Kpop, News

Killing Me é uma ótima releitura da Chungha pra dizer que piranha também ama, sofre e chora

Confesso que eu tava sentindo muita falta de ver a Chungha no cenário coreano, principalmente dando tudo o que as gays querem. Depois do trambolho que foi o Querencia, o elefante branco de 21 faixas que foi ignorado por toda a crítica especializada nessas premiações de fim/começo de ano, a gata simplesmente evaporou do mapa, lançando algumas colaborações por aí pra juntar uma graninha. 

Agora, ela marca seu retorno e o começo de uma possível nova era com Killing Me, single comemorativo de alguma coisa que eu não encontrei (não é aniversário dela e nem de debut, suspeito que seja aniversário do fandom, mas pode não ser nada também). O teaser soou meio intimista, mas não prometia absolutamente nada, e eu também já estava descrente que ela entregaria um bop a essa altura do campeonato (e com a empresa vendendo a janta pra pagar o almoço). 

Pois vamos dar uma olhada no MV antes de comentar sobre.

Killing Me tinha tudo pra ser uma chatice, mas ela acaba servindo muita energia de chorar feio às quatro da manhã na calçada de uma boate duvidosa de qualquer canto do centro de São Paulo, como o T-ARA costumava fazer no pós-escândalo com Number Nine, por exemplo. E é uma surpresa muito boa ver a música desembocar num EDM caótico com cheiro de fumaça de festa que nem esse, com essa vibe meio Skins nos seus momentos mais podres da adolescência britânica. 

Existe uma mensagem sobre vulnerabilidade aqui, utilizando as matrioskas como material gráfico pra dar mais vida à coisa toda. As bonequinhas russas não possuem esse significado originalmente, mas remetem à ideia de descobrir camadas de nós mesmos, e como nós usamos uma casca externa sempre muito bonita e bem cuidada pra esconder um interior machucado, como a bonequinha menor que tem vários arranhões. 

Pela letra, Killing Me fala a respeito de um término e sobre como lidar com ele. As próprias matrioskas acabam representando cada fase de um coração partido, como a incerteza de tanta dor, a falsa felicidade em se divertir, a humilhação de desabar em todos os lugares e a apatia diante de todos esses sentimentos. Até que a menor de todas as bonecas é esmagada pelos seus próprios pés e, dentro dela mesma, ainda consegue acender uma nova vela, mesmo carregando a amargura de quem quer se vingar. É sobre transformar a dor numa rave eletrônica.

A Chungha segue sendo uma figura muito legal de se acompanhar no vasto nicho de solistas, e no kpop em geral. O Querencia foi basicamente um livro aberto que contou um resumo de seus 25 anos e, como eu comentei na review do álbum, um lugar de força para o qual ela sempre quer voltar. Killing Me carrega um pouco dessa intimidade, ainda que de forma mais simples, mas muito funcional para o tipo de público que ela quer atingir, principalmente depois de parcerias inusitadas com a intenção de furar a bolha ocidental. Se qualquer diva pop soltasse uma dessa hoje, seria aclamada; nada mais justo do que dar a Chungha os créditos por fazer um batidão sofrido com o qual todos nós nos identificamos em algum momento da vida.

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