Com ASAP, o STAYC entrega uma música duvidosa e desajustada

Se tem um grupo que eu e muitas outras pessoas frequentadoras da internet estávamos esperando religiosamente é o STAYC. Depois de servir o melhor debut do ano passado, o grupo cresceu em mim, entrou no meu top 10 de melhores de 2020 e eu botei minha mão no fogo garantindo que elas seriam a grande aposta da quarta geração do kpop

O Black Eyed Pilseung prometeu um comeback desde quando as promoções de So Bad acabaram, mesmo não tendo nada pronto. Gente como a gente, ícone. Mas daí, no mês passado, começaram a surgir uns teasers e, ainda que eu não tenha ficado tão hypada assim, eu sonhei grande, afinal são as minhas protegidas, né? 

Eis que ASAP estreou. Confere o MV aí embaixo antes de saber o que eu achei (apesar do título ser um pouco explícito).

Em minha defesa, eu já quero destacar os pontos positivos de ASAP (e tudo que envolveu o marketing de estreia). Achei bem inteligente da High Up reconhecer as partes fortes e apelativas dessa música e socar nos teasers, que, no caso, é o refrão. Eu gosto desses efeitos sonoros mais bubbly e o sintetizador que lembra muito um assobio enquanto elas sussurram “asap!” de forma fofa. Nada contra grupos jovens que querem esculachar homens, mas é algo que afirma a identidade delas e que está escasso no kpop atual. 

Inclusive esse instrumental simpático é o que guia a música por todos seus três minutos e alguma coisa e, enquanto ele fica em evidência, é o que me faz gostar de ASAP. O refrão é melodioso e refrescante, principalmente quando a Sieun canta. Meu coração palpitou várias vezes enquanto ela servia caras e bocas de uma menina que tá claramente apaixonada e quer ver seu amor logo, como a letra sugere. O Black Eyed Pilseung tem experiência com esse tipo de sonoridade e acho que ela foi trabalhada muito bem. 

A produção do MV também tá linda e contrasta com a carga etérea que So Bad trouxe. ASAP é bem comercial e com referências do mainstream, principalmente das HQs e, combinados com o apelo fofo da música, faz de ASAP um colírio para os olhos com uma paleta lindíssima de cores pastéis (to falando como estudante de design gráfico), mais uma vez reafirmando que estamos falando de um grupo rookie que possui garotas menores de idade. É a mesma ideia por trás dos lançamentos do Weeekly: meninas que ainda cheiram a leite e que cantam sobre suas vivências de garotas que ainda cheiram a leite.

Pois bem, rasguei seda até demais pro comeback, então vamos fazer jus ao título do post. Acho que ASAP comete uns deslizes muito graves no que compete a curtir a música por completo. É mais um desses lançamentos que querem muito ser a nova rapsódia coreana, com mudanças bruscas de sonoridade, mas é muito difícil fazer isso em poucos minutos. ASAP passa de música jovem e fofa pra um trap desnecessário afim de encaixar a voz de fancha fumante da J, e é aqui que a música toma caminhos separados pelo que foi feito em So Bad. Se no debut os raps eram muito bem encaixados, aqui a fórmula não funciona. 

ASAP ainda é um lançamento nebuloso pra mim, pois, ao mesmo tempo que combina muito bem o primor de outras produções semelhantes do Black Eyed Pilseung, como a trilogia de singles de estreia do TWICE, falha em tentar estabelecer uma sonoridade tryhard ao STAYC, e é por isso que eu digo que envolve um misto de sentimentos. Uma música que me oferece partes extremamente memoráveis e versos esquisitos e genéricos é, sim, duvidosa, porque eu não vou saber ouvir de forma confortável. Enquanto eu resolvo isso dentro de mim, as gatinhas do STAYC continuam ganhando cada vez mais espaço, pelo menos dentro dos nichos da blogosfera, que querem consumir suas músicas o mais cedo possível. 

Escute também: Love Fool

Pra minha surpresa, o STAYDOM veio com músicas até que boas, mesmo que tenham sido somente duas b-sides (e um remix horroroso de So Bad). Pra quem achou Like This mixuruca ano passado, como eu, esse single álbum pode oferecer algum entretenimento, apesar de discordar de algumas opiniões que eu vi por aí dizendo que So What poderia ter sido a title. Além de ser uma música bem mais ou menos (é maldição do nome, pelo jeito), acho So What bem veranesca. Por isso escolhi Love Fool que, sim, é uma música lenta, mas não se encaixa no gênero de balada. É mais um pop acústico que mostra bem as cores dos vocais de todas as integrantes, mas é aquilo: não sei se eu vou lembrar de ouvir isso aqui sempre, então fica o registro de que, um dia, eu disse que é boa. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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