A estética Y2K abordada da forma certa em dez atos do pop asiático

Seguimos com o marasmo de dezembro e botando as pautas aleatórias pra jogo. Já faz um tempinho que o pop asiático (principalmente o kpop) tem trabalhado com conceitos que utilizam os anos 2000 como inspiração. Nada de errado com isso, até porque grande parte desses lançamentos rendeu uma porção de bops gostosos que eu amo ouvir em qualquer ocasião da minha vida e, inclusive, os designers em geral estão permitidos por mim a manter essa trend viva. Só que, muito comumente no Twitter, eu vejo os jovenzinhos confundindo as bolas e coisas divertidamente constrangedoras como esse post aí embaixo surgem:

Aparentemente a conta do vídeo caiu, mas era o MV de Wanna

Desde quando o Y2K passou a fazer parte do vocabulário do kpopper médio, eu fiquei com essa ideia de escrever sobre isso na cabeça. Até um trabalho sobre Utadão e reformulando a capa do álbum Exodus eu fiz pra faculdade (e você pode ler aqui se quiser, são quase 30 páginas), mas foi só quando o KARA fez o comeback especial de 15 anos e esse tweet de cima que me deram forças pra reunir todo o meu conhecimento sobre um dos movimentos estéticos mais fantásticos e bonitos que eu amo de paixão. 

Basicamente, o Y2K surgiu lá pelo final dos anos 90 e ficou em evidência até meados de 2004 e aborda a ideia imaginária de como seriam os anos 2000. O fato dos seres humanos presenciarem uma virada de milênio fez com que o otimismo em torno da tecnologia ficasse em extrema evidência, principalmente quando perceberam que o tão temido bug do milênio foi contornado com maestria e não causou 1% do impacto previsto. Daí surgiram os principais pilares do movimento: roupas brilhantes, monocromatismo, uso de 3D e blobismo (forma de bolha), e um sentimento absoluto de positividade acerca do futuro. Ou seja, o tweet da querida ali tá totalmente fora de contexto.

Em resumo: já assistiu Matrix? Já viu o clipe de No Scrubs, do TLC? Já jogou Space Channel 5? Já viu o computador transparente da Apple? Tudo isso surgiu no período Y2K. 

Hoje, no pop asiático, não consigo lembrar de ninguém além do aespa e da Kalen Anzai no começo da carreira que tenha feito algo do tipo, mas no começo do milênio era bem comum por lá e aí pencas de lançamentos icônicos surgiram. Separei dez músicas, em ordem de lançamento, que são a cara e o som do Y2K, pra quem gosta da estética e pra quem não conhecia (ou confundia com outras coisas dos anos 2000, acontece) se sentir agraciado. 

Diva – Why (Do You Call Me) (1998)

Talvez o melhor exemplo do Y2K nas mãos do Diva seja o álbum Millenium, que tem uma estética maravilhosa e uma tracklist muito boa (recomendo Link, Love Like a Coin e Tonight), mas é quase um crime o que fizeram com o MV do single desse álbum. Então eu escolhi Why (Do You Call Me), que junta a estranheza de um clipe todo futurista com um instrumental meio reggae, bem comum nos grupos mais “alternativos” da primeira geração do kpop.

MAX – Ride on time (1998)

As vovós do MAX sempre souberam entregar bops de qualidade, e com Ride on time, um latin-pop bem inserido na época (era moda na Ásia, principalmente no Japão) não é diferente. A alegria dessa música expressa bem o sentimento otimista da era Y2K, é quase como um eterno ano novo rodeado de fogos e desejos de que o novo milênio seja repleto de paz entre os povos modernos.

Baby VOX – Yayaya (1998)

Yayaya é seu típico hip-hop de menininha lá dos primórdios do kpop, tentativa desesperada de hitar o Baby VOX com uma imagem mais inocente e esconder o fato de que tinha uma senhora fingindo ter 18 anos no grupo. Eu amo que elas se materializam no começo do MV tal qual os Power Rangers quando eram chamados pelo Zordon na base de comando. 

SES – Dreams Come True (1998)

Brega, mas adorável. Eu amo Dreams Come True com todas as forças, talvez seja minha favorita do SES, mesmo sendo uma versão traduzida pra coreano de Like a fool, do Nylon Beat. A Bada foi genial nessa (sim, ela foi a responsável pela letra com apenas 18 aninhos) e conseguiu transformar uma música simples sobre amor num produto audiovisual completamente etéreo. 

Tashannie – Can’t Stand (1999)

A estética todinha das queridas do Tashannie é Y2K, pena que elas não sobreviveram pra mais um álbum porque eu acho que teria sido um estouro. É muito difícil achar informações sobre elas na internet, mas com Can’t Stand já dá pra entender que a dupla queria se afastar dessa imagem pura dos girlgroups da época, flertando com a força e poder de grupos como Destiny’s Child e TLC.

Lee Junghyun – Wa (1999)

Quando eu penso em Y2K no kpop, é ela quem aparece na minha mente. Lee Junghyun é conhecida como a rainha do techno e a forma como ela abraçou toda essa estética futurista em Wa é o que me fascina e, ao mesmo tempo, sinto falta no pop asiático hoje em dia. Não sei se algum dia um ato vai ser tão grandão quanto a Junghyun foi aqui, mas que eu gostaria de ver o atual Y2K se aproximando disso… 

Dream – My Will (2000)

Bem antes da Dream Ami e de todo o caos que foi a carreira do Dream, o nome do grupo era todo em letra minúscula e as três integrantes originais venderam quase um milhão de cópias até 2002. My Will, primeira ending de Inuyasha, permanece sendo o single mais bem sucedido delas e traz essa sensação melancólica de menininhas perdidas num ambiente futurista inóspito. 

Morning Musume – Ren’ai Revolution 21 (2000)

Eu poderia ter trazido LOVE Machine, mas dessa primeira fase do Morning Musume eu acho Ren’ai Revolution 21 bem mais impactante. Elas eram muito boas principalmente em seguir as trends do momento porque, nessa época, elas eram it girls, e Ren’ai Revolution 21 mostra isso. Não existe uma super produção por trás; chegaram com uma arara de roupas de couro e um cenário improvisado e disseram “façam história”. 

Utada Hikaru – Can You Keep A Secret? (2001)

E quem disse que Utada Hikaru não entraria nessa lista sendo que foi a minha principal inspiração pro trabalho da faculdade? Bom, posso não ter colocado nada do álbum que eu falei lá, mas mesmo antes do Exodus, Utada permanecia de orelha em pé com o que estava rolando por aí. Can You Keep A Secret? poderia ser facilmente das Destiny’s Child, até porque, quase na mesma época, elas tinham lançado essa daqui.

Crystal Kay – Girl’s Night (2001)

Tem um comentário nesse vídeo que diz “se ela tivesse gravado essa em inglês e lançado nos EUA teria sido um hit” e eu não posso concordar mais. Normalmente quando falam de Crystal Kay só lembram de Kirakuni, o que é uma pena, porque Girl’s Night é uma preciosidade do R&B japonês e, juntando com elementos futuristas da estética, tá bem claro que ela queria fazer um Scream de baixo orçamento no jpop.

Escolhi músicas que eu conheço e consigo falar sobre, mas tem muito mais disso no pop asiático, que bebeu da fonte do Y2K incessantemente até o fim. Só que você deve estar se perguntando o que a mona do tweet lá do começo do post queria ter dito. Simples: a estética de Wanna, assim como grande parte das coisas que surgiram nessa mesma época e que hoje o kpop trouxe em forma de revival, faz parte de outro movimento estético, o McBling, que surgiu como sucessor do Y2K. Uma coisa mais girlie, Meninas Malvadas, Motorola RAZR V3 e cachecol felpudo mesmo, mas que frequentemente é confundido com o Y2K pela galera mais novinha da internet. Mas não foi esse o único herdeiro que o Y2K deixou, por isso eu fiz um…

BÔNUS: Perfume – Polyrhythm (2007)

Coloquei essa do Perfume como bônus não por ter sido lançada alguns anos depois do fim do Y2K; aliás, o MV de Polyrhythm traz uns elementos bem interessantes que cruzam muito bem com o movimento, mas por mostrar algumas coisas relacionadas ao humanismo e a natureza, fica claro que ele pertence muito mais ao período do Frutiger Aero, que foi outra vertente surgida após o declínio do Y2K. Eu falo disso no meu trabalho que eu linkei lá em cima também. 

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