Kpop, News

Talk That Talk do TWICE é a prova exata de que uma imagem fala mais que mil palavras

Depois de uma renovação de contrato em massa e o sucesso inesperado do debut solo da Nayeon, o TWICE está de volta na Coreia do Sul. Acho que nessa “segunda fase”, o grupo não deve ser tão explorado, principalmente como no ano passado, onde foram em torno de SEIS comebacks num espaço minúsculo de tempo. A JYPE deve explorar mais as habilidades individuais das meninas, seja dando uma música, atuando, modelando, o que for. Apesar de questionável, a estratégia que surgiu do trauma em não fazer do TWICE um novo miss A deu extremamente certo nesses últimos sete anos. 

Mais de um mês após assinarem o contrato de renovação, o TWICE retorna com Talk That Talk, comeback esse que praticamente divide a linha do tempo do grupo em duas, por mais sutil que pareça. Os teasers estavam muito bons com aquela estética futurista Y2K (a abordagem correta do Y2K, por incrível que pareça) e parecia até que elas iam seguir numa linha meio clubber, o que eu acho que nunca tinha sido explorado no kpop até então. Ou seja: TWICE renovou e despirocou geral. E eu tava amando.

Mas será que Talk That Talk cumpriu as expectativas dessa senhora aqui que vos fala?

Como alguém que foi re-atraída pro kpop por conta da produção visual dos MVs, eu consigo dizer facilmente que Talk That Talk é um dos vídeos mais bonitos que eu já assisti nos últimos tempos. Ver tantos cenários acaba por encher os olhos. É tudo puramente estético porque, bom, a gente acaba aprendendo que o kpop é mais visual do que qualquer outra coisa; o resto vem como consequência (boa ou ruim). O que diferencia Talk That Talk de outros clipes que eu vi, pelo menos, esse ano é a forma como ele brinca com a edição, distorcendo a realidade de um jeito tão divertido que dá vontade de ver e rever até cansar. Uma ótima adição à videografia do grupo, que honra com louvor todas as referências do futurismo exagerado do Y2K que usou. 

Porém, Talk That Talk perde muito desse apelo quando enxergamos só a música. Nada contra, até gosto de como ela progride principalmente no refrão, que faz uma curva suave enquanto muda de tom sem você perceber. Dá pra entender que esse comeback se segura bastante na estética material e não tem nada de errado com isso porque eu não espero uma revolução vinda justamente nas mãos do TWICE (embora meu lado fã grite isso sempre que elas lançam algo), mas como faixa acaba sendo só mais uma daquelas amostras simpáticas pra ouvir de forma descompromissada. 

O engraçado é que, ainda assim, eu gosto. É relaxante, é chique e, principalmente, é elegante, adjetivos que o TWICE conquistou com suor ao longo dos anos. Elas pegaram a synthwave e refinaram até se tornar uma marca, não ao ponto de se tornar cansativa, mas se dando ao luxo de não acertar 100% em todas as vezes. É uma zona cinzenta onde moram aquelas músicas que não são lembradas exatamente como hinos imaculados, mas que ainda cumprem a função de se ouvir uma faixa por vontade própria, sem forçar a barra como costuma acontecer com esses grupos mais novos. O que importa no final das contas é que a synthwave encaixou no TWICE como uma luva, e o TWICE virou referência quando falamos de synthwave no kpop. Isso sim é o que a gente chama de assinatura musical. 

Não vejo Talk That Talk como uma queda do grupo, como aconteceu com Scientist (que é uma música fora daquela zona cinzenta por ser simplesmente intankável). Aliás, não vejo o TWICE caindo em queda livre como muita gente por aí “prevê”; elas estão mais pra um voo de asa delta que, aos poucos, vai alcançando o chão de acordo com as leis da cinética, sem influência externa. A curva vai lentamente entrando em declínio, mas até chegarmos a zero de novo vai levar um bom tempo. O TWICE ainda é muito influente quando falamos de kpop, um dos atos vivos da moribunda terceira geração que consegue se manter relevante em vendas e popularidade mesmo com números mais 50/50 como Talk That Talk. Elas abraçaram a maturidade, uma coisa bem difícil de ser aceita pelos idols e por quem acompanha, e sabem que nem sempre a música agrada o povão. É pra isso que MVs existem no kpop e, nossa, ainda bem que eles existem.

Escute também: Trouble

Impressionante o TWICE ter ONZE EPS na conta ao longo desses sete anos, não sei se eu conheço outro grupo com tantos minis assim. Ao mesmo tempo, me bate uma frustração de saber que esse lançamento pós-renovação conjunta seja tão… Fraco. Sei lá, não soa como o TWICE em praticamente nenhum momento da carreira, seja o período bubblegum pop ou o pop maduro mais recente. A tracklist não tem nenhum hit em potencial, algo marcante ou até superior o suficiente pra ser lembrado em conjunto com a title. Acho uma pena porque era o momento exato do Between 1&2 (lido como Between ONCE & TWICE) embarcar nessa nova era e ser ainda mais ousado nas produções. Trouble é a única que faz questão de insistir nessa sonoridade retrô. Ela tem essa melancolia estranha assim como Feel Special, mas com muito mais pulso. Uma ótima canetada da Jihyo.

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