NMIXX e STAYC ressuscitaram a blogueira dentro de mim com absolute jams do pop coreano

Como já ressaltei nos dois posts anteriores que marcam essa minha volta gradativa à blogosfera, eu perdi muita coisa de março/24 pra cá. E se não ressaltei, faço questão de fazer agora: eu perdi muita coisa. E isso meio que me travou pra comentar os comebacks que saíram desde que resolvi retomar os trabalhos por aqui. Não sei que porra é essa que o Brave Brothers tá fazendo deixando o sample de Ma Boy tão insosso quanto um chuchu refogado, mas o Dougie disse que esse grupo novo dele tem soltado umas músicas assim mesmo e tá tudo bem. Eu acredito. 

Só que eu também me toquei de que eu não vou ter todas as referências necessárias pra comentar uma coisa ou outra porque, talvez, não ter vivido o calor do momento de quando o ARTMS finalmente debutou com um vídeo que viola as Convenções de Genebra ou algo assim pode ter afetado minha visão no kpop num geral e, bom, estamos ok com isso. Pra botar o AYO GG nos trilhos de novo, pode ser que eu sofra com bloqueio de escrita por falta de bagagem ou os posts podem faltar da tal substância que a galera que frequentava aqui gostava tanto, mas é algo que a gente vai ter que aprender a lidar. 

Todos na mesma página? Então vamos comentar dois dos maiores exemplares de charisma, uniqueness, nerve and talent que o kpop soltou nesses últimos dias.

Como o blog basicamente não existiu no ano passado, eu tento recobrar minhas memórias. Onde foi a última vez que eu vi o NMIXX? Ah sim, no ano passado! Com a excelente Dash, que ainda é um sucesso na minha playlist. Lembro que elas até ameaçaram fazer música horrível de novo em algum momento de 2023, mas isso foi prontamente posto de lado com o primeiro EP da série Fe3O4. Vocês sabiam que essa é a fórmula química da pedra-imã mais magnética do planeta Terra, a magnetita? E que é muito usada na fabricação de bússolas, objeto que tem relação com a lore do grupo, com aquele negócio delas navegarem fisicamente entre os mundos, assim como elas navegam entre os gêneros por conta do mixxpop? 

Eu não me importo com nada disso. Ultimamente eu percebi que, pra gostar de uma música, ela precisa despertar alguma emoção em mim e fazer sentido no processo de chegar aos meus ouvidos e ser compreendida pelo meu cérebro (o que talvez seja o principal mote da música num conceito amplo, né). Know About Me faz isso, e com primor. Por ser um trap, talvez fosse um repelente grande o bastante pra me fazer virar a cara e nunca mais falar do NMIXX de novo, mas é um trap encantador, contrariando tudo que se conhece a respeito do trap. Senti um quê de XG, provando que o sucesso delas meio que modificou essa área no kpop. 

Li por aí que a galera achou muito “easy listening” pra um grupo como o NMIXX. Não é de se surpreender porque essa é a era que o pop coreano está atravessando já tem um tempo, mas acho que a morosidade de Know About Me é justamente a grande arma dessa música. É sensual na medida certa por conta do instrumental meio esquisitinho que rola por trás, ao mesmo tempo que entrega uma paz interior, quase um mantra hinduísta por conta de todas as repetições constantes de vocais, tons, elementos e escolhas de produção. Até o break na ponte, que acaba modificando um pouco a estrutura de tudo ali, dando um pouco mais de, uhm, punch nos segundos finais, se mantém no mesmo nível, como um corpo levitando em águas profundas, inerte. Perfeita pra se concentrar fazendo outras coisas ou só curtir a vibe que ela tem, Know About Me nunca extrapola e acho que tudo bem o NMIXX ser assim de vez em quando se a música vale a pena ser ouvida. É inegavelmente o grupo mais interessante de se acompanhar no momento. 

O EP também tá fantástico, o melhor desse ano até o momento. High Horse, que já havia saído como um pré-release, Slingshot e, principalmente, Papillon são canetaços. 

Já o STAYC eu lembro muito bem de ter chapiscado nos últimos lançamentos. É que parecia que a High Up não tinha um direcionamento legal pra elas, o que é bem triste quando a gente tinha depositado tanta esperança num grupo gerenciado pelos produtores disso aqui. Mas não vou bancar a chata e ficar falando que o STAYC morreu em algum momento entre So Bad e ASAP com alguns de vocês fazem; entendo que o apelo delas, pelo menos até onde vai a minha memória, estava focado em coisas mais quirky-adolescentezinhas que, de fato, não é a minha praia porque eu tenho quase 30 anos. Consome quem quer e gosta quem quer também, né? 

Tá, pulamos pro ano atual. Que delícia é Bebe, hein? Alguém envolvido com o STAYC ouviu o Brat e, desde então, tem panfletado a palavra feito um hippie do final dos anos 60 dizendo que o Woodstock era a merda mais quente do momento e que a música só valia ser vivida se fosse num ambiente feito aquele, but make it homosexual. Não que Bebe seja revolucionária pro pop como a Charli xcx foi (dentro do Twitter, pelo menos), mas que ela flerta com a ideia de ir para o clube e ouvir os clássicos do clube, ah… Isso ela faz muito bem. Uma versão matinê às quatro da tarde, sem poppers, só refrigerante e drinks sem álcool. 

A essa altura, o STAYC já é veterano. Todas as integrantes são maiores de idade e podem entregar um refrão miadíssimo que basicamente diz pra gente parar de tratar elas feito bebês porque elas estão cansadas de mentir por cima de um número de pista badaladíssimo em alguma boate que fosse o point mais fervido entre 2010 e 2012, quando o Brasil ainda era um país feliz comandado por Dilma Rousseff e parava tudo pra assistir o último capítulo de Avenida Brasil, a novela mais cunty da história. É nesse recorte específico demais que mora Bebe: é uma faixa que sabe não se levar a sério e que me faz feliz na medida certa. É, si c’est moi. 

Bluesky | Twitter

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