Dreamcatcher é enganado pela Árvore e não alcança sua Utopia em novo comeback

O Dreamcatcher tem se tornado um assunto quente no mundo kpop, provando-se um grupo de alto escalão ao conquistar aos poucos toda uma horda de coreanos com sua sonoridade diferenciada, algo que a gente pensou ser inimaginável, já que o público de lá tem um ódio em comum e ódio se chama “o diferente”.

Mas seguimos aqui aclamando a Happy Face por ter percebido que o grupo não iria a lugar nenhum se mantendo como MINX e deu uma repaginada de 360 graus nas meninas, porque a gente tem o privilégio de ouvir músicas tão maravilhosas quanto Odd Eye, que você confere abaixo.

Odd Eye é a continuação da saga do Dreamcatcher em alcançar a Utopia, saga essa que começou em 2020 com o primeiro full álbum da carreira do grupo, o Dystopia: Tree of Language. E me dá gosto de ver como elas trazem coisas com cada vez mais qualidade, fruto de grandes resultados que elas vêm obtendo ao longo dos comebacks. 

Mais uma vez, o Dreamcatcher consegue a proeza de não cair na mesmice (medo que talvez não só eu tenha, porque pode parecer um pouco difícil manter uma identidade sem o receio de ser mais do mesmo), dropando um rock melódico e não tão rápido para esse começo de ano, o que é a pedida perfeita, com um sintetizador macabro dando base para que a música exploda em riffs claustrofóbicos no refrão. 

Essa atmosfera um pouco cética e sem esperança também é transmitida pelo MV, onde as meninas descobrem estar em uma espécie de simulação durante sua jornada para a Utopia, uma mentira que parece ter sido criada pela Árvore. No final, não existe Utopia, nem esperança, nem vida. 

Odd Eye não me fez chorar como a grandiosidade de Scream fez, e também não fez eu me sentir uma gótica gostosa como BOCA fez. Alguns pontos não me deixaram curtir a música de maneira imersiva, como o rap da Dami que eu achei muito deslocado do restante. Mas no geral é mais uma ótima jogada do Dreamcatcher rumo a sua verdadeira Utopia: o first win. 

Escute também: Poison Love

Não sei se eu to ficando doida, mas esse foi o EP menos Dreamcatcher que eu escutei, o que não é necessariamente algo ruim. Acho que elas se deram o direito de experimentar outras sonoridades e acabaram saindo coisinhas muito boas nesse meio. A gente tem um pop rock que poderia facilmente ser uma abertura de uma das trezentas temporadas de Dragon Ball; algo que flerta com o big beat inglês; um tropical house 101 que inacreditavelmente saiu do Dreamcatcher; e um synthwave delicioso chamado Poison Love, que eu escolhi pra representar as bsides do Road to Utopia. Com uma letra que fala sobre um amor tão forte que te envenena, Poison Love tem uma atmosfera etérea e um instrumental que quase não se modifica ao longo de seus quase quatro minutos. Certamente é um estilo que eu não esperaria ver de um grupo como o Dreamcatcher, mas que me surpreendeu de maneira super positiva. 

Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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