Depois de anos atuando como o saco de pancadas do kpop, ITZY finalmente se empodera na fodástica Girls Will Be Girls

Vocês perceberam que o blog acumulou poeira nos últimos dias porque simplesmente esse país de merda se recusa a lançar uma música. E quando eu digo música, ela nem precisa ser boa. Pode ser um grupo de gatinhas se sujeitando a ser o próximo blackpink in your area. Pode ser algo que tenha estrutura de música, que se pareça como uma música – caralho, é pedir muito? Mas a indústria sul-coreana insiste em vender pacotes e pacotes de nada, basicamente vento estocado numa embalagem bonita, transformando o ano de 2025 no *PIOR* de toda a história do kpop. Quer dizer, hoje é dia nove de junho. Somente HOJE eu atingi 50 músicas na playlist do blog. 

Pois bem, as cinco unhas encravadas do pezão do JYP agendaram um comeback esses dias aí, notícia que não me empolgou muito assim como a esmagadora maioria das coisas que andam rolando na versão da Coreia que todos odiamos, mas quando elas surgiram todas loiras em cenários duvidosos, uma faísca se acendeu dentro de mim. Pequena, um estalinho de festa junina, só um pá! e ainda daqueles que não estouram direito porque o papel em volta tava meio aberto, sabe? Mas, em 2025, onde a Hybe me aparece com essa bosta achando que fez um grande serviço pro mundo, só isso já é sensacional. 

Confesso que esqueci a foto depois de algumas horas e fui ouvir a música no susto porque o YouTube me recomendou. E não me arrependo de nada.

Vamos voltar para 2019, ano em que o ITZY fez sua estreia como as sucessoras (?) do TWICE, que já engatavam no conceito mais maduro de Fancy, com Sana na taça gigante de champanhe em uma linda homenagem (?) ao E-girls. A JYPE precisava de uma nova imagem jovial, adolescentes que vendessem, ahm, a adolescência, mas de uma maneira diferente da que as suas sunbaes faziam até então. E aí, seguindo essa essência de omg I’m so crazyyyy, o ITZY surgiu com Dalla Dalla, um debut apreciado por mim na época. Era legal, fresh, não muito diferente, mas acertando os pontos cruciais que um teen crush que prestasse deveria ter. Coisa que o Weki Meki, outro expoente do gênero, não conseguiu fazer de primeira, por exemplo. 

E elas seguiram no caminho certo. Icy segue sendo uma das minhas preferidas do ITZY até hoje: é tão divertida, dinâmica, tem aquele fator bouncy como se a música pingasse de um lado para o outro nos nossos ouvidos. Uma das frases do pré-refrão define a ideia que os produtores queriam passar: gelada mas estou pegando fogo. Icy faz isso muito bem quando brinca pelo instrumental inteiro, é pungente e distante ao mesmo tempo, é estranho, é jovem. Wannabe deu uma escalada mais pra frente, se tornando um sucesso nos primeiros dias da pandemia e, mesmo enjoando rápido, eu considero um dos pontos altos da discografia delas. Not Shy foi uma tortura no começo, mas se tornou um sleepy hit aqui em casa. O toque faroeste deixa tudo tão saboroso, parece um grupo de estudantes de teatro fazendo uma releitura de Três Homens em Conflito nos estúdios da Fazenda. 

Daí elas, de repente, morreram. Um single mais inacreditável que o outro. Piadas sobre darem prejuízo pra empresa se espalharam. É normal errar, claro, ninguém consegue lançar coisas boas sempre, mas todo dia também já é putaria. Você ainda escuta MA.FI.A in the Morning? Você, por acaso, tem Sneakers como uma das suas músicas favoritas do século? 

Claro que não, seria mentira. E você não mentiria pra mim. 

Confesso que, em quase todas as vezes que eu detonei o ITZY aqui no blog, eu senti pena. Porque com um início de carreira tão estelar quanto o que elas tiveram, era um destino tão triste e inevitável. Foi como assistir um cachorrinho ser chutado; mesmo quando o grupo voltou à boa forma em alguns momentos nos últimos anos, com as ótimas Cheshire e Untouchable, não parecia o suficiente. Elas tinham perdido credibilidade por conta das escolhas patéticas que foram tomadas. Não que um grupo de kpop precise ser sério pra ser apreciado, mas eu duvido muito que o quinteto se sentisse bem em performar um refrão ridículo que repete a palavra bolo quase 80 vezes. Faz você pensar em todos os anos que treinou num porão, sem comer direito, dormindo num chiqueiro sem janela com outras garotas. Ser idol é uma profissão, sabiam? Imagina seu chefe te trancando no escritório por anos até você finalmente atingir a meta do mês. Pois é.

Enfim, mucho texto para dizer que: sim, eu gosto do ITZY, mesmo que não pareça. E não só gosto, como torci muito pra que elas esbarrassem em alguém disposto a fazer com que elas soassem novamente como tudo aquilo que foi prometido no debut, ainda que algumas mudanças precisassem ser feitas. Crescer o grupo, por exemplo. Seis anos de estrada, às vezes é bom não apertar mais o botão do palhaço e deixar as águas rolarem no seu curso natural. Precisou o belíssimo Ryan S. Jhun pegar na mãozinha daquele senhor (sweet dreams are made of this…) e dizer: chega, meu velho. E é muito difícil uma música produzida pelo Ryan S. Jhun errar; a prova é Girls Will Be Girls, o grande comeback do ITZY não só pra esse ano, mas, principalmente, pra própria carreira. 

Poderiam ter dado de ombros e seguido para o easy listening da atualidade, ser só mais uma na multidão de manufaturados de Tiktok da Hybe, mas Girls Will Be Girls é muito mais que isso e eu estou simplesmente fascinada com a construção caótica que ele propôs aqui. Primeiro de tudo: tem impacto. E é, tipo, o impacto de um milhão de bucetas batendo no chão ao mesmo tempo, a minha, a sua, a do ITZY, a do Ryan, todas juntas em uníssono. A faixa cresce na urgência. É apocalíptica, sombria, desesperada. E desperta curiosidade, óbvio. Como produto musical, não importa o gênero, é importante que cause algo dentro da gente, senão não tem sentido. É isso que esses produtores atuais não sacam. Por que as pessoas vão prestar atenção naquilo que elas não sentem? Então você não gosta de música, você só gosta de apertar botões. Isso até um macaco faz.

As referências de Girls Will Be Girls, no entanto, são o que elevam a coisa toda pra mim. Visualmente é Mad Max, é Clube da Luta, é Pássaros, é a velha metáfora sobre ser idol e ter cada passo da sua vida monitorado pelas lentes das câmeras e pelos sites de fofoca. As criaturas bizarras de um olho só que elas incessantemente caçam por um mundo destruído e, no final, percebem que não existe escapatória porque sempre existe alguém ao seu alcance pronto pra dizer as piores coisas sobre você. Musicalmente, é o Noitada da Pabllo Vittar feito dentro dos moldes recatados do público que de fato consome kpop. Girls Will Be Girls é estruturalmente uma MÚSICA, com verso, refrão e break, com elementos do funk brasileiro aplicados de forma interessante, que, de fato, acrescente algo. O kpop continuará sendo o kpop, escorregando nos barrancos da insignificância, mas enquanto garotas forem garotas, talvez estejamos a salvo. 


Bluesky
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7 comentários sobre “Depois de anos atuando como o saco de pancadas do kpop, ITZY finalmente se empodera na fodástica Girls Will Be Girls

  1. Os lançamentos do itzy nos últimos anos são ruins? Sim. Mas a fanbase já engoliu lançamentos bem piores que uma MAFIA in the morning da vida, então não esperava que fossem soltar a mão delas de vez desse jeito, principalmente porque elas eram praticamente O principal girlgroup da nova geração (inclusive, saudades do início da carreira delas e do kpop da década passada como um todo até meados de 2020…Que dor). Claro que foi uma soma de vários fatores (músicas ruins, surgimento e sucesso de novos girlgroups, etc) mas mesmo assim…

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  2. Quero muito o que você e o dougie estão tomando até ficar assim pra pensar que isso é um dos melhores lançamentos do ano, ou 2025 realmente está uma chatice.

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  3. Tanto essa quanto o mini estão bem legais, e fiquei passada que largaram de mão, porque eu não vi quase ninguém compartilhando ou comentando sobre esse lançamento. Que triste.

    PS. In The morning foi uma bomba, porque não sei, pode ser impressão minha mas senti que o fandom se dividiu por conta de preferirem coisas do começo da carreira uma Wannabe e Icy. Daí não conseguiram mais e tentaram reciclar de maneira pavorosa com a música do tênis e Cake.

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