As músicas mais superestimadas do pop asiático

Este blog odeia início de ano justamente pela falta do que falar. Não tem um disband, uma música nova, uma notícia de namoro interessante… Nada que seja uma pauta digna de ser comentada aqui.

Pra não deixar o site parado (ainda mais agora que eu criei um Twitter), resolvi falar sobre as músicas mais hypadas, na minha humilde opinião, do cenário asiático (kpop e jpop, eu não entendo muito de mandopop, então acho que não faz sentido falar de algo que eu não manjo, diferente do nosso presidente).

Óbvio que eu não tive essa ideia sozinha. Já tinha visto essa thread no Pop Asiático.jpg, depois no Aquário Hipster e pensei… É um bom jeito de preencher esses dias tão parados em questão de novidades musicais. Eles mesmos comentaram isso.

Bom, então antes de começar, quero deixar algumas regras bem definidas aqui:

– Como sempre, o mais importante: não tome isso como verdade absoluta. É só a opinião de alguém que gosta disso e, sem ter ninguém com quem conversar, acaba escrevendo.

– Não é só porque são músicas superestimadas que vai ter algum ato masculino nessa lista. Boygroups são bem “muito por nada” por si só, em sua grande maioria. E eu só faço o favor de acompanhar lançamentos femininos, então a gente cairia na máxima de falar sobre o que não entende.

– Não é um ranking da menos até a mais superestimada. Fiquei com preguiça de ordenar as músicas, então achei melhor só lançar conforme eu lembrava.

Regras estabelecidas, vamos dar início a nossa lista.

Girls Generation – The Boys

Comecei lançando a braba. O que é The Boys pra você? Será mesmo que The Boys é a luz para o cego, o pão para o faminto e a cura para o coronavírus? Pois pra mim The Boys é uma das maiores mentiras que a SM já contou.

Os teasers são impecáveis, não vou mentir. Mesmo com o cabelo da Sunny, mesmo com o figurino da Hyoyeon, os teasers de The Boys são um reset cultural. Eu não conhecia o grupo na época (aliás, nem de kpop eu gostava em 2011), mas até hoje se você pegar esses vídeos de pré-lançamento eles causam o mesmo impacto.

Por outro lado, eu acho que The Boys não envelheceu bem. Eu acho a música uma bagunça, acho barulhenta, o break não é tão bom assim depois do icônico “girls, bring the boys out!” (a SM e essa mania de acha que tem rapper na empresa). Diferente de I Got a Boy, que não se leva a sério apesar de também ser bagunçada e barulhenta, The Boys não se sustenta na sua estrutura de ser uma música sexy e empoderada.

Como alguém que gosta muito de Girls Generation, The Boys é o single que eu menos gosto das soshis e não consigo comprar a ideia que ele me oferece.

AKB48 – Heavy Rotation

Trazendo mais uma polêmica nessa lista, Heavy Rotation é o reset cultural dentro do Japão. Trouxe vários #1 pro grupo, consagrou as meninas como o ato feminino que mais vende por lá e basicamente criou essa avalanche de grupos enormes idealizados pelo doido do Yasushi Akimoto.

Só que Heavy Rotation envelheceu igual leite, musical e visualmente falando. Na época que saiu, eu já não gostava tanto da música porque elas já tinham lançado coisas melhores (essa aqui por exemplo). A música é péssima, foi escrita por um velho pra atrair outros velhos, o clipe horrível flagrando as garotas de lingerie, enfim…

Na época pode ter funcionado, né? É grudenta e é fofa no sentido sexual da coisa (serviu e serve pra aflorar a mente de muito japonês tarado até hoje). E também foi o que serviu pro AKB48 ser o que é hoje, uma referência no quesito idol, tanto que todos os outros grupões do Akimoto regravaram isso em basicamente todas as línguas faladas no mundo. Mas de tanta farofada que elas já lançaram, pode ter certeza que Heavy Rotation não chega nem no top 30.

Red Velvet – Bad Boy

Figurinha carimbada nos “ame-o ou deixe-o” do kpop, eu fico com a segunda opção. Tem coisas que eu preciso concordar: o clipe é bonito e a era visual das integrantes tava perfeita (a Seulgi nasceu pra usar aquela franjinha), tanto que eu compartilhei na época todos os photoshoots. Mas não é o maior ato do Red Velvet.

Bad Boy é um R&B midtempo que foi aclamadíssimo desde a sua estreia. Foi escolhida como uma das 100 melhores músicas de kpop daquele ano, ganhou uma versão em inglês, viajou até a Coreia do Norte e amoleceu o Kim Jongun, os críticos (de Facebook ou não) dizendo que era a música da carreira do Red Velvet. Enfim, chuva de elogios.

O que eu acho de Bad Boy é que é uma música cansativa. Não é o melhor do lado Velvet delas, porque a gente tem o cover de Be Natural e Automatic pra cumprir esse papel, e muito menos a música que define a carreira do grupo. Acho que nesse negócio de Red e de Velvet, a SM achou que qualquer treco mais tedioso da gaveta do Stereotypes podia servir num álbum que leva “perfect” no nome.

Ikimonogakari – Blue Bird

Sim, uma banda pode entrar nessa lista, afinal a vocalista é mulher. E você pode nem conhecer lendo o nome ou o nome dessa música, mas se você ler a frase “habatai tara/modoranai to itte/mezashita no wa/aoi aoi ano sora” sua cabeça vai te levar pra outra coisa que também é superestimada, mas que eu não vou entrar em detalhes pelo blog não se tratar disso.

Blue Bird é uma das duzentas aberturas de Naruto e o jeito que isso hitou no Brasil e em vários lugares do mundo não é brincadeira. Óbvio, tem o delay entre o Japão e o restante dos países, a música já estourava nos charts da Oricon em 2008, mas de repente, quando Naruto virou o anime das massas, não tinha um coitado que não compartilhasse essa música no Facebook.

Dentre as músicas de Naruto, Blue Bird é uma das que eu menos gosto, e a popularização exacerbada dela deixou tudo ainda mais enjoativo pra mim.

A trinca de affs do Blackpink

Vocês lembram do quadro Trinca de Ases da Gazeta FM? Na verdade, é uma música do Gilberto Gil, mas esse quadro na rádio dava prêmios e tocava as músicas mais pedidas da semana, mas aqui se refere às três músicas que o Blackpink lançou entre 2018 e 2020.

Começando com DDU-DU DDU-DU, um dos nomes mais ridículos que eu já vi o kpop dar pra uma música e carinhosamente chamada de Du Dudu e Edu, temos a primeira patifaria emulada de Boombayah pelo Teddy Park, o responsável por criar todas essas ofensas sem refrão. É um EDM que mistura trap e hip hop e que, por algum motivo, foi aclamado pela fanbase, alcançando um bilhão de visualizações de yags desocupadas.

Não contente, o Teddy derivou a fórmula de Boombayah de novo e trouxe Kill This Love, que é ainda mais barulhenta e traz a adição de banda marcial e trompetes que foram emprestados pelo MOMOLAND. Apesar das críticas mistas, ainda teve rasgação de seda por parte dos fãs pela migalha de girl crush que a YG insiste em enfiar no grupo.

Daí chegou 2020 e, já não bastasse o coronavírus, o Teddy foi lá e bateu Boombayah no liquidificador e perguntou pra gente “como vocês gostam?” Eu sinceramente gosto de um mundo onde How You Like That não fosse a mesma música disfarçada de novidade. E essa doeu em mim mais do que as outras. Os teasers tinham uma pegada futurista, tipo quando o povo dos anos 2000 se vestia de papel alumínio, e eu já tava me perguntando se vinha aí.

E veio. Veio a peste, a guerra e a fome. Teddy, solta o quatro cavaleiro aí pra matar a fanbase de vez, vai.

Ayumi Hamasaki depois do Duty

Eu sou muito fã do Duty, muito mesmo. Acho que esse álbum é dor e sofrimento traduzidos da melhor forma possível, amo como a Ayu consegue transmitir todo o desespero dela mesmo não falando a mesma língua que eu. É um álbum que me deixa na merda no sentido mais puro.

Daí ela fez uma viagem pra dentro de si e virou good vibes na mesma linha que a Madonna quando lançou o Ray of Light (diva por diva né). Foi assim que nasceu o I am… e uma mudança no estilo de música que ela tinha feito até então.

Eu apoio mudanças, tá? Parece que, falando assim, todo mundo tem que ser o mesmo até morrer, não é isso. O I am é um álbum legal, eu gosto muito de evolution, só acho que a maioria das músicas que ela lançou depois do Duty não se comunicam direito comigo.

Se ela vender um papel que ela usou pra assoar o nariz, eu compro e defendo, mas dentro do meu blog eu tenho o direito de julgar a lenda como superestimada por, pelo menos, 70% das coisas que ela lançou depois disso.

Essa foi a lista, mas talvez eu faça uma parte dois quando eu tiver o ânimo de revisitar o que me deixa amargurada. Quais são as músicas que vocês acham extremamente superestimadas, mas não têm coragem de falar pra ninguém? Deixa aí nos comentários (e por favor, usem a educação).

Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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