[SabadOFF] O primeiro dos últimos quinze anos das nossas vidas

Obs.: Esse post tem fotos editadas muito legais iguais a que eu coloquei no final, mas eu fiquei doente na semana que eu escrevia e não consegui editar tudo. Ao longo dos dias eu vou postando aqui, ok?

O tempo é uma coisa maluca, né? Sempre achei curioso como ele passa rápido quando a gente curte o momento ao máximo desejando que ele congelasse. E quando a gente se dá conta do quanto passou, é como se fosse uma onda violenta que atravessa nosso corpo. Ninguém nunca esteve tão certo quanto Einstein ao dizer que o tempo é relativo ao nosso ponto de vista.

Quando eu percebo a passagem do tempo, é sempre um baque filosófico, daquilo de passar a imaginar como seria a minha vida se eu não estivesse vivendo o que eu vivo hoje. Dizem que nem todo mundo sente falta do que já viveu, mas isso é algo que se cria depois dos 25, pelo menos. Não sinto falta de bullying, de colégio, de abuso, mas sinto falta da minha ingenuidade, da minha força de vontade, da minha maneira engraçada e genuína de enxergar o mundo. 

E sinto falta também do momento em que eu conheci o Luiz Carlos (ou Liu, pros íntimos e não íntimos, ninguém chama ele de Luiz Carlos). Que não foi amor à primeira vista ou algo assim, mas é uma saudade curiosa, de querer voltar no tempo e assistir de longe o meu eu adolescente conhecendo o Liu versão adolescente. Talvez eu ficasse tão orgulhosa de ter deixado ele cruzar o meu caminho, ainda que eu fizesse tudo de novo: arrastaria ele pra minha amiga, morreria de ciúme e ficaria calada esperando que um dia ele se declarasse pra mim, exatamente como aconteceu 15-13 anos atrás. 

Em setembro, a gente completou um ano morando juntos no nosso apartamento, mas essa é uma história com vários capítulos, reviravoltas e romance “slow burn”. E pra comemorar, criei um questionário com 15 perguntas pra gente responder sem ficar sabendo da resposta do outro. Tudo sobre música, afinal, a gente se conheceu através da música e foi a música que fez nossos destinos se entrelaçarem (várias vezes, inclusive; a gente lutou muito contra o destino).

1. Como vocês se conheceram?

Liu: No Orkut, na comunidade Discografias. Estava procurando a discografia de bandas de rock com vocal feminino e acabei encontrando The Muffs, a Rafa tinha disponibilizado os links e foi aí que puxamos assunto. Até onde eu lembro adicionei e emendei um depoimento kkkkkkk

Rafa: Foi em 2008. Nessa época, eu tava me descobrindo musicalmente, então passava muito tempo na comunidade Discografias, no Orkut. Um tempo antes, eu tinha conhecido uma banda chamada The Muffs, e a vocalista foi basicamente meu modelo de mulher adulta por muito tempo, então eu fiquei obcecada. Lembro de ter subido o álbum Blonder and Blonder num 4shared da vida e criado um tópico lá na comunidade com os links. Quando voltei pra página inicial, tinha esse depoimento (que é mais ou menos como uma DM, caso você seja novinho demais pra saber como funcionava o Orkut) escrito “add? ;D”. É, o Liu era desses. 

2. Qual é a banda preferida dele/dela?

Liu: Depende do gênero, The Cure ou EXO??? Brincadeira, é The Cure.

n/a: Canalha, aqui é um blog de grupos femininos!

Rafa: Tem algumas, geralmente muda com o tempo. Sei que ele gosta bastante de Delain, Alter Bridge e Ghost, mas quando a gente se conheceu, ele só falava de Oasis.

3. A principal diferença musical entre vocês

Liu: Ela gosta de mais gêneros.

Rafa: Ele disse que eu sou mais eclética, e é verdade, mas isso foi acontecendo conforme eu ficava mais velha, porque na adolescência eu era muito elitista em relação à música. O Liu gosta de certos gêneros e quase nunca se abre pra conhecer coisas novas.

4. Uma música que ele/ela gosta e você não

Liu: Eu não sei os nomes das músicas, mas deve ser algo relacionado ao pop/funk.

n/a: Corta pros 99 scrobbles de Lady Gaga no Last.fm dele. 

Rafa: Eu detesto música com gritaria/gutural. O Liu sempre tenta me persuadir a escutar, mas nossa, odeio. Me sinto claustrofóbica. 

5. Uma música que ele/ela gosta e te faz lembrar dele/dela

Liu: Really Really Happy – The Muffs. Por ser a banda que fez a gente se conhecer, e também a letra é a legenda da nossa primeira foto do Instagram.

Rafa: Foi ele que fez eu “tolerar” Blink-182, então quando eu escuto Violence costumo lembrar dele. 

6. Uma música que você gosta e te faz lembrar dele/dela

Liu: Dreams – The Cranberries. Escutava sempre nos momentos mais difíceis do relacionamento e acabou se tornando algo confortável depois.

Rafa: Duas músicas me fazem lembrar do Liu por motivos diferentes. Uma delas é Chelsea Dagger, do The Fratellis, porque a gente costumava cantar juntos, principalmente aquela parte final “chelsea chelsea I believe that when you’re dancing slowly sucking your sleeve”. A outra é Plz Don’t Be Sad, do Highlight, porque ele usava pra me acordar de manhã quando eu tava muito deprimida em relação ao meu trabalho merda.

7. Um álbum que você sabe que ele/ela escutaria todo dia

Liu: Dookie – Green Day. Ela já me falou isso no passado…

n/a: Eu já falei que é um álbum do Green Day mesmo, mas ele errou. É o Insomniac, que veio depois do Dookie.

Rafa: Aquele último do Linkin Park com o Chester ainda vivo. Todo mundo odeia esse álbum, mas ele ama de paixão. 

8. Uma banda que você gosta e acha que tem tudo a ver com ele/ela

Liu: Green Day. Ela também gosta e é caótico igual a gente, eu vejo isso como algo positivo.

Rafa: Uma banda não, mas acho que ele deveria começar a ouvir a Utada Hikaru. É a diva japonesa mais acessível pro gosto dele. E SCANDAL também. Por que nunca escutou SCANDAL, Luiz Carlos?

9. Uma banda que você passou a ouvir graças a ele/ela

Liu: Vishe, várias, mas a que eu mais ouvi foi Franz Ferdinand.

Rafa: São três bandas que eu comecei a ouvir por causa dele. Oasis foi a primeira, logo quando a gente terminou pela primeira vez, porque eu gostava de sofrer e queria chamar a atenção dele de qualquer forma. As outras foram Avenged Sevenfold e Muse, depois que a gente voltou. Só Muse continua comigo até hoje.

10. Um show que vocês foram juntos

Liu: Muse. Não sei o que deu na nossa cabeça, não tínhamos dinheiro, mas do nada estávamos lá parcelando o ingresso em 24 vezes, a vida é uma só. Tem outro show que é engraçado, o do Delain (ela não queria estar lá e ainda eu esqueci que precisava de um 1kg de alimento que fazia parte do ingresso).

Rafa: O show do Muse, em 2019. Parando pra pensar hoje, acho que foi uma forma da gente celebrar o nosso tempo juntos porque, antes disso, era bem difícil a gente frequentar os mesmos lugares e compartilhar gostos (somos dois tontos bem fechados, ok?). 

11. Vocês trocariam de gosto musical um com o outro por um dia?

Liu: Sim, nada contra, pela diversão. Seria engraçado ver as reações de ambos os lados, se ela aceitar.

Rafa: Se eu disser que não, vão tirar minha carteirinha de eclética, mas sei lá… O Liu escuta umas coisas que um dia ainda é muito. 

12. Vocês já frequentaram os lugares musicais um do outro?

Liu: Vishe não entendi essa?????? Se for o quarto da casa sim.

n/a: Ele já comentou lá em cima, mas vou dar a minha versão já que ele não entendeu a pergunta. No começo de 2019, a gente foi no show do Delain lá no Tropical Butantã. Saí do meu trabalho pra encontrar ele, com a mochila pesada e a vontade lá embaixo de ter que ver um show de uma banda que eu nem conhecia. Pra variar, ele esqueceu que tinha que levar 1kg de alimento por causa do ingresso social, mas a moça deve ter ficado com pena dos dois fudidos e deixou a gente entrar mesmo assim. No final, eu não gostei tanto assim do tal Delain, mas achei fascinante uma horda de homens berrando junto com a vocalista. É paixão nível futebol (ou kpop, que é a mesma coisa).

Rafa: Logo quando ele se mudou pra São Paulo, eu levei ele num evento de cultura coreana. Foi engraçado porque ele claramente parecia um peixe fora d’água. 

13. Um estilo de música que ele/ela nunca escutaria

Liu: Death metal, com certeza, kkkkkkkk ela deve ter medo?!?

Rafa: Não vou dizer kpop porque ele gosta de Goodbye, do 2NE1, embora ele nunca vá admitir isso em público (“emocionante”, palavras dele. Sim, Liu, um dos maiores grupos do pop coreano estava morrendo com um single depressivo e uma integrante a menos). Acho que não consigo visualizar o Liu ouvindo funk bruxaria tipo Pânico no Submundo, do DJ K, em nenhuma versão do nosso universo. 

14. Qual é o aspecto mais legal sobre música que você admira nele/nela?

Liu: A capacidade de absorver todos os tipos de gêneros e ter uma opinião forte sobre. E o mais legal é ela saber cantar todas as letras.

Rafa: Apesar de achar que ele deveria se abrir mais e conhecer outras coisas fora da zona de conforto, sempre gostei do fato do Liu ter um gosto musical muito sólido, principalmente quando eu era mais nova. E também saber que ele sempre procura ouvir e admirar vocalistas mulheres. 

15. Vocês costumam ouvir/revisitar a banda que fez com que vocês se conhecessem?

Liu: Raramente, geralmente quando surge um assunto relacionado. Estamos há tanto tempo juntos que essa fase passou, mas de vez em quando ainda vive. 

Rafa: Fui ouvir The Muffs esses dias por causa do post anterior do SabadOFF onde eu discuti sobre meus álbuns de punk rock preferidos e uma sensação nostálgica tomou conta de mim. Geralmente não gosto de me sentir nostálgica porque é uma armadilha pra minha depressão disparar. Quando a Kim Shattuck morreu, eu soube meses depois, tamanha era a distância desse período da minha vida, e a gente ficou bem chateado, mas gosto de pensar que foi graças à música dela que a gente se conheceu. E, ainda que não exista mais aquela obsessão, um link do 4shared evoluiu pra nós dois dividindo um apartamento e um gato. Então por que não revisitar mais vezes, né?

Vocês sabiam que agora eu vendo minhas artes? Lá na Colab55 tem algumas opções de produtos com estampas que eu fiz e você pode comprar pra ajudar essa pobre coitada que escreve o blog.

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2 comentários sobre “[SabadOFF] O primeiro dos últimos quinze anos das nossas vidas

  1. Meu Deus que tragédia ele gostar de Goodbye, eu não consigo ouvir essa música nunca mais, eu chorei demais na primeira vez que eu ouvi fiquei traumatizada.

    Que vocês sejam muito felizes (fingerheart)

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