Passando a régua nas coisas que saíram enquanto o AYO GG esteve morto (edição 2025)

Edit do futuro: eu ACABEI de descobrir que Luciférine, da Ichiko Aoba, é do ano passado e estou devastada.

Semana passada, na empolgação com o excelente EP do NMIXX e sem acompanhar praticamente nada do pop asiático desde o meu hiato, eu pedi uma ajudinha de dois grandes colaboradores da blogosfera fundo de quintal brasileira pra que eles pudessem me inteirar de todas as novidades que haviam rolado desde janeiro. O Lunei me passou a playlist dele pra dar uma conferida e o Dougie disse pra eu basicamente seguir a playlist do Lunei, o que é interessante porque os dois sempre têm algumas recomendações um pouco fora da curva (um mais pra anisongs e roquezinhos japoneses, outro pra divas suburbanas dos buracos mais estranhos da Ásia, e a gente se encontra somewhere in the middle), mas a sensação que eles me passaram foi de que não tinha nada de muito impressionante rolando.

Olhando pras agendas de lançamentos, entendi que era realmente isso: o pop asiático, principalmente o kpop, só deu uma engrenada de verdade agora em março, tanto no sentido de ótimas músicas saindo em sequência, quanto de pessoas se propondo a lançar algo mesmo. Pelo jeito, o universo conspirou da maneira mais engraçada e impressionante pra que eu voltasse com o AYO GG no momento certo sem precisar me sentir culpada por anunciar o retorno e ficar dias sem postar ou ter que tirar pauta do meu rabo. 

Enfim, com a ajuda dos meus queridos amigos e outras recomendações que fui pegando pelo caminho durante o fim de semana, inauguro oficialmente a playlist AYO GG 2025, que você pode conferir na sidebar do blog e seguir lá no Spotify pra ficar sempre por dentro do que eu ando ouvindo. E, obviamente, vou aproveitar o lançamento pra tecer alguns comentários curtos sobre todas as 27 músicas que eu selecionei até o momento (tirando NMIXX e STAYC, que já tiveram seu post próprio), em ordem cronológica. Observações: 1) o não-debut do tal do KiiiKiii ainda não entra aqui porque saiu ontem e talvez eu escreva sobre; 2) se a sua fave não está aqui agora, então ela não estará mais pra frente, por favor não insista. 

Ah, pode ser que, em algum momento desse ano, eu termine o top 100 de 2024, mas vou postar ele de uma forma diferente da convencional.

1. babyMINT – (ノ◕ヮ◕)ノ*:・゚✧ ▄︻┻┳━ ·.`.`.`.: Essa porcaria de grupo com essa porcaria de música continua sendo uma das coisas mais legais de se acompanhar no pop asiático. Ela só engrena de verdade lá pelo final, mas dá o tom fritadíssimo pro ótimo EP que saiu no finalzinho do ano passado. 

2. babyMINT – \ LUCY!!!!!! /: Já essa daqui segue os mesmos moldes do monstro hellokittybalahcurry que elas lançaram dois anos atrás, de ser uma bagunça massiva de sons eletrônicos que, surpreendentemente, se conversam muito bem. Tem d&b, tem bubblegum bass, tem EDM, tem um gutural (?), é maravilhoso. 

3. GFRIEND – Season of Memories: Lembrarem que o GFRIEND existe pra um comeback especial de 10 anos foi a primeira coçadinha que eu senti pra voltar com o blog. Realmente, não tem nada a ver com tudo que o grupo já fez, mas é uma graça. Elas combinam tanto, tinha tanta coisa que elas ainda poderiam fazer… 

4. Ako – Twilight: Uma das músicas chupinhadas da playlist do Lunei, que não faço ideia se vem de algum anime, mas se positivo, às vezes eu sou surpreendida por esses números mais atmosféricos em trilhas sonoras japonesas. Se não for, tudo bem também. A música é uma delícia e a interpretação desinteressada também. 

5. Minnie – Drive U Crazy (feat. Yuqi): Como eu li no post do Dougie, pra quem não entrega metade do que promete, acho que tem integrantes demais do (G)I-DLE debutando solo. Nessa leva, o debut da Minnie nem é tão ruim assim, mas talvez não precisasse. Essa daqui, que é de muito longe  a melhor, se encaixaria fácil num full do grupo. 

6. Jennie – Love Hangover (feat. Dominic Fike): Caras, como a Jennie me surpreendeu com esse álbum dela, hein. É o melhor material que não só uma integrante do Blackpink lançou, como é o melhor material do Blackpink inteiro. A produção laid-back interpretada com humor pela Jennie aqui deixou a música em outro patamar. 

7. IVE – Attitude: Confissão! Não gostei de nada que o IVE lançou ano passado. Não, nem aquela Accendio. Talvez eu tenha perdido a euforia do momento ou coisa assim que vocês provavelmente sentiram, mas assumi que as músicas não foram feitas pra mim e tudo bem. Daí botei Atittude pra tocar e quando eu reconheci a interpolação de Tom’s Diner, bam! Minha calcinha caiu com tudo. 

8. Perfume – Human Factory -Denzo Ningen-: Fiquei um pouco surpresa com o pessoal torcendo a cara pra essa nova do Perfume. Elas tão numa pegada synthpop desde o lançamento do Nebula Romance, que também foi recebido de forma morna, mas na real é uma maravilha e o novo single indica que felizmente vamos seguir nessa pegada. 

9. Chungha – Stress: Já é uma das minhas favoritas do ano. A Chungha, quando acorda determinada, ama servir esses números de pista que lavam a nossa alma, e aqui não é diferente. É como se todos os gays, lésbicas, trans, mulheres viado e a comunidade num geral se unissem num grande megazord pra derrotar a caretice do mundo com os passos de voguing mais incríveis. Imagina um robozão servindo vogue? 

10. Olivia Marsh – Backseat: Enquanto o NewJeans/NJZ é um grupo de Schrodinger, a irmã da Danielle se lançou como artista e, meu Deus, ainda bem que ela fez isso. Não sei que droga ela botou nessa música. Quando o segundo refrão parece que vem emergindo do fundo de uma piscina, explodindo no sintetizador, eu senti meu coração pular uma batida. Outra gigante candidata pra melhor música do ano. 

11. Jisoo – earthquake: Diferente da Jennie, a Jisoo não lançou um grande mousse. Mas earthquake já é melhor do que todas as águas de salsicha da Rosé e o cafoníssimo álbum da Lisa, então yay! Por ela ter saído um pouco do óbvio do que se esperava com esse pancadão mais dramático já é digna de receber os louros do trabalho duro. 

12. KIRARA – Ruined Amusement Park: Então, eu tenho estado mais e mais habituada a usar um site chamado Rate Your Music e foi lá que eu conheci a KIRARA, que é uma DJ trans da cena alternativa coreana. Esse ano ela lançou um álbum bem Sophie das ideias e essa música aqui é exatamente o que o nome diz; é como se todos os brinquedos de um parque de diversões abandonado ganhassem vida ao mesmo tempo. 

13. KIRARA – FP: O álbum todo é bem legal de conferir, mas na última faixa ela serviu essa belezura que é uma mistura de todas as trilhas sonoras de Top Gear e Initial D numa pegada maximalista, se retorcendo progressivamente numa parede de sons até ficarem irreconhecíveis. A quebra repentina ali pelo meio da música é uma pausa pra você respirar e tomar uma água pro segundo ato. 

14. Ichiko Aoba – Coloratura: Tem essa cantora, Ichiko Aoba, que o pessoal do RYM ama e idolatra como uma deusa. Ela compõe músicas muito inspiradas pelos próprios sonhos, e cada álbum tem uma atmosfera própria. Nesse aqui, que foi o primeiro do ano que eu ouvi, existe uma conexão fantasiosa entre os seres celestes, como se eles tivessem guiando a Ichiko de volta para o planeta que ela veio. 

15. f5ve – Magic Clock: Um spoiler pra caso eu realmente sinta no meu coração e organize as faixas mais legais do ano passado, o f5ve soltou, pra mim, uma top 5 contender em 2024. Enquanto isso, posso dizer que Magic Clock não é a melhor delas, mas é tão divertida que só me faz sentir alívio em ver que a LDH resolveu reformular a tragédia que foi o SG5. 

16. Jennie – with the IE (way up): Aqui ela foi a negona do Bronx que cuida de nós. Eu amo que ela serviu sonoridades menos óbvias dos anos 2000 e transformou em algo autêntico, quase um recorte da época, algo que o kpop mesmo peca muito em fazer. E, tipo assim, o mesmo sample de Jenny From the Block com ela dizendo que se chama Jennie com ie… Megamente. 

17. Yeji – Air: A Yeji ser o próximo debut solo da JYPE já era algo esperado, até porque, dentre as meninas do ITZY, ela é a preferida do velho. Mas com isso aqui? Uma demo cirurgicamente retirada do Reboot das Wonder Girls e transplantada com tamanha perfeição dez anos depois? E acabando em fade out como se fosse o Human League em 1985? Porra.

18. Yeji – 258: É bem comum que todo artista desse meio cante uma música meio que agradecendo os fãs por todo o carinho e suporte porque, bom, eles são idols no final do dia e esse tipo de fanservice precisa existir. O negócio é que essas faixas são sempre um cocô. Mas não com a Yeji, que agarrou a oportunidade pra servir outro synth-drama. 

19. Seulgi – Baby Not Baby: Outro spoiler, esse especificamente pra Senhora Taeyeon. Eu gostei de tudo que o Red Velvet lançou ano passado (sim, como grupo, como Irene e até como Wendy, tá tudo no balaio). Não foi diferente com a Seulgi. A interpolação de Baby One More Time nesse instrumental pesado deixou tudo ainda mais bucetudo. 

20. Seulgi – Better Dayz: Na sequência, já temos um flerte com o primeiro EP da própria Seulgi, seguindo nessa linha soturna que combina tanto com ela, mas aqui tem alguns elementos rockish que elevam a experiência pra melhor. Tudo na Seulgi como solista me agrada demais. A capa servindo Tiazinha realness não ajuda muito, mas, ahm, é camp eu acho? 

21. The Deep – Make Up: Não sei muito bem o porquê, mas demorei pra me acostumar com a afilhada do Dougie. Todos os lançamentos dela têm uma identidade muito forte de boate e, só isso, seria o suficiente pra me conquistar, mas por algum motivo oculto nada do que eu ouvi teve uma vida longa comigo. Dito isso, gostei de Make Up. Espero que a nossa relação seja diferente. 

22. LE SSERAFIM – Come Over: Acho muito engraçado o achincalhamento que esse grupo tem sofrido nos últimos tempos, por inúmeras razões. Elas lançam uma porcaria, depois lançam uma das melhores do ano passado, depois lançam outra porcaria e ficam nesse sobe (muito alto) e desce (pra casa do caralho). Eu gostei dessa daqui, me lembrou a Nancy Sinatra e outras go-go girls dos anos 60. 

23. NMIXX – High Horse: Agora temos uma onipresença do NMIXX, que lançou aí o melhor EP do kpop até o momento. Começando por High Horse, que tem alguns elementos de trip hop na produção e acaba trazendo esse gênero pra gerações mais novas que talvez não saibam direito do que se trata. 

24. NMIXX – Slingshot: Essa é um caso muito curioso. Existe aquela premissa do mixxpop que rege o grupo todo, mas acho que é em Slingshot que ela não só se faz mais presente, como também é elevada ao máximo. Ela brinca com várias sonoridades, rebobinando de uma a outra como uma fita cassete que foi muito usada e vai se distorcendo cada vez mais. 

25. NMIXX – Papillon: Já essa daqui abraça todos os gêneros com os quais o EP conversa. Essencialmente um R&B, por momentos ela passa pelo EDM, pelo trap, pelo hip hop tradicional e brinca com tudo isso como se não fosse nada. É até assustador comparar uma faixa assim com o começo desastroso do grupo, mas acho que os produtores acertaram a mão finalmente. Minha preferida do EP.

26. Lexie Liu – Pop Girl: É meio frustrante acompanhar a Lexie porque ela lança algo e você nunca sabe quando ela vai voltar de novo, um comeback meio roleta russa. Mas ela voltou e voltou com uma música pra garotas e gays, que são basicamente o público que ela conquistou. Se eu for analisar a fundo mesmo, vou dizer que achei a música um pouco inacabada, mas, ei! Ela voltou! 

27. Yurina Hirate – Eeny Meeny Miny Moe: Não sabia que algumas pessoas não sabiam que a Techi tinha assinado com a Hybe e que caiu fora depois de dois anos porque só lançaram uma conta no Weverse pra ela e mais nada. Agora vocês sabem. Que o Bang PD e a Hybe queimem no inferno. Ela deve ter exorcizado todo tipo de energia ruim daquela empresa nessa música aqui. 

Bluesky | Twitter

3 comentários sobre “Passando a régua nas coisas que saíram enquanto o AYO GG esteve morto (edição 2025)

  1. Eu ainda nem ouvi o álbum da seulgi, até gostei um pouco de Baby, not Baby mas eu achei tão nada a ver com ela, mas realmente Rafa 2024 foi ótimo para as bruxas lésbicas e bissexual, adorei o solo da Irene.

    Dougie e o Lunei vão arrastar essa chatice da Jisoo até as listas de fim de ano, juram que essa porcaria dela foi uma delícia.

    Lesserafim patéticas, não vejo a hora da source music debutar logo esse grupo e chutar essas ridículas para o porão até completar 7 anos e elas darem um disband delicioso.

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    1. tu tá de recalque com a js pq ela com 4 músicas amassou o álbum lixo da lisa kkkkk jensoo rainhas, só precisam tomar umas vitaminas pra ter mais resistência na dança

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