Red Velvet erra o ponto do bolo em Birthday e causa uma tremenda dor de barriga nos convidados

Enquanto eu tava presa contra a minha vontade no meu “retiro espiritual” pagando contas, sofrendo de ansiedade e sendo uma adulta no geral, o Red Velvet resolveu anunciar comeback. O que é curioso, já que esses retornos do grupo no final do ano não rendem coisa boa desde a polêmica da Irene com a estilista + Wendy se esborrachando no palco do Gaon Daejeon no negligência da equipe do programa na época de Psycho, mas as queridas insistiram pra trazer os bons tempos de Perfect Velvet de volta.

Ignorando a própria promessa, a SM trouxe mais um capítulo pra saga ReVe Festival, dessa vez comemorando o aniversário de alguém que eu não faço ideia (o Red Velvet mesmo completou oito anos de existência em agosto) com Birthday. Longe de mim reclamar; apesar de não ter acompanhado quase nada da programação de teasers, Feel My Rhythm já tinha deixado um saldo positivo em mim (sim, chorem com a possibilidade de verem 90% desse EP na lista de fim de ano). 

Enfim, o forno apitou e o bolo tá pronto. Será que ficou bom?

A SM resolveu repetir seu próprio feito e colocou um sample de música clássica em um single do Red Velvet. Nada muito erudito quanto no comeback anterior, dessa vez temos elementos de Rhapsody in Blue, composição icônica do norte-americano George Gershwin que definiu a Era do Jazz nos anos 20, bem como a imagem de Nova Iorque como reduto do gênero. Basta escutar os primeiros segundos de uma clarineta chorosa e associar com as imagens de uma cidade art déco repleta de arranha-céus famosos como o Edifício Chrysler e o Empire State Building. 

Nada contra desconstruir uma composição clássica pra fazer caber na música moderna. Aliás, quando Feel My Rhythm foi lançada, eu defendi toda a ideia e a execução de forma incessante enquanto a maioria da blogosfera tava metendo o pau, porque eu realmente gosto de como a música soa. As transições entre a Ária na corda sol e o trap eletrônico podem não agradar todo mundo, mas elas são muito bem pensadas, como se cada estilo lutasse pelo seu espaço e, ao mesmo tempo, respeitasse um ao outro. E quando eles se encontram logo pro final fica tudo tão épico que me falta fôlego. 

Não é o que acontece em Birthday. Rhapsody in Blue foi desconstruída a tal ponto que é praticamente impossível de reconhecer, e eu acho que existe uma diferença enorme em aproveitar um sample sem fazer com que pareça óbvio demais e descaracterizar o que foi usado. De repente, o instrumental todo é um grande carro do sorvete parado na rua, um efeito insistente e irritante assim como na literalmente chata Ice Cream das pretorosa. O pré-refrão até dá uma sobrevida pra tudo, evocando uma bateria eletrônica maravilhosa que, mesmo que não fizesse sentido, poderia continuar de alguma forma no refrão, mas não é o que acontece.

Ouvindo Birthday, eu lembrei de um divo que comentou no Twitter que eu só falo mal do Red Velvet e isso meio que impedia ele de ler meu blog. Não é verdade, até porque Red Velvet foi um dos primeiros grupos que eu passei a acompanhar com afinco desde o começo e, só esse fato, me faz entender que a culpa não é delas nem em último caso. Russian Roulette moldou minha personalidade por meses, Dumb Dumb é uma palhaçada divertida do começo ao fim e que eu amo cantar pela casa, Peek a Boo foi a primeira coreografia de kpop que eu me prestei a aprender. E Feel My Rhythm é, de longe, o melhor comeback delas em anos. Mas algumas coisas não descem, e Birthday é uma delas. O que era pra ser uma comemoração (sei lá do que, é o Red Velvet e a gente só abraça), ficou com gosto de bolo cru e embatumado. Só não me parece muito aceitável errar a receita quando esse mesmo bolo já foi feito em outras ocasiões. 

Escute também: Bye Bye

Eu nem ia recomendar nada porque esse é o EP mais fraco da carreira do Red Velvet, uma marca triste pra um grupo que sempre serve em, pelo menos, uma faixa. E tudo fica ainda pior quando a gente lembra que Feel My Rhythm trouxe uma tracklist praticamente perfeita que ainda faz muito barulho na minha playlist, então não dá pra entender muito bem o que rolou. Resolvi destacar Bye Bye por conta de duas coisas. A primeira é que foi escrita e composta pela fodona da Kenzie, e já emendando com o fato dela ter tentado incorporar outro clássico de uma forma muito mais sutil. Ouvindo Bye Bye, a gente consegue perceber similaridades com Für Elise, de Beethoven, misturando-se ao instrumental R&B e o baixo absurdo. Mas é uma pena que essas duas coisas não criam uma disparidade grande com o restante da tracklist e nem somam muito no fim das contas.

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9 comentários

  1. Só pra atualizar, to lendo seu blog e concordo com a crítica. Como eu disse no dougie, desde queendom que elas permeiam essa zona do agradável, mas sem fazer nada demais por nossas vidas. E isso é uma pena, vindo do grupo mais inventivo da terceira geração…

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  2. Eu não acho que elas erraram, eu gostei muito dessa música por me lembrar de ICC, Dumb Dumb e até mesmo um pouco de RBB (hino incompreendido).
    Mas concordo muito com você sobre a sample, eu ouvi os 16 minutos, e esperava mais do uso dela, eu só reconheço o começo, diferente de FMR, que você sente a ária na música toda, é uma música muito boa, porém FMr usou Air on The g string com muita maestria, não tem como elas acertarem em tudo, no entanto birthday é gostosa de ouvir.

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  3. Destaque aqui pra sua análise, você quando não gosta de algo justifica sem ataques (pelo menos as que eu vi) diferente daquela gay do Pop Asiático, que simplesmente não gosta de red Velvet, e não sabe argumentar o porquê.

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