Em um reino comandado por duas megeras, não existe espaço pra Queendom ser mais do que um comeback ruim do Red Velvet

Existe aquele ditado, né? Quem viveu, verá. E quem viveu até agora, viu mesmo o anúncio da SM sobre o comeback EXTREMAMENTE aguardado do Red Velvet, depois de tanta desgraça que caiu sobre esse grupo por conta de polêmicas de racismo e mal tratamento aos funcionários. Não sei como ainda deram uma foda pra elas, talvez seja pra cumprir contrato, mas eu ando acreditando que o Red Velvet vai renovar, viu?

Isso porque os teasers e fotos estavam muito bem feitos! Se o grupo morrer depois disso, pelo menos morre com um dos conceitos mais bonitos da carreira, o produto inteiro tá podre de lindo. E, mesmo que a SM não cumprisse nenhuma das fotos que tirou pro álbum (como ela costuma fazer), eu ainda esperava coesão e aclamação aqui. Afinal, são quase dois anos sem comeback, né? 

Será que eu gostei (implicando que vocês não leram o título)? Vamos dar uma olhada no MV antes.

Assim como grande parte das pessoas, eu ando meio cabreira com o Red Velvet, justamente por conta dos escândalos. Primeiro foi a Wendy sendo racista e se recusando a aprender, usando a desculpa de ter crescido no ocidente pra ter alguma espécie de passe pra imitar o blaccent. Recentemente, talvez uma semana antes do comeback, ela voltou a fazer essas imitações e, com razão, caíram em cima. Desde a primeira vez que isso aconteceu, eu já venho pisando em ovos pra não elogiar demais; até a SM entendeu o recado e fez uma limpeza de imagem com Dilúvio Like Water. Mas nunca foi reincidência, e sim racismo. E não dá pra tolerar isso. 

Depois foi a Irene. Pra quem não sabe, ela é a minha preferida do Red Velvet e, quando saiu o caso de maus tratos com a estilista, foi um horror porque, pela primeira vez em todos esses anos ouvindo kpop, uma queridinha minha se meteu em polêmica (eu sempre tive um ótimo olho pra idols, obrigada por cagar no pau Irene). Enfim, ela se desculpou e fizeram da vida dela um inferno, e da minha também por ter supostamente defendido as ações dela quando eu só fiz um paralelo com outras situações que não tiveram o devido fim. Eu já sou velha o bastante pra não me importar com adolescente pedindo pra eu me m* por causa disso, então excluí o post e pedi desculpas. Vida que segue.

Bom, usei esses dois casos pra fazer entender os motivos que me levaram a não gostar de Queendom como eu deveria. Como fã de um grupo de empresa grande, acho que eu tenho o direito de esperar uma música de qualidade. Não precisa ser boa, gosto é subjetivo, mas qualidade é o mínimo. Dado ao histórico do Red Velvet, de sempre ter sido um grupo “experimental” ao longo desses anos, Queendom é muito simples e, nesse caso, não tem como encaixar aquilo de “quanto mais simples, melhor”. É básica demais, não tem um rumo específico, é como se estivessem atirando pra todos os lados pra ver no que dá. Só como comparativo, o próprio Brave Brothers disse que construiu sua carreira apertando botões e disso saíram coisas bem melhores que Queendom. 

Eu detestei os versos intercalados com vocais e “raps”. Aliás, rap nunca foi o forte do Red Velvet porque sempre sai um negócio tosco ou constrangedor que existe ali por pura obrigação social dentro do kpop de se ter um rap nas músicas. Pra se ter noção, eu adoro Dumb Dumb, mas sempre tiro o fone quando começa aquele rap do Michael Jackson tamanha a minha vergonha. Só que existe o fator de Dumb Dumb não ser uma música exatamente séria, e, no fim das contas, o rap consegue ser divertido. Já a estrutura de Queendom é chata e entediante, não sinto o instrumental explodir, não sinto emoção nenhuma nesses versos, não sinto o Red Velvet aqui. E isso é péssimo pra quem ficou longe por quase dois anos.

Pra não dizer que tudo é ruim, o refrão é animadinho e os ladida-do ba-badida parecem bobos, mas eles grudam na cabeça e são eles que me fazem lembrar da música no fim do dia. Destaque também pra Seulgi e pra Joy que seguraram os vocais lindíssimos nos versos cantados, me fazendo esquecer da Wendy se esgoelando desnecessariamente no fundo. Já o MV é bem feitinho e mostra uma tal dualidade das integrantes trabalhando em uma lojinha ao mesmo tempo que são bruxas (amei o corte pra Yeri de trainee witch), mas acho que esses fatores não são o suficiente pra eu 1) gostar de Queendom como eu deveria e, 2) gostar de Queendom a ponto de separar o artista da obra. Se elas viverem o suficiente pra ter outro comeback, a gente conversa.

Escute também: Pose

Se tem uma coisa pela qual o Red Velvet é conhecido são as b-sides. A grande maioria tem muita qualidade envolvida, é praticamente impossível terminar um álbum delas e não salvar, pelo menos, uma faixa. Felizmente, é o caso do sexto mini do grupo e, surpreendentemente, muito voltado ao lado velvet, que a gente jurava ter sumido (quem falar que Psycho é velvet leva uma paulada). A tracklist é muito boa, mostrando um lado sensual e elegante do verão que eu nem sabia que existia, gosto da forma como ela foi pensada e simpatizei com quase tudo. Como eu tenho que destacar alguma coisa, acho que vou de Pose, porque foi uma surpresa bastante agradável pra mim. Além de ser BEM mais experimental, traz vida ao Red Velvet depois de um single tão morto, e também é uma mistura perfeita dos lados red e velvet da coisa toda, levando um pouco de ballroom nos versos pra desembocar num eletropop maravilhoso no refrão. Ótima faixa que merecia inclusive virar title.

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

4 pensamentos

  1. Rafaa, eu fiz meu post antes de ler o seu >_< Se vc for ler, não interprete como indireta não pf kkkk Pra mim o Red Velvet não é experimental em singles faz tempo e fui meio ácido na hora de comentar isso kkkk

    Concordo um pouco com tudo q vc disse sobre o single (e em tudo quanto as album tracks), mas no fim acabei gostando… O clipe foi mágico demais, me pegou em em cheio

    Curtido por 1 pessoa

  2. Concordo com a sua visão do Lunei sobre esse comeback, fez bem em comparar com 4 Walls, já que ambos os grupos jogaram safe. Tava todo mundo esperando um treco vanguardista de ambos os atos, e ambos entregaram farofas de fácil digestão, até porque chega uma hora em que cansa ser vanguardista. E numa dessas, f(x) lançou o melhor álbum do grupo, enquanto RV lançou um EP coerente num ano em que girlgroups deram uma bela enfraquecida, sendo engolidas pela contraparte masculina, algo que absolutamente NINGUÉM esperava. E poderia colocar Queendom e Peek-A-Boo em dois extremos, pois enquanto Queendom é uma música velvet com um MV red, Pikabu é uma música red com um MV velvet, além de representarem pontos importantes na trajetória do grupo, sendo que Pikachu foi o último comeback marcante delas até então e Queen é o retorno triunfal pós-polêmicas. E amei a capa desse EP, misturando bem os dois lados: alegre, por conta do colorido dos balões e das bandeirinhas, mas também sério e até sombrio, por conta dos carões e poses maduras das meninas, além do clima nublado e dos pássaros atrás (seriam corvos?), fazendo uma ótima dicotomia entre dia e noite à la Tim Burton, servindo como uma continuação espiritual do ReVe Festival

    Curtido por 1 pessoa

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