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Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2021 (100-86)

E finalmente damos início ao post principal desse ano, desse blog e de tudo: minha singela listinha de melhores! Eu vim me preparando horrores pra esse momento e até montei um cronograma de postagens (que pode não ser seguido, mas tomara que eu consiga), mas antes, vamos bater um papo sobre 2021 dentro do cenário coreano (e japonês também, em menores escalas). Foi ruim e sofrido, a gente não pode mentir, principalmente pro kpop. Grupos cada vez mais homogêneos e apostando em farofas ocidentais bem sem graças, não senti aquele BOOM por boa parte dos meses. Só que a lista até que rendeu bastante, porque algumas coisas japonesas de ótima qualidade salvaram minha pele. 

Essa série de posts será dividida em sete partes, sendo que as seis primeiras terão 15 músicas e a última contém um top 10 babadeiro. E nem preciso dizer também que essa lista é baseada única e exclusivamente na minha opinião a respeito de coisas que eu fui ouvindo ao longo do ano, né? É permitido discordar com humor, pontuar coisas nos comentários, mas partir pra agressão por causa de um bando de asiáticas é too much pra mim. 

Sem mais delongas, vamos dar início ao ranking do AYO GG!

100. DreamNote – Ghost

Abrindo a lista, temos essas nugas aqui que decidiram servir um terror bem geladinho depois de sumirem por quase dois anos. Nunca me importei o bastante com o DreamNote, a ponto de sequer lembrar as músicas anteriores a Ghost, mas aqui achei que foi uma ótima jogada da empresa, de tentar se destacar com algo diferenciado do que grupos menores costumam fazer, que é basicamente emular o Blackpink ou o ITZY. Ghost é um pancadão eletrônico dubstep-ish que se sustenta nas suas viradas aterrorizantes no seu instrumental desconcertante, como um fantasma murmurando lamentos no vazio mesmo. Talvez tenha sido o melhor lançamento com temática de Halloween desse ano. 

99. TRI.BE – Would You Run

A essa altura, o TRI.BE é um desses grupos bagaceiros que variam entre se levar a sério demais e assumir a persona trash proposital da coisa toda. Sendo um dos grupos rookies com “maior destaque” desse ano, tivemos um debut deplorável e um comeback penoso, mas divertido. Não tinha muito o que esperar disso aqui, mas surpreendendo a todos (inclusive eu mesma), Would You Run fez uma bela escala até a posição 99 desse ranking. Não dá pra negar que os versos são blackpinknescos ao extremo, chega a ser até ridículo, mas ali no pré-refrão começa a se formar uma virada maravilhosa, que vai crescendo e explode em um ótimo elemento EDM inspirado nos apertos de botões do Brave Brothers. O Shinsadong Tiger acertou muito com a fórmula repetitiva do EXID depois do viral, então espero que ele consiga se achar mais ou menos nessa sonoridade pras gatinhas do TRI.BE que tá de bom tamanho pra mim .

98. IU – strawberry moon

A IU não tinha obrigação nenhuma de trabalhar esse ano depois do ótimo lançamento de março (que vai aparecer mais pra frente), mas ela insistiu em dropar um single aleatório pra dar uma mexida nos charts. E esse single tem tudo o que eu não gosto na IU, essa coisa meio fofa, meio menina sonhadora de voz doce que canta qualquer baboseira sobre o amor, mas essa é a grande sacada da IU pra ser a personalidade mais queridinha da Coreia do Sul. Eu entendi com strawberry moon o poder dessa mulher como ótima letrista de excelentes metáforas e narrativas emocionantes, quase uma virada de página dos seus 20 anos enquanto vive um amor maduro sob uma lua de morango (que é, historicamente, a época em que os morangos amadurecem). strawberry moon tem ainda a pegada retrô que o lançamento anterior executou muito bem, mas em um tempo mais lento, servindo como um ótimo follow-up pra iniciar seus 30 anos. 

97. ZOC – Danshari Kareshi (PvP version)

É muito doido uma bobajada feito o ZOC ter se destacado tanto comigo ao longo do ano, mais que muitos atos de kpop extremamente famosos e hypados por aí. Mas Danshari Kareshi tem história. Essa versão do álbum PvP sofreu algumas modificações (até por conta de novas formações no grupo, já que a música original é do ano passado), mas a mensagem continua tão forte como antes. Se você der play sem ter um pouco de background por trás, acaba sendo só mais um número maluco de jpop e nunca passaria pela sua cabeça que isso aqui fala sobre um relacionamento tóxico e feminismo no seu máximo. Pois é, a tradução pra Danshari Kareshi é “namorado de merda”, e, no meio de um eletrônico tipicamente japonês, as meninas do ZOC procuram exaltar o amor próprio enquanto cantam sobre todos os homens serem pragas repugnantes. Maravilhoso, apenas.

96. aespa – YEPPI YEPPI

Ainda muito polêmico, o aespa foi um dos grandes destaques positivos com o lançamento do seu primeiro EP, que é surpreendentemente coeso e prazeroso de ouvir. Ele cumpre o papel de ser um trabalho de apresentação de um grupo novo, mas as músicas conversam bastante com o conceito delas e são de qualidade acima do normal. YEPPI YEPPI provavelmente foi a preferida da blogosfera; já pra mim, ela demorou a crescer. Isso porque eu me forcei muito a entender a estrutura disso aqui, que me lembra um pouco de Cool, do Weki Meki, mas bem mais bagunçada instrumentalmente. Só que, quando eu finalmente engoli, achei uma delícia. O ballroom dos primeiros versos se conecta muito bem com o EDM do refrão, que depois acaba virando um trap industrial muito bem feito e consegue dar mais vida ao instrumental todo. Se você ficou chateado com essa sendo cortada tão cedo, saiba que as vespinhas ainda vão aparecer mais um pouco nesse ranking.  

95. WJSN – YALLA

Outro EP excelente que, com certeza, vai bater cartão em outras posições mais altas é o do WJSN, esse que, possivelmente, é o melhor trabalho das garotas cósmicas desde o debut. YALLA pode até ter morrido antes da hora aqui, mas acho que não tira os méritos da ótima continuação que ela propôs a Pantomime, do ano passado: um house classudo e imprevisível, principalmente no refrão que é muito forte e amarra a música como um todo. Ainda assim, o que fez YALLA cair tanto comigo é que, em alguns momentos, ela parece vazia e meio fora de rotação, e isso prejudicou a permanência dela durante alguns meses, mas a safra de demos do WJSN anda ótima de uns tempos pra cá, e essa é só um exemplo do tamanho da qualidade que elas serviram esse ano.

94. GWSN – e i e i o

As queridinhas da blogosfera! O GWSN tem vivido situações de barril durante esse ano, com pouca divulgação, números bem abaixo do esperado e até terceirização da capa do EP, que é uma arte feita pela integrante Miya. Porém, é muito importante não julgar algo assim, principalmente os trabalhos das garotas do parque, que sempre são comparadas ao finado f(x) pelas inovações sonoras e o garage house safado na maioria das músicas. Só que nesse EP elas resolveram sair um pouco da zona de conforto e entregaram faixas ousadas, como e i e i o. Essa aura de conto assustadora é viciante, misturando músicas infantis como Old MacDonald e Head Shoulder Knees & Toes e um instrumental agressivo com letras absurdas sobre tortura e assassinato foi um dos pontos mais criativos do kpop esse ano. 

93. AleXa – Xtra

Muito feliz que a AleXa deixou de lançar aquelas coisas horrorosas pra cair de cabeça numa personalidade mais sassy, fundida num new jack swing meio funk, meio soul que a Christina Aguilera soltaria no seu auge como miss americana lá em 2006. Tem toda uma história conceitual por trás, mas Xtra funciona muito melhor sem todos esses atributos, ainda mais com uma letra engraçadíssima como o verso icônico on my burger and my fries always extra cheese ya, evocando os melhores e mais cafonas momentos da história do kpop, principalmente da segunda geração. A gente teve um verão muito fraco no geral, então Xtra acabou cumprindo a cota muito bem, sendo uma faixa cujo único propósito é se e te fazer rir. 

92. BIBI – PADO

São sempre muito polarizadas as opiniões de um single mais voltado ao indie porque as chances de caírem numa espiral pseudo-conceitual que fede à chatice é muito grande. E dos inúmeros trabalhos com essa pegada descrita acima que a BIBI soltou esse ano, um deles se destaca por ser completamente o oposto, mesmo com as mesmas características. PADO é uma releitura de A Pequena Sereia, em recortes modernos e bem mais sexuais (my ASS-OH-ASS), onde ela é resgatada por um peixeiro que poderia ser muito bem a sua ruína, mas os dois acabam se apaixonando. E aqui, a BIBI até sonha em ganhar pernas, em uma passagem muito legal com pensamentos conflituosos e dilemas entre suas personalidades marinha e humana (representada pela falta de ar ali na ponte), mas tudo não passa de um amor de verão e ambos se separam por pertencerem a vidas diferentes. É um grande exemplo de como o k-indie pode soar menos pretensioso. 

91. Dreamcatcher – BEcause

Verão pro Dreamcatcher é sempre uma incógnita, apesar das gatas já terem mostrado que sabem causar um terror tropical gótico. Mas sempre pinta aquela dúvida se elas vão conseguir se superar ou oferecer alguma coisa meio fora da curva do que a gente já tá acostumado a ouvir. BEcause passou no teste porque, ao mesmo tempo que não se parece em nada com a ambiciona BOCA do ano passado, ainda causa a sensação de histórias assustadoras de um verão qualquer, como Stranger Things fez muito bem na sua temporada mais recente (substituindo o shopping por um parque abandonado). O fato do grupo refinar cada vez mais o som dentro do nicho que se propôs é uma coisa que eu admiro muito. Dessa vez, o instrumental é guiado por um dance-pop que remete muito a Genie in a Bottle numa versão mais acelerada e mais o big beat à la Prodigy que contempla a parte do rap. Só é uma pena que esse EP como um todo acabou sendo um dos mais fracos da carreira delas.

90. Chanmina – A Girl of Tokyo

Parece que não, mas a Chanmina teve um ano movimentado, fechando parcerias importantes e trabalhando nas suas próprias músicas. Essa é a primeira de algumas aparições que ela vai fazer aqui no ranking, juntando a felicidade e a melancolia de forma maravilhosa em A Girl of Tokyo, encarnando a sua melhor Sheena Ringo num número de jazz enquanto observa a cidade de Tóquio se movendo em algo que ela chama de “electric-sad”. É quase um contraponto com os lançamentos de city pop lá dos anos 80, onde a vida urbana era vista com muito otimismo; aqui, as incertezas sobre ser uma nipo-coreana vagando por Tóquio são quase palpáveis, embaladas por riffs taciturnos de guitarra que fazem com que a faixa não seja exatamente o que a gente espera. As auto-reflexões da Chanmina em formato de música quase sempre são um completo acerto.

89. HKT48 – Totsuzen Do love me!

Os grupos 48 também tiveram lançamentos bem interessantes e isso acaba sendo muito bom para as ex-IZ*ONE japonesas que voltaram às suas respectivas posições. O HKT48 é o primeiro deles a aparecer aqui, com a divertida Totsuzen Do love me!, que marca a estreia da Nako como center de um single principal, o que causou um burburinho até que significativo fora da bolha wota. É uma música refrescante e típica das idols japonesas que cantam em coro, mas o intercâmbio da Nako pelo kpop acabou contribuindo bastante aqui, já que é possível notar algumas características do gênero, só que foram incorporadas de forma muito sutil, sem que a marca perdesse a sua personalidade. Acho que o kpop tem muito a aprender com grupos assim, que ditam os costumes no Japão e fora dele como grandes agentes político-culturais. As japonesas do IZ*ONE, por enquanto, só tiveram a ganhar.

88. TWICE – Espresso

Ninguém nesse mundo trabalhou mais que o TWICE em 2021. Haja disposição pra lançar dois álbuns coreanos, um álbum japonês e um single de entrada em inglês e fazer com que todos eles sejam, em sua maioria, bons. O “pior” dessa lista é Espresso, e a música continua ótima. E acho que entendo a estranheza por parte de várias pessoas que ouviram o álbum, principalmente pelo registro vocal bem mais grave que o normal de todas as integrantes e o instrumental, um R&B eletrônico bizarro e desconfortável, colocam a qualidade da faixa em cheque, mas me atrevo a dizer que a letra é uma das melhores que eu já li no kpop em geral. Cheia de metáforas sobre o café e uma boa foda, Espresso é uma cebola, cheia de camadas interessantes a serem descobertas, principalmente pela sua posição um pouco desfavorável na extensa tracklist do Formula of Love. Talvez seja por isso que ela não tenha tido tanto tempo pra crescer em mim.

87. Weki Meki – Who Am I

Antes dadas como mortas, o Weki Meki ressurgiu belíssimo já no finalzinho do ano com um novo EP, que é muito bom por sinal. Em um house simples, mas brilhante, Who Am I se desenrola, e a gente já sabe que elas são especialistas em soltar umas músicas bem catwalk assim. Who Am I me conquistou pelo anticlímax, que é quando você sente que o instrumental vai explodir, mas ele acaba embarcando em notas mais calmas antes de realmente mostrar qual é o refrão de verdade. E eu vivo por isso, é uma ótima música de sala de espera ou de elevador, flertando com as melhores do tipo que existem na discografia do WJSN; o que estraga é o maldito drop + rap ali depois do primeiro refrão e isso destroi qualquer experiência sensorial que ela tente promover. 

86. EMPiRE – HON-NO

Atos da WACK são hilários com a sua história de “anti-idols” e nomes absurdos como “brand-new idol shit” ou o mais recente “anal sex penis”. Essa é a proposta deles, o que não bate muito com o que eu gosto de consumir. No entanto, um deles, o EMPiRE (que também é um acrônimo pra uma coisa ridícula e sem fundamento), acaba indo na contramão, se tornando as melhores representantes dessa empresa pra mim. O primeiro lançamento delas aqui na lista é HON-NO, que serve de abertura pro anime Tenkuu Shinpan, e é um daqueles números bem animescos mesmo, sabe? De instrumental eletrônico bem caótico e que fala sobre morte e destruição, mas o que segura essa narrativa é o MV, lindíssimo, praticamente um culto de meninas presas num universo pós-apocalíptico, dançando passos enigmáticos e tentando sobreviver. É um dia normal na WACK, mas com muito mais qualidade. 

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