempo que a Ayu não acertava tanto num lançamento. Desde que retornou pra música, eram uma porção de baladas eletrônicas e dubsteps tão fuleiros que a melhor tentativa pra mim tinha sido o cover da Yuming mesmo. Daí veio Nonfiction e as coisas parecem estar caminhando de novo, ainda que não tenha vendido nem 5k. O electropop pesado faz com que eu me sinta poderosa onde quer que eu esteja escutando. A melhor dela nesse ano e numa penca de outros.

97. H1-KEY – Catch ‘n’ Release

Tem uma boa parcela de bobagens que eu me apego durante o ano também, e Catch ‘n’ Release é uma delas. Imagina só o seu nome ser chato e difícil de escrever, falar e gravar, e o conceito das suas músicas é sobre ser uma garota atlética. Não existe espaço nos dias de hoje pra um grupo assim, a não ser que você seja periférica. E é exatamente aí que o H1-KEY brilha, por não ter medo de cantar groselha. Catch ‘n’ Release fala sobre os esforços que as garotas fazem pra manterem um corpo perfeito, ao mesmo tempo que enfrentam uma batalha mental sobre comer, por exemplo, um pedaço de bolo. É, tipo, tão errado, mas tudo isso fica por cima de um instrumental glamuroso o bastante pra me fazer esquecer, ainda que por um instante, que a música é gordofóbica. Deram muito orgulho pra Hyomin aqui.

96. LE SSERAFIM – Blue Flame

Um dos destaques do ano, pra mim, foi o EP de estreia do LE SSERAFIM, cujo single eu até posso ter achado meio morno logo no início, mas o grupo como um todo cresceu em mim de forma absurda. O fato de Blue Flame morrer logo aqui não tira os méritos do grande trabalho que elas vêm fazendo no kpop, até porque as harmonias dessa música são ofensivas de tão perfeitas, embrulhado num disco-pop maduro e sensual que nenhum outro grupo rookie poderia entregar. Talvez eu, ouvindo Blue Flame, até sinta falta da Garam na formação original, porque a bicha serviu vocais angelicais em todas as linhas. Mas é isso: ninguém mandou ser uma fugitiva da Fundação Casa e viver no imaginário coletivo do kpopper como um fogo-fátuo bem pequenininho, igual ao que ela mesma canta na música. 

95. AKB48 – Moto Kare desu

Pela primeira vez em alguns anos, o AKB48 fez um comeback realmente relevante. Não que Ne mo Ha mo Rumor não tivesse sido boa também, mas a vida útil dela só diminuiu comigo, enquanto essa, que eu tinha achado duvidosa no começo, só foi crescendo. Ainda acho que usar a Hitomi de center foi uma escolha estranha? Acho, eu botaria a gatinha da Nana Okada aí mais uma vez sem problema nenhum. Mas, conforme o tempo foi passando, eu entendi que Moto Kare desu foi uma aposta inovadora dentro dos padrões do AKB48, aproveitando a imagem forte que a Hitomi deixou depois do IZ*ONE, juntando com uma produção e coreografia típicas do kpop; foi assim que nasceu o single mais coreanizado do grupo. Pode até ter torcido o nariz de alguns wotas mais punheteiros da fanbase, mas vendeu bem e eu amo ver esse lado mais slay queens delas. 

94. Nayeon – No Problem (ft. Felix of Stray Kids)

E quem diria que a JYPE finalmente largaria o osso e começaria a lançar as meninas do TWICE em aventuras solo? A primeira delas foi a Nayeon que, ao contrário das expectativas de muitos, se mostrou uma idol com potencial enorme pra se segurar sozinha juntando carisma, vocal e beleza num pacote só. Mas antes de chegar lá, temos também No Problem, que é uma espécie de releitura de outra música do TWICE (e que, por si só, é uma espécie de releitura do Lionel Richie). O sintetizador é contido e borbulhante, uma graça, e ter a presença do menino fumante do Stray Kids mandando uns papapuns pode até parecer um pouco desnecessário (como a maioria dos raps do kpop), mas quando as vozes deles se juntam lá pro final meu coração derrete com o contraste. 

93. iScream – Koisuru Planet

Não sei se alguém liga pro que a LDH anda fazendo em 2022, mas saibam que eles têm soltado uns grupos legais. O iScream, por exemplo, é como se fosse um FAKY compacto, focado em vocalistas fortes, mas voltado a um pop mais oitentista. O conceito é interessante e rendeu meia dúzia de cópias vendidas como qualquer coisa que a LDH se preste a fazer hoje em dia, apesar de ser o primeiro grupo que de fato estão dando mais que dois centavos de atenção com promoções dignas e tal. A melhor desse primeiro ano de vida delas é Koisuru Planet, um city pop moderno e bem alto astral, daqueles que faz a gente ter vontade de desbravar uma megametrópole feito Tóquio às duas da manhã. Ainda acho que o direcionamento da LDH tá meio perdido, mas se elas continuarem lançando umas assim, mesmo que de vez em quando, eu vou ser bem feliz.

92. Oh My Girl – Drip

Que o Oh My Girl perdeu todo o hype e fator interessante que elas tinham numa tacada só não é novidade. Mas, de alguma maneira, esse último álbum soube trabalhar faixas bem curiosas de ouvir, o que me deixa com ainda mais perguntas do que respostas. A que mais se destoa de qualquer proposta que elas apresentaram até hoje é Drip, que, pasmem, é um girl crush! E olha só que girl crush bem feito e, principalmente, criativo. Acho a construção dessa música e a forma como ela brinca com camadas de várias coisas nada a ver engraçadas demais; ela começa dramática e se perde num batidão frenético enquanto a batalha vocal entre a YooA e a Mimi cadencia esse instrumental de boate, pra só então dar abertura pro girl crush do refrão. Não chega a ser camp, mas com certeza despertou algo dentro de mim. 

91. Sunye – Just a Dancer

Sim, eu matei Just a Dancer muito cedo, mas essa não é a única vez que a Sunye vai aparecer aqui (e foi justamente por conta da outra música que essa acabou morrendo aqui, mas isso é assunto pra daqui uns três posts). Por muito tempo, a Sunye viveu no meu imaginário. Era minha musa sexy do Wonder Girls desde que eu botei meus olhos nela em Irony e aí fico pensando como ela ficaria naquele maiô tocando um sintetizador em I Feel You. Tempos depois, ela lança essa delícia aí, mesmo casada, mesmo sendo mãe, mesmo sendo crente. Just a Dancer é um número que o Taemin lançaria tranquilamente num dia comum pela SM, mas eu, pelo menos, prefiro ver mulheres maduras sensualizando em cima de um som desses. 

90. WJSN – Last Sequence

Agora essa daqui pode ser outra forte candidata de reclamações nessa primeira parte do ranking, mas diferente da Sunye, não acho que matei cedo não. Aliás, Last Sequence teve foi sorte de entrar aqui porque, apesar de ser muito boa e consolidar o WJSN como uma grande potência do house de gostosa no kpop, ela morreu muito rápido no meu gosto. Talvez outras gostosas foram lançando coisas melhores e essa acabou soando básica demais, juntando com a decisão ridícula da Starship de dar um single álbum pra um grupo que ficou em primeiro lugar na porra do Queendom. Não entendam mal, poucas seguram esse tipo de música como elas, e Last Sequence é bem executada e polida, mas frustrante é pouco pra definir o descaso que essas coitadas sofrem. 

89. FAKY – Diamond Glitter

Quando Diamond Glitter saiu, eu disse pra mim mesma que parecia uma disband song. E você não pode discordar de mim: é daqueles pops melancólicos que tocariam na trilha sonora das nossas vidas em momentos que ciclos se encerram, como se formar na faculdade, mudar de país por conta de uma proposta irrecusável e ter que deixar todas as coisas que você conhece pra trás. Ou uma realidade mais simples, como uma festa incrível que vai alcançando seu fim conforme o sol nasce, sendo que o amanhecer poderia ser o último dia das nossas vidas. Situações assim, sabe? Com essa, o FAKY tocou em algumas feridas minhas sem intenção nenhuma, e eu até acho que elas têm mais uns três anos pela frente, mas Diamond Glitter causa essa tristeza sem motivo aparente. E quem não gosta de um pop triste de vez em quando?

88. PIXY – Natural

Numa escalada impressionante, o PIXY saiu do status de grupo odiado pra um dos meus nugus favoritos dessa nova geração, porque elas sabem servir album tracks como ninguém desde o debut. Mas foi só com o sacrifício de uma das integrantes que a discografia do grupo deslanchou de vez. Natural é uma música de renascimento (em qualquer sentido que você queira interpretar) e parece ter saído das profundezas do rádio, como se as ondas sonoras explodissem dentro de um carro em fuga numa estrada vazia, de alguém que toma as rédeas da vida e simplesmente quer recomeçar. Ela vai crescendo e crescendo até te dar um abraço e dizer que é normal não estar bem. Foi uma dessas faixas que me confortou em momentos difíceis desse ano. 

87. BoA – The Greatest

Foram 20 anos de carreira japonesa da BoA e, como uma diva, ela foi lá e lançou The Greatest, que nada mais é que uma ode a si mesma. Por que não? Quando se é uma personalidade tão importante a ponto de ser aquela que abre as portas para outros idols explorarem territórios fora da Coreia do Sul e, de quebra, entregar os melhores singles possíveis, uma homenagem narcisista disfarçada de música de amor é o mínimo do mínimo. A BoA tem trabalhado incansavelmente nesses últimos dois anos comemorando todo a contribuição importantíssima que ela teve pro kpop ser o que é hoje e, em vez de sair de casa pra gravar uma baladinha confortável, ela serve uma das melhores da carreira inteira. Só isso. A BoA é boa e não é à toa.

86. Heize – Undo

Já tem um tempo que a Heize tem experimentado coisas fora da zona de conforto. Ano passado, ela já tinha dado indícios de que queria chacoalhar as bases das suas próprias composições, mas, apesar de valer a tentativa, não foi nada que pudesse mexer com os meus próprios gostos. Com Undo foi diferente. Existe uma dualidade aqui que é quase contraditória, de parecer adulta demais sendo adulta de menos. Um feed do Tumblr em 2013, em resumo. E se essa não foi a melhor das escolhas que a Heize já fez na vida, então eu não consigo imaginar o que mais de bom ela pode fazer. Undo é filosófica, cruel, cheia de mágoa, um drink de uísque rasgando a seco a garganta de quem não tem idade pra beber. Um disco pop melancólico de uma noite decepcionante que não parece ter fim até o alarme tocar no dia seguinte. Feio e imoral. 

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