Comercial AYO GG | I burn, por (G)I-DLE

E aí, galerinha! Como vocês estão? Eu continuo amargurada porque o calor não dá um descanso pra minha pele, que tá tão sebosa quanto a Karol Conká, mas ainda aguento firme aqui do jeito que dá pra continuar trazendo conteúdo de qualidade duvidosa pra vocês.

Como eu tinha prometido, nessas minhas férias eu tentaria trazer uma review de álbum pra distribuir cultura pra esse povo, e cá estou eu com mais uma edição do Comercial, fazendo um jabá apropriado, profundo e deveras parcial sobre esse mundinho asiático que tá sempre lançando coisas novas.

Dessa vez, vou falar sobre o I burn, o quarto mini álbum do grupo sul-coreano (G)I-DLE. E, seguindo esse conceito de mostrar várias faces do grupo em lançamentos diferentes, tomando situações distintas como cenário para cada um, I burn demonstra como uma mulher pode superar o fim de um relacionamento e ter de volta sua felicidade. “Eu queimo”. É a ressignificação desse fogo interior que todos nós temos, depois da tristeza e do luto, daquilo que te faz sentir vivo. 

Acompanha comigo, faixa a faixa, minha review do I burn, do (G)I-DLE!

Faixa 1 – HANN (Alone in winter)

90/100

Soyeon descreve Alone in winter, que traz consigo o kanji 寒 (frio), como a continuação de HANN (2018), mas eu acho que é exatamente o contrário, e eu vou explicar o porquê mais para o final. Alone in winter abre o álbum com um piano irregular e dissonante, que se torna solitário ao lado de frases sussurradas de uma mulher tremendo com “o seu próprio inverno” e um tímido Guqin. 

Ao longo de seus quase três minutos, a música se transforma numa balada maravilhosa, carregada de uma amargura típica de quem acabou de perder um grande amor. Acho que, a cada comeback, a Soyeon melhora ainda mais sua habilidade de composição, visto que Alone in winter é uma das músicas mais bem escritas e produzidas de toda a carreira do (G)I-DLE, e é só um prólogo. O trecho final que diz “É muito egoísmo meu esperar a sua primavera?” é exatamente o que conecta essa faixa com HANN de 2018. 

Faixa 2 – HWAA

80/100

HWAA começa exatamente de onde Alone in winter nos deixou, mas no lugar de um piano, temos o instrumental moonbahton característico dos singles do grupo, produzido de uma forma mais melancólica, com instrumentos e visuais típicos do leste asiático, a fim de se encaixar na proposta de ser uma música mais introspectiva. 

No seu título, HWAA traz os kanjis 火 (fogo) e 花 (flor), que, juntos, formam 火花 (faísca). E uma faísca é o que basta para que HWAA seja mais instrumentalmente movimentada, dando início ao grande incêndio que o (G)I-DLE planeja para buscar seu amor próprio de volta, como é dito no trecho “Vou fazer uma fogueira maior para recuperar a primavera que eu perdi”, o que também acaba se conectando aos dois kanjis que formam o nome da música; queimar para florescer. Quando estreou, HWAA não fazia sentido pra mim, mas depois de um tempo ela cresceu aqui dentro, exatamente como uma fogueira.

Faixa 3 – MOON

95/100 

Embalada por sintetizadores e uma guitarra que dá corpo à música quando necessário, MOON é um pedido para que a lua não brilhe esta noite, pois ainda existe muita tristeza dentro delas e ninguém pode as ver chorando por um amor que elas juraram queimar.

Esses sintetizadores, que flertam muito com o pós-punk do começo dos anos 80 e caminham pela música inteira, dão o toque obscuro essencial para que a letra de MOON faça sentido. Já a guitarra, contida e que mantém seu ritmo pela maior parte do tempo, evoca um riff violento lá pro final da música, é como se fosse um grito de desespero de querer que tudo isso passe, misturado à angústia de sofrer tanto por um amor, resultando em uma ponte musical que beira à loucura. MOON é de longe a melhor música do I burn pra mim, cheia de ousadia para ser o turning point do álbum. 

Faixa 4 – Where is love

80/100

Where is love é uma espécie de tropical house ainda um pouco melancólico, mas que, justamente por ter essa sonoridade, significa que a faísca de antes tomou forma de fogo, o suficiente para aquecer a alma, e a tristeza, aos poucos, se transforma em resiliência.

A música é aberta pelo trecho que diz “Em uma noite escura, me segurei contra o vento, e dei uma leve risada ao pensar repentinamente em você”, o que dá leves indícios de superação do término; a lembrança de alguém, que outrora era amarga, agora me faz rir porque, como a música diz a seguir, “Sorrisos perdidos se preenchem novamente; eu te esqueço e me encontro”, ainda que hajam momentos de arrependimento por se sentir dessa forma, como se tudo fosse desaparecer, inclusive elas mesmas, e a vida deixasse de ter sentido. 

Faixa 5 – LOST

70/100

Todo pós-término tem suas recaídas, não importa o quão bem aparentamos estar. LOST trata exatamente disso, sendo uma faixa influenciada pelo pop rock de ritmo mais introspectivo. Aqui, o (G)I-DLE acaba por refletir sobre o que é esse estranho sentimento de perda que não chega a um fim, e sobre como é injusto ter que carregar essas memórias sozinha sem ter a pessoa por perto.

LOST é sobre chorar no fim do dia em um lugar onde ninguém consiga ver enquanto se questiona sobre o que deu ou quem foi o errado. É a música que eu menos gosto do álbum todo, o que não a torna ruim, muito pelo contrário; LOST é realista e toca nas feridas certas. 

Faixa 6 – DAHLIA

75/100

Dália é a flor que simboliza o crescimento, e é a flor que desabrochou no peito do (G)I-DLE ao finalmente ressignificar toda a sua dor em superação. A dália também simboliza a união, dando a entender que elas estão prontas para amar de novo, sem se importar com as consequências, quando a música diz que “meu amor é uma dália”.

DAHLIA é um midtempo inteligente ao ponto de descrever o amor com vagas semelhanças a como se planta uma dália de verdade. Dálias são as flores símbolo do México, país de clima tropical, e só crescem com luz direta. O solo precisa estar fortificado para receber uma dália, e também precisa de sustentação para crescer. É exatamente isso que é o amor: você precisa estar pronto para recebê-lo, senão ele não dará resultados. 

E foi assim que o (G)I-DLE transformou o inverno em primavera, e uma faísca em flor, e DAHLIA é o desfecho feliz dessa história, mas ainda existe uma parte que não foi contada. Como eu disse no começo da review, I burn é a trajetória de uma mulher em busca do seu amor próprio após um término. E, no meio disso tudo, existe HANN (2018), que utiliza o kanji 一 (um). 

Ao contrário do que dizem sobre HANN ser o prólogo desse álbum, eu enxergo mais como uma faixa sobre vingança e revolução pessoal para as dores de um fim de relacionamento, posicionando-se entre HWAA e MOON. Isso pode ser provado por alguns trechos, como “meu amor se tornou preto”, “apaguei seus traços no meu coração machucado” e “mesmo se você voltar, não há mais espaço para você”

De qualquer maneira, I burn marca o crescimento do (G)I-DLE como produtoras do seu próprio material musical, descaracterizando a Soyeon como a única por trás de todas as composições do grupo. Aqui também temos a Yuqi e a Minnie dando seus pitacos nas músicas e, felizmente, saíram coisas muito legais das mãos delas.

Esse álbum se tornou o mais vendido da carreira do (G)I-DLE e HWAA conta com dez vitórias em programas musicais, o que desafia a lógica de dizer que idols não conhecem nada de música. É sim possível estar na indústria coreana que mais fatura por ano e ainda obter sucesso comercial com um álbum completamente conceitual.

Média final: 82/100

Qual sua música preferida desse álbum? Qual outro álbum vocês querem que eu revisite? Eu tenho alguns já anotados, mas também preciso seguir a voz do meu povo. Deixa aí nos comentários!

Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

3 pensamentos

    1. ai obrigada!!!! apesar de gostar de fazer essas análises mais sérias elas me consomem muito hauhauha por isso faço de vez em nunca. eu to amando os time machine sobre o shinee, é um dos poucos bgs que eu gosto.

      Curtido por 1 pessoa

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