Dez album tracks (muito) melhores que seu single

De vez em quando, as gatinhas do kpop soltam um álbum que conta com outras perspectivas e gêneros a respeito da sua trajetória musical. A maioria costuma ser bem genérica e existe pra “encher linguiça”, mas também não é tão difícil encontrar uma jóia escondida que faça nosso tempo de blogueira valer a pena. É por isso que alguns aqui na bolha social escavam mais a fundo pra recomendar músicas alternativas ao single promocional. 

Como eu sou uma dessas que gosta de ouvir o álbum todo, escolhi algumas faixas que chamaram mais a minha atenção que a música principal. Se você acompanha o cenário atual dos girlgroups, sabe que essa tarefa tem ficado cada vez mais fácil dada a situação na qual os singles femininos se encontram, mas tentei me focar em lançamentos que eu gostei mesmo e que acabaram perdurando por mais tempo na minha playlist, então tem coisas novas e mais antigas aqui. 

Eu tinha pensado em organizar o ranking de acordo com o quão melhor a música é em relação ao seu single, mas acho que isso ia resultar em algo que não condiz com meu gosto real. Então vou fazer do jeito clássico mesmo: da menos impactante a mais boazuda, segue aí dez album tracks melhores que os lançamentos principais (na minha opinião, é sempre bom lembrar). 

10. Everglow – Don’t Ask Don’t Tell

Começando a lista com uma novinha, Don’t Ask Don’t Tell tem tudo que não se esperaria do Everglow, mas ao mesmo tempo é tudo que a gente precisava. Ninguém queria as palhaçadas teatrais de First e, mesmo se fosse uma música boa com um MV bom, ainda assim estaria ruim. Don’t Ask Don’t Tell é um número synthpop quase obrigatório na tracklist de qualquer grupo feminino hoje em dia (as empresas, que não são idiotas nem nada, viram que a onda retrô do ano passado renderam algum bafafá) e funciona tão bem a ponto de me fazer esquecer daquela coisa horrenda que elas promoveram. 

09. f(x) – Signal

O Pink Tape tem as melhores b-sides do f(x) e é muito gostoso ouvir o álbum inteiro na ordem, então 1) eu não entendo como promoveram Rum Pum Pum Pum como single (aliás, os MVs do grupo rendem uma lista à parte porque pelo amor de Deus), 2) foi muito difícil escolher uma música que eu considere melhor. Mas acho que, de todos esses anos gostando do f(x), Signal nunca saiu de fato da minha playlist. É praticamente impossível desgostar ou enjoar dela, tem uma vibe meio anos 60/70 deliciosa que me remete muito à música de discoteca raiz. Sem contar que não tem uma vez que eu escute e não cante “sentimental romance” com a Sulli. As meninas venceram nessa. 

08. Girls’ Generation – Motorcycle

Há quem diga que a discografia japonesa do Girls’ Generation é melhor que a coreana (e a melhor japonesa num geral); eu concordo, mas acho que no Love & Peace algumas músicas têm mais apelo comigo do que Galaxy Supernova, como Motorcycle, que é extremamente divertida e viciante. Dava pra construir um conceito inteirinho de motoqueiras gostosas que empinam motos e falam sacanagens aqui (mais ou menos o que o meu eu fã do EXO esperava com Tempo). O único defeito é não colocar quem é fluente em japonês pra cantar mais, mas a música chega a perder seu legado.

07. Chungha – Demente (ft. Guaynaa)

Coloquei a versão inteira em espanhol, mas poderia ser a que tá no Querencia também. Aliás, poderia ser a maioria das b-sides aqui porque acho que é de consenso que a bicicletinha da Chungha gerou uma frustração geral. Demente conseguiu o feito de estar na lista pois, assim como Bicycle, não é algo que esperaríamos da Chungha, mas ao mesmo tempo são músicas extremamente opostas. Aqui ela conseguiu fazer com que o reggaeton não soasse tão genérico e largado como outros atos do kpop infelizmente fizeram. É uma música naturalmente sexy, e o espanhol combinou tão bem com a Chungha que quem é de fora não diria de cara que ela é nativa da Coreia do Sul. Um grande acerto da patroa e de 2021 num geral.

06. Red Velvet – Sunny Side Up!

O Red Velvet tenta seguir a linha experimental que o f(x) fazia na SM (pelo menos eu enxergo assim) e a discografia das boleiras é quase uma enciclopédia musical, mesmo com algumas coisas bem ruins, como Zimzalabim. É como alguns blogueiros já comentaram: tentam empurrar a faixa de summer queens pra elas, mas a maioria não tem o efeito desejado, e ainda assim a empresa insiste. Foi assim que nasceu a dupla The ReVe Festival, com singles infames, mas todo o potencial dessa era tá em Sunny Side Up!, que eu acho a melhor tentativa de verão do Red Velvet até hoje. É uma música contagiante e sensual, um número bem maduro se a gente for comparar com EPs passados do grupo lançados na mesma época. Sou completamente apaixonada nesse instrumental.

05. GFRIEND – Labyrinth

A rasgação de seda pra Labyrinth na época do lançamento foi geral. E não é pra menos: mesmo com o fim do grupo, ainda é possível considerar essa uma das melhores b-sides do GFRIEND. O EP de mesmo nome tem uma tracklist bem chatinha até pra mim que sou fã, mas essa música tem uma energia muito forte, representando uma virada mais adulta nos conceitos de “músicas de anime” que o grupo vinha lançando até então. Se a gente for levar em consideração que o single promovido nessa era foi Crossroads, a tomada de decisão da empresa parece ainda mais injusta, como se não tivessem tido cuidado o suficiente com o planejamento do comeback. O potencial de Labyrinth não foi levado tão a sério como deveria, mas continua sendo uma grande faixa na discografia das minhas filhinhas. 

04. IU – Jam Jam

Opinião um pouco polêmica (talvez): eu odeio o Palette. Eu detesto esse álbum com todas as forças porque ele é muito conceitual e pretensioso pro meu gosto, então prefiro esquecer que ele existe. E só me dá mais raiva pensar que a IU prometeu um MV pra Jam Jam e a pilantra nunca mais voltou. Simplesmente péssimo, a força que essa música tem foi toda pro ralo quando não deixou de ser só uma album track. Tudo aqui é maravilhoso, desde o instrumental synthpop perfection até essas metáforas de sexo e trivialidades condensadas em um pote de geleia artificial quando ela diz “preciso de açúcar, preciso de algo doce (…) por favor, me derreta antes que eu esfrie”. Sim, a letra dessa música é absurda de boa. Por favor IU, lança o MV de Jam Jam e eu digo se me surpreendeu. 

03. GWSN – Tweaks ~ Heavy cloud but no rain

Eu ainda to me acostumando com as músicas do GWSN pra conseguir enxergar além das demos safadas do LDN Noise pro f(x) em 2015. A faixa que me ajudou nesse processo foi Tweaks e, realmente, ela é muito melhor que Bazooka. O instrumental mergulha de cabeça no deep house; ele é promissor e só cresce a cada vez que você escuta. Não é à toa que ela foi a queridinha de dez entre dez blogueiros da minha bolha, transformando o GWSN no grupo de periféricas protegidas pelo código de ética desse site. O the Keys todo não é ruim e vale a ouvida, mas Tweaks é gigante e praticamente engole todas as outras músicas do EP.

02. CLC – Show

Muito estranho falar de uma b-side do CLC porque faz tempo que as bichinhas não têm outra coisa além dos singles pra comentar (aliás, nem single tá tendo mais). Show parece bem qualquer coisa de primeira, mas é uma música explosiva digna de nota e, no fim das contas, acaba colocando No no chinelo. Todos os ganchos dessa faixa são incríveis e o refrão cacofônico é muito viciante, mesmo tendo basicamente a mesma fórmula do single, só que aqui funciona mil vezes melhor. Aliás, Show poderia facilmente entrar na trilha sonora de Showgirls, não por associação ao nome do filme, mas por ter essa energia de boate de gostosas que dançam em cima do balcão. Tá no ponto pra ser o single promocional do No.1 no meu coração. 

01. Lee Hyori – Scandal

Pode ter um pouco de favoritismo aqui? Pode, mas eu não sou um blog imparcial. Já contei a história do H-Logic lá no meu post do Rinha, o lance do plágio e tal, mas ainda assim esse é o álbum mais interessante da Lee Hyori (junto do It’s Hyorish). Os singles variam entre medianos e horríveis, o que faz do restante da tracklist muito melhor, só que Scandal tá num patamar acima das outras. Acho que eu nunca tinha escutado uma música assim: a construção dela é completamente doida e diferente, não lembra nenhum outro grupo ou cantora dentro ou fora do kpop que eu conheça. Quando os vocais da Hyori entram e se misturam com o instrumental, eu me sinto presa e hipnotizada sabendo que eu vou colocar a música no repeat mesmo contra a minha vontade. E esse diálogo com um “jornalista” sobre boatos de namoro? Não sei se tem a ver com a fofoca sobre ela ter pego o Rain, mas enfim… Tudinho pra mim!

Obs: Gente, não me entendam mal, eu até gosto de Star/Voice (mais de Voice, na real), mas a melhor b-side do LOONA pra mim até hoje não é do grupo todo.

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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