As dez músicas barradas do meu ranking de 2022

Lá vamos nós começar os preparativos para o grande top 100 do AYO GG, com músicas escolhidas a dedo por mim mesma, usando critérios bastante duvidosos, e que eu sei que absolutamente ninguém está interessado em saber. A playlist tá pronta, as capas dos posts também e, de quebra, uma nova estética aguarda para vestir esse blog dos pés à cabeça. 

E, como já é de costume, preparando o ranking algumas músicas acabaram sobrando. Não foram muitas como no ano passado, mas senti que a decisão entre uma faixa ou outra foi mais difícil (não à toa, eu comento há alguns meses que esse é o melhor ano do pop asiático, principalmente pro kpop, desde 2018). E também quero aproveitar pra usar o espaço pra destruir a aberração nuclear que foi a lista de músicas descartadas do Guilherme do Palpites Alheios pensando que eu posso tocar a ferida dele com alguma barrada por mim nesse post. 

110. Dreamcatcher – Maison

Tá, mirei no Gui e acertei na Bruna, mas eu tenho minhas considerações. Pra mim, o 2022 do Dreamcatcher foi… Estranho. Apesar delas conseguirem se manter numa linha de raciocínio coerente, lançando coisas que fazem sentido dentro do conceito que planejaram pro grupo e que ainda possuem um brilho que faz com que essas músicas sejam diferentes entre si, eu senti que elas tão desacelerando. Maison é brilhante e, depois de oito meses, continua assim. Eu ainda gosto como ela emula os melhores elementos do new prog e amarra tudo numa música agitada e, ao mesmo tempo, melancólica. Mas, por algum motivo, ela perdeu força comigo dias depois de sair. 

109. Kwon Eunbi – Magnetic

Fun fact: eu não voltei atrás e não cogitei Glitch em nenhum momento pra playlist. Dito isso, gosto de como a Eunbi evoluiu do debut pra cá. Talvez ela mesma tenha percebido que fazer a linha da IU, com números de jazz e baladinhas toscas, não levaria a carreira dela pra nenhum lugar e tratou logo de descartar a ideia; foi a melhor coisa que ela poderia ter feito. Apesar de não ter acertado tanto quanto no último EP (esse sim aparece em alguns lugares do ranking oficial), Magnetic é uma das (ênfase nesse “uma das”) melhores demonstrações latinas dos últimos tempos no kpop, um pop hipnotizante onde a voz da própria Eunbi serve de instrumento e dita o ritmo que ela quiser.

108. Cherry Bullet – Love in Space

Nugu de estimação da fanbase que só é lembrado em ocasiões muito específicas, o Cherry Bullet tá cada dia mais indo de comes e bebes, com comebacks anuais e promoções mínimas. Mas elas entregaram Love in Space, que dá sequência ao pop perfection do ano passado e que eu torço pra que elas sobrevivam, pelo menos, até o próximo mês pra completar a trilogia do amor. Não vou mentir, Love in Space ficou adormecida na playlist pela maioria dos meses, mas sempre que eu lembro do Arthur do Aquário Hipster falando sobre como os versos rápidos se assemelham à corrida espacial, eu penso em como elas tiveram uma mente de titânio. Pena que não deu tempo de escalar mais no ranking.

107. Atarashii Gakko no Leaders – WOO! GO!

Numa colaboração com a Nike, as malucas do Atarashii Gakko no Leaders passam uma mensagem importante apesar do caos do MV e do grupo em geral. WOO! GO! é sobre pegar leve em qualquer aspecto da vida, nesse caso representado pelos estudantes japoneses que, além de passarem o dia no colégio, ainda vão para os cursinhos na parte da noite. Crítica pertinente sob os holofotes de um contrato com a gravadora norte-americana 88rising, num job pra uma das marcas mais famosas de tênis, de um dos grupos que mais quebram os padrões no Japão hoje em dia. Eu acho WOO! GO! divertidíssima, e gosto de como ela brinca com as nossas expectativas. 

106. LOONA – Flip That

De Flip That pra cá, muita coisa virou pro LOONA (no pun intended), sendo as principais uma turnê mundial que deu completamente errado e a já prevista (mas não desejada) expulsão da Chuu, que levou a um boicote da fanbase pro próximo comeback, agendado de forma desesperada. Quem leu a minha review no dia do lançamento sabe que eu esperava algumas complicações pro grupo dali por diante, mas nada me prepararia pra avalanche de azar que destroçou as meninas do mês uma a uma. Ouvindo Flip That agora, eu sinto um gosto agridoce. Tem a mesma energia de um pôr do sol de domingo, quando você liga a televisão e dá de cara com o Luciano Huck apresentando Quem Quer Ser Um Milionário sabendo que, logo, é segunda-feira. Ou seja, deprimente. Por isso ela caiu tanto comigo. 

105. DALsooobin – Hookah

Provavelmente só duas pessoas escutaram isso no Brasil: eu e o Dougie. Não sei que posição Hookah vai estar no ranking dele, mas por aqui a DALsooobin encerra sua participação na minha playlist ficando de fora dela. Foi mais culpa minha do que da querida da Subin e eu criei menos memórias do que eu gostaria com essa música. Já comentei por aqui do quanto eu gosto desse lado artístico dela que não é chato ou pedante, e que acaba gerando coisas bem legais como Hookah. Sabemos que ela tem a sua veia artística e consegue combinar com as tendências do momento, e mais o fato dela bancar tudo com o próprio dinheiro me deixa abismada com a qualidade do produto final. 

104. Billlie – my B = the Birth of emotion

Já tem alguns lançamentos que os grupos num geral andam investindo nas introduções dos álbuns. Um deles, o Billlie, é o mais artístico de todos. E ainda que todo esse conceito seja complexo demais pra minha cabeça (e que eu nem sei se a Mystic Story vai conseguir levar pra frente), my B = the Birth of emotion é a música que mais condensa a estranheza da narrativa do grupo. A letra percorre, de forma resumida e bem misteriosa, o desaparecimento da menina Billlie ao décimo-primeiro badalo do sino da vila (ou algo assim), e faz um jogo de palavras incrível no refrão que, a partir do momento que a gente entende do que o grupo tá falando, parece que a nossa mente explode em câmera lenta. 

103. Oh My Girl – Parachute

De um jeito triste, o Oh My Girl se perdeu na própria sonoridade. O último comeback não teve ⅓ da repercussão do viral pós-Queendom e isso, de alguma forma, é culpa da WM que fica insistindo nesse negócio broxante de disco-pop meia bomba. E, mesmo que o álbum mais novo não lembre o misticismo élfico dos trabalhos anteriores, ele ainda cumpre muito bem despejando umas pedrinhas brilhantes na tracklist. Parachute é uma delas. Se melhor trabalhada, poderia ser single no lugar do que recebemos. Ela consegue reunir o que tem de mais legal no Oh My Girl do passado e o de agora, resultando num número bem garotinha.

102. ExWHYZ – Weekend

Não é a primeira e muito menos a última vez que vocês vão me ver falando do ExWHYZ. A repaginada que a WACK deu nelas foi absolutamente certeira, sem tirar nem por, e o primeiro álbum que o grupo lançou só reforça isso. Potência alternativa do house japonês com músicas assinadas por vários produtores do meio, o ExWHYZ é, possivelmente, o meu ato preferido da atualidade e matar Weekend tão cedo não é problema porque eu sei que elas vão continuar servindo pancadões homossexuais assim. Umas dois sábados atrás, eu fui parar na Vila Olímpia completamente bêbada, vivendo o melhor de mim. Quando eu penso nesse dia, eu penso em Weekend. 

101. SNSD – FOREVER 1

E quem ficou na rabeira do top 100 foram elas, as fiesta baila quinceañeras do kpop. Ou, pelo menos, uma delas, né? Foi o retorno que ninguém acreditou e, quando aconteceu, moveu o planeta Terra em dois centímetros da órbita original na força do choro. Sim, FOREVER 1 foi um evento, ainda que um evento para fãs exclusivamente, mas o comeback em si tem muito material emocionante pra se falar sobre. Só de pensar que o SNSD pensou em acabar com o grupo depois dos eventos do álbum especial de 10 anos e que, tempos depois, elas surgiram com isso, me deixa arrepiada, principalmente o auto-sample na ponte que ainda é um grande acontecimento na minha mente. Claro que muitas das conquistas e pioneiragens promovidas pelas soshis são balela de fandom, mas elas foram as primeiras artistas do mundo aqui. 

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