Dispatch revela dossiê tentando achar culpados de ambos os lados, mas só prova ainda mais que a Chuu é a mãe dos CLT

Era um pouco mais de meia noite. A segunda-feira (mais conhecida como hoje) tinha acabado de começar e eu estava na sala futricando o Twitter enquanto o sono não vinha. Foi quando eu dei de cara com uma foto da Chuu no perfil oficial da Dispatch. Parecia ter sido postado há pouco tempo, mas já contava com mais de 500 quotes, todos eles desesperados por uma tradução. Sim, era a tão esperada canetada da Dispatch sobre a Blockberry e a expulsão da Chuu do LOONA.

Hoje eu acordei e a tradução já tava pronta, então obviamente a primeira coisa que eu fiz no dia (depois de preparar meu café) foi ler. Inclusive quero agradecer ao LOONA’s Subbits pela tradução do original para inglês e ao LOONA Publi pela versão em português, que você pode ler na íntegra aí embaixo:

Como é de praxe, a reportagem da Dispatch tem um tom bem tendencioso e mau-caráter, apesar de não parecer em alguns trechos. Só botar a Dispatch do lado do programa da Sônia Abrão e você vai ter aquele meme da Pam, do The Office, dizendo que são a mesma coisa. Enfim, num geral, o autor quer que o público entenda que a Blockberry fez o possível pra deixar a Chuu confortável, apesar da liminar de quebra de contrato, e que a Chuu tocou o terror com os funcionários por conta de um atraso nas filmagens. Mas não é bem assim.

A própria reportagem diz que o LOONA foi um projeto arriscado que quase levou a Blockberry à falência. Enquanto eu lia, fiquei abismada de perceber que o processo de formação do grupo foi muito maior do que eu tinha conhecimento; foram só alguns meses depois da sua fundação que o LOONA começou a sair do papel, e o projeto todo rendeu, até o momento, 24 álbuns e 44 MVs. Um gasto extraordinário de aproximadamente 7 milhões de reais num grupo que não tinha a menor ideia se daria certo ou não.

A Blockberry, no entanto, quis dar uma de esperta e dividir os lucros em 70/30, mas as despesas seriam exatamente a metade pra cada lado. Ou seja, se a Chuu debutou e conseguiu 100 mil com isso, 70 mil vai pra empresa e 30 mil fica com ela, mas se já existe uma dívida de 50 mil por causa de gastos com alimentação, hospedagem, treinamento e etc, o lucro da empresa ainda seria de 20 mil, enquanto a Chuu ficaria com um líquido negativo. Foi assim que ela e as outras 11 integrantes ficaram devendo a empresa por anos, contrato esse que a Dispatch chama de pós-liquidação.

Não quero discorrer muito sobre a reportagem porque a tradução já faz isso, mas o gesto da Chuu de correr atrás dos seus direitos com ajuda da mãe e assumir as rédeas da própria carreira botando a empresa na justiça é uma novidade na indústria sul-coreana, o que faz com que as pessoas entendam isso como abuso de poder. Na verdade, é mais uma prática do patrão de invalidar o trabalhador e fazer com que ele sofra as consequências por recusar as migalhas dadas. A Coreia do Sul é um espelho asiático do maior opositor dos direitos trabalhistas, afinal. 

Basicamente, a Blockberry viu que não poderia enganar a Chuu depois dela se tocar sobre os seus pagamentos e todo o sistema de lucros e dividendos que a empresa elaborou no contrato e tratou logo de conseguir os seus direitos de imagem, nome e independência financeira. Em vários trechos da reportagem da Dispatch, é possível ver como ela simplesmente perdeu a confiança em todos os envolvidos e, assim que a liminar foi concedida, buscou trabalhar em outros ramos, fazendo milhares de propagandas e programas de TV, escolhendo o que queria ou não fazer, tomando conta da própria agenda e recusando compromissos estabelecidos pela Blockberry quando julgava necessário.

Eu gosto muito desse caso, e gosto ainda mais depois da Dispatch tentar botar panos quentes pro lado da Blockberry. A empresa claramente errou e, agora, quer forçar um comeback pro grupo já no mês que vem, provocando a Chuu como pessoa, dizendo que o LOONA está voltando às origens, contratando produtores que já compuseram pra elas nos primeiros anos e tentando arrancar dinheiro dos fãs pra, pelo menos, forrar os cofres. Mas o abalo sísmico que a Chuu causou no kpop como um todo é pra sempre. As rachaduras estão expostas e espero que mais idols reconheçam que nem todo esforço é garantia de retorno. É a Chuu Guevara mesmo.

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2 comentários

  1. Chuu uma periférica PRA LÁ de empoderada!!! Espero que a BBC decrete falência total e as meninas que restaram se livrem daquele bueiro e das dívidas o quanto antes 🙏

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    • Eu ia dizer também “Espero que outros idols fiquem motivados a processar seus empregadores por contratos de trabalho abusivos”, mas é muita ingenuidade acreditar que a fucking Chuu conseguiria iniciar uma revolução trabalhista por conta desse caso. De qualquer forma, torço para que isso chacoalhe um pouco as bases da indústria – ainda que a gente saiba que o problema disso tudo é o capitalismo mesmo, k

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