When I Move barbariza idosas e presta uma excelente homenagem à linda história do KARA 

Um fato interessante: esse ano serviu de palco para reuniões de grupos que já tinham sido dados como falecidos. O primeiro (e talvez o mais impactante pra maioria das pessoas) tenha sido o do SNSD, que depois de três baixas logo após as comemorações de 10 anos lá em 2017, conseguiu se organizar e entregar um álbum bem consistente pros padrões cafonas delas. Mas não podemos deixar de mencionar a importância da volta de outra quinceañera do kpop: o KARA.

O retorno do KARA pro pop asiático também pegou muita gente de surpresa, apesar de não ter sido rodeado de mitologia (e memes) como foi o das soshis. Um belo dia, elas se reuniram pra jantar na casa de alguém e falaram “a gente vai voltar pra comemorar nossos 15 anos” e voltaram mesmo, sem rodeios ou firulas. E é até curioso ver dois titãs do kpop, que já se “enfrentaram” no passado, lançando música de novo como se estivéssemos vivendo uma tarde de 2012. 

Vejamos se elas emocionaram nós idosas tanto quanto. 

É surreal estar fazendo um post em 2022 sobre um comeback do KARA. Não que o grupo tenha acabado em maus termos ou algo assim (bom, não exatamente), mas o que me surpreende é a forma como girlgroups mais antigos estão assumindo as rédeas dessas reuniões, independente de gravadora ou contrato. A rapidez e, principalmente, solidez com que o comeback de aniversário de 15 anos foi anunciado me deixou um impacto positivo. Mesmo se fosse uma balada xoxa, eu ainda acharia tudo muito fantástico por conta do protagonismo em fazer as negociações andarem conforme elas queriam.

Mas When I Move tá bem longe de ser água com açúcar. É como se todos os anos de KARA se juntassem em um só, resultando num synthpop maduro e coeso. Quer dizer, elas conseguiram emular a melodia característica do Sweetune (que assinou a produção de várias músicas do grupo), mas numa roupagem mais moderna e, principalmente, adulta. When I Move é puro bliss, nostálgico e melancólico, como uma reunião de amigas do ensino médio que só se veem uma vez ao ano. 

Além de tudo isso, não tem como não tocar num assunto que o próprio KARA fez questão de mencionar aqui, ainda que de forma subliminar: a presença da Hara. Luto é sempre um tópico sensível, ainda mais no meio artístico da Coreia do Sul, e é fato que a Hara é uma peça importante na história do grupo. Representar ela nas pequenas coisas, desde uma marcação no Instagram meses antes até colocar uma taça ou microfone a mais no MV é de uma delicadeza enorme, faz com que a Hara seja quase materialmente palpável e o KARA realmente pareça um sexteto. 

Mais que um fanservice, When I Move é música feita de corpo e alma. É um turbilhão de sentimentos jogados numa pista de dança e tá lá pra quem quiser se divertir. Em poucas palavras: é puro kpop, aos moldes de quem viveu a segunda geração, atualizado com louvor para os dias atuais e, acima de tudo, desbancando muita novinha nas listas de fim de ano da blogosfera. É sempre bom ver um grupo antigo revisitando e reconhecendo sua história, ao mesmo tempo em que adiciona ainda mais qualidade na própria discografia. Até porque, se o KARA quiser, isso aqui não precisa ser só um comeback de aniversário: tem muito mais páginas a serem preenchidas. 

Escute também: Shout It Out

Pras que amaram a title, mas ainda sentem falta de um punch ainda maior da segunda geração, temos aqui Shout It Out, que é de cabo a rabo tudo o que o KARA já fez nos seus anos de atividade. Ainda mais focada no som retrô que consolidou o grupo, Shout It Out é um soco de purpurina logo nos primeiros minutos, com o sintetizador frenético comandando a faixa toda. E o pós-refrão, então… A mudança de ritmo é apoteótica. Passou até um filme na minha cabeça enquanto eu ouvia, tamanha magia dessa música. O EP num geral não é nada extraordinário e imperdível, mas essa daqui é um daqueles números impossíveis de passar batido.

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