Uma lista de músicas do Dreamcatcher pra você aproveitar o dia do rock, bebê!

Edit: eu descobri nas pesquisas que o dia “mundial” do rock só é reconhecido no Brasil, mas esqueci de colocar no post. Gente, to passada.

Dia 13 de julho é conhecido como o dia do rock, gênero que voltou dos mortos recentemente graças ao álbum de estreia da nova sensação ocidental Olivia Rodrigo. Já do outro lado, na Ásia, parece que algumas músicas andam apostando na sonoridade, o que dá mais abertura para que cantoras, grupos e bandas femininas saiam da obscuridade e cresçam no mainstream. 

Você sabe por que a data de hoje foi escolhida pra comemorar o dia do rock? Bom, em 1985, ocorreu o Live Aid, um evento com o objetivo de arrecadar fundos pra combater a fome na Etiópia e, levando em consideração a época e a limitação tecnológica, foi um acontecimento gigantesco com vários shows acontecendo no Reino Unido, EUA, Japão, Rússia e Austrália. Além disso, estima-se que cerca de 100 países assistiram ao evento ao vivo, sendo essa uma das maiores transmissões da história. 

O rock foi importado ao oriente, especialmente ao Japão e a Coreia do Sul, durante a década de 50, num período pós-guerra, e durante muito tempo foi um espaço amplamente masculinizado (e racista, apesar de ser um gênero criado pela cultura negra). Demorou um pouco até que moldassem uma sonoridade mais original e, a partir daí, surgiram vários segmentos muito próprios da Ásia, como o visual kei no Japão, e o ska e heavy metal coreanos. 

Falando em Coreia do Sul, parecia que o gênero tava meio morto por lá, até que, em 2017, a antiga Happyface decidiu repaginar seu grupo MINX, que vivia em situação de barril fadado ao fracasso, acrescentando duas novas integrantes e trilhando um caminho completamente oposto e inesperado. Com a estreia de Chase Me, o Dreamcatcher trazia de volta a agressividade do rock misturado a meninas dançando em um ritual satânico dirigido pela Digipedi. Assim nasceu o grande expoente do kpop-rock (?) da atualidade. 

Nessa lista, eu vou comentar meus dez singles favoritos do grupo, até porque essa semana tá só pela hora da morte e, como diria a Christiane Torloni travadíssima no Rock in Rio 2011: hoje é dia de rock, bebê!

10. Fly High

Sendo a mais “fraquinha” da lista, Fly High poderia estar no catálogo de um GFRIEND no começo da carreira (acho que até a locação é a mesma de Rough) por ter essa aura mais fantasiosa, mas com alguns aspectos que deixam tudo um pouco mais sinistro que o normal por ser o Dreamcatcher apresentando. Uma música com muito pulso pra ser uma abertura de anime onde um grupo de amigas estudam em alguma escola de bruxaria e veem espíritos de vez em quando, mas que ao longo dos episódios os acontecimentos têm tudo pra dar errado. A construção de Fly High é bem interessante, eu gosto da dualidade entre os versos, com os riffs de guitarra rasgando essa atmosfera mais mágica da música. 

09. GOOD NIGHT

Pra entender o que o Dreamcatcher quis apresentar com GOOD NIGHT, você precisa assistir o debut primeiro, mas elas se diferem na sonoridade. Aqui nós temos um jrock em toda sua essência, talvez algo que a gente esperaria da LiSA. Comparado a sua antecessora, GOOD NIGHT não é tão emocionante e peca bastante no refrão, que soa bem mais genérico e insosso pra mim. A Digipedi tentou fazer milagre com a produção desse MV (acho que a falta de retorno na época fez com que a qualidade da narrativa que o grupo criou caísse um pouco), mas não gosto da forma como ele foi concebido e nem de como essa historinha termina. Ainda assim merece os méritos pela tentativa de manter a consistência. 

08. Endless Night

Essa daqui é pras gostosonas. Endless Night é a melhor tentativa do Dreamcatcher de acontecer no Japão e, mesmo que não tenha tido o sucesso esperado e com alguns problemas de execução como o verso depois do primeiro refrão (detesto essa parte da Dami), é uma ótima música. O MV é uma grande reciclagem de muitos conceitos batidos até mesmo pelo próprio grupo, poderiam ter tido mais criatividade e até carinho na hora de elaborar isso aqui, mas a música consegue segurar muito bem. É importante notar que Endless Night tinha tudo pra ser um número bem animesco, mas ela foge bastante disso, lembrando alguns lançamentos de bandas japonesas como o Abingdon Boys School. 

07. What

A fusão de metal alternativo com alguns elementos do post-punk fazem de What a música com a introdução mais interessante que eu já ouvi nos últimos tempos, e esse ritmo mais frenético se mantém ao longo dela inteira sem se tornar entediante em nenhum momento. Acho que as coisas passaram a melhorar pro Dreamcatcher quando elas entenderam que o rock era sua assinatura e se permitiram misturar outros gêneros, deixando a discografia bem mais rica, passando essa sensação de solidão avassaladora que o álbum promete. Talvez What seja o coming-of-age do grupo (ou o começo de um), liderada por uma coreografia que também é uma das melhores da carreira delas.

06. Chase Me

Chase Me é o prelúdio de GOOD NIGHT e o que conquistou diversos fãs internacionais pro grupo por conta da imagem e som diferenciados do restante do kpop da época. É uma música bem agressiva, rápida, que só cresce conforme os minutos avançam. Chase Me deve ter assustado muitos coreanos por conta do ritual satânico que elas promovem, além de atazanarem o hóspede do hotel em que os espíritos delas moram. O MV, inclusive, é muito legal de assistir, me lembrando até o icônico clipe de The Kill do 30 Seconds to Mars. Foi uma sacada bem ousada da empresa de nadar contra a maré do que fazia sucesso em 2016/2017, apostando em uma roupagem de terror pra um grupo que tinha morrido no esquecimento no seu primeiro debut. Mas deu certo, e o Dreamcatcher marcou a indústria com essa daqui.

05. Odd Eye

O comeback mais recente do Dreamcatcher é também o que fez mais sucesso até hoje. A Coreia do Sul comprou a estética do grupo e vem consumindo avidamente até os dias de hoje, já que vendeu bem mais que o esperado. Como música, Odd Eye tem seus defeitos, sendo a mais fraca da trilogia distópica do grupo, mas ela casa muito bem o eletrônico com o nu metal, trazendo uma atmosfera caótica pra coisa toda, até porque é aqui que elas percebem que não alcançaram a tão sonhada utopia. No dia em que saiu, eu esperei bem mais disso aqui, mas ainda continua sendo um grande número na minha playlist.

04. PIRI

Seguindo na via oposta mais uma vez, o Dreamcatcher apostou num número mais sensual com PIRI. Pode não ser a melhor música que você vai escutar na vida, mas essa daqui sobrevive comigo até hoje e me marcou muito sendo a primeira vez que eu gostei de algo do grupo logo de cara. Também foi aqui que os raps da Dami se encaixaram perfeitamente com a música sem parecer algo estranhamente improvisado, talvez por PIRI ser “menos” rock com essa espécie de flauta tocando de forma descompromissada por alguns versos. Isso faz com que PIRI não seja tão pesada quanto os lançamentos anteriores e consegue se conectar com qualquer pessoa que não esteja procurando necessariamente algo que lembre jrock. 

03. BOCA

E quem disse que roqueira não pode curtir o verão? Talvez houvesse muitas dúvidas sobre como o Dreamcatcher se viraria durante uma época de lançamentos tão diferentes da estética sonora do grupo, mas elas revolucionaram o rock como de costume e se lançaram num trap-rock latino delicioso. BOCA é pra você dançar na chuva feito uma trevosa tropical, subvertendo a própria estrutura de PIRI e mais toda uma geração de músicas latinocoreanas horríveis que fedem a mofo, calando os haters e brincando com o real significado da palavra boca para nós falantes da língua portuguesa/espanhola. Pode até ser que ela não envelheça bem nos próximos anos, mas é um ótimo exemplo de como a fusão de gêneros pode dar vida a uma faixa tão atraente. 

02. YOU AND I

Sim, essa daqui é a que tem a coreografia lendária com o bastão. E sim, YOU AND I é um rockzão que lembra os primeiros dois lançamentos do Dreamcatcher, mas dessa leva eu acho que foi a música que mais deu certo comigo. Mesmo sem parecer por conta do refrão bem “simpático”, YOU AND I é carregada de melancolia; os versos demoram pra engatar essa energia explosiva e criam uma aura desoladora, além da guitarra virtuosa de fundo que puxa um metal progressivo maravilhoso. Sobre a narrativa do MV, eu queria muito que fosse melhor construída, afinal é aqui que existem as cenas que mais me deixam com medo da videografia do Dreamcatcher. A JiU rezando provavelmente em línguas pra uma Yooheon “possuída” e todo o mote das fotos assombradas dariam um puta plot, e me deixam arrepiada até hoje.

01. Scream

Difícil descrever Scream com um punhado de palavras. Essa música é de uma grandiosidade tão grande que às vezes me pego chorosa com tamanha perfeição. Não é sempre que a gente vê alguém pegar um trance e transformar em um número de metal, muito menos do kpop, mas isso funcionou tão bem em Scream que dá pra considerar isso aqui como uma espécie de reset cultural (não no sentido do meme, é meio inédito mesmo). A voz distorcida que fala no refrão sobrepondo os vocais das próprias integrantes realmente passam essa sensação de possessão demoníaca, de estar presa em um corpo sem poder gritar, quase uma paralisia do sono. Eu enxergo isso aqui como uma repaginada da invocação do mal que elas queriam fazer em Chase Me e em YOU AND I, mas que mete muito mais medo e consegue ser séria na sua proposta. Scream é totalmente apocalíptica e o ápice sonoro do Dreamcatcher até hoje. 

Faixas que também merecem sua atenção por humilhar bandas ocidentais cheias de machos cabeludos: Sleep-walking, And there was no one left, Deja Vu, The curse of the spider, Silent Night, Break the Wall, Wind Blows.

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

Nenhum pensamento

  1. Meu top 2 é exatamente o mesmo! Eu só trocaria “Boca” por “Chase Me” como #3 (“Piri” continuaria onde está, em #4).

    A discografia do Dreamcatcher é possivelmente uma das melhores já vistas no k-pop. Chega a ser revoltante que mesmo com tanta qualidade elas nunca tenham conseguido um troféu em music shows (e olha que os álbuns delas vendem consideravelmente bem).

    Curtido por 1 pessoa

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