Completamente sem paciência pra Yena e sua ode à eterna adolescência em Hate Rodrigo

Tá, fazia um tempo que eu não pegava um lançamento pra comentar, mas o anúncio da nova da Yena me deixou curiosa sobre duas coisas. Primeiro: em qual cafeteria o Everglow tá trabalhando? Pirate já virou uma breve lembrança na minha cabeça e a Yuehua simplesmente finge que essas monas nunca debutaram, e eu acho bem difícil o pigmeu assunto desse post ser a fonte do sustento delas a ponto de só enfiar todo mundo no porão. Não que eu seja a fã mais assídua do Everglow, mas eu tenho experiência em sofrimento com o f(x), então consigo me compadecer da situação.

A outra coisa é que, desde a divulgação do nome desse single, eu fiquei pensando em quem seria o tal Rodrigo que a Yena tanto odeia. O Dougie, investigativo como é, sugeriu dez possíveis indivíduos (post engraçadíssimo, por sinal) e, no meio deles, estava a senhora Olivia Rodrigo, que anunciou recentemente seu segundo álbum e trouxe de volta mais uma vez uma enorme horda de “adolescentes” pro pop rock. Como eu sei que uma empresa de kpop jamais jogaria hate de propósito num artista internacional tão querido por lá, ficou óbvio que a Yena seria uma dessas pessoas convertidas.

Pelo menos o pop rock trouxe uns números bem divertidos pro kpop, né?

Sim, mas não parece ser o caso de Hate Rodrigo. Na verdade, eu tomei esse tempo digerindo a música pra refletir se, de repente, essa é uma daquelas situações onde o kpop simplesmente não foi feito pra pessoas da minha idade ou que eu já passei da época de me prestar a esse papel. Quer dizer, o álbum da Olivia Rodrigo não tem nenhuma utilidade pra mim hoje em dia; não consigo me conectar com as faixas ou os temas que ela aborda justamente por não ser mais uma garota de 18 anos desiludida que acabou de tomar um pé na bunda. E a construção do Sour não é nada digno de nota, né? É só uma coleção de composições de uma adolescente revoltada pronta pra embarcar numa jornada de autoconhecimento. Eu já passei dessa fase há muitos anos.

Mas é aí que tá: na época do lançamento, eu ouvi o Sour e… Gostei. Não amei, mas consegui relacionar momentos da minha vida com aquela sonoridade ora raivosa, ora melancólica. E nem precisei passar pelas mesmas situações, mas o sentimento genuíno e, principalmente, confuso tava lá. Ame ou odeie, a Olivia Rodrigo conseguiu evocar a emoção do pop rock da década retrasada sem ao menos ter nascido e isso, pra mim, é o exemplo mais bruto, mais concreto de nostalgia. 

Só que esse é um sentimento com duas facetas. Nem tudo que é retrô consegue transmitir nostalgia, e é nesse limbo perigoso que Hate Rodrigo mora. Depois que a gente descobre esse “segredo”, parece óbvio demais. A Yena montou uma armadilha muito convincente: a sonoridade, os visuais, a edição, tudo aqui existe pra te induzir a associar esse número todo com um pedaço do seu adolescente interior, que sempre parece despertar quando as memórias de um tempo distante se fazem presentes. Mas isso é um erro porque Hate Rodrigo não tem o fator mais importante: a emoção. Pode ser tudo muito bem pesquisado, construído, pode parecer bonito e encher os olhos, mas a Yena não sabe exatamente o que ela quer transmitir aqui, então Hate Rodrigo perde o encanto logo quando a gente percebe o “segredo”.

Acho que é possível dizer que o maior erro da Yuehua no momento é dar muitos holofotes pra Yena sem ao menos ter certeza de que imagem querem que ela tenha. Ela vai ser uma super-heroína tosca que luta contra a tristeza ou uma adolescente cheia de fúria cujo coração parece estar prestes a explodir se não for correspondida? Eu sei que a primeira opção não fez tanto sucesso quanto gostariam, mas pelo menos foi uma tentativa mais genuína do que seja la que tá rolando agora. No geral, eu gosto da Yena como solista. Foi uma surpresa muito boa no ano passado e que eu não gostaria de ver caindo no ostracismo por falta de direcionamento, mas não sei se vou ter paciência pra vivenciar mais uma presepada dessas. 

Escute também: Wicked Love

A prova de que a Yuehua atira pra todos os lados com a pobre da Yena é essa música aí. Não digo que poderia ser single no lugar do que realmente foi, até porque as duas são quase opostos e eu acho que precisaria retrabalhar todo o conceito, mas Wicked Love é TÃO superior… É como o encontro da Britney Spears com o rock naquele cover divônico da Joan Jett, só que pra um lado menos sujo da coisa. Wicked Love apresenta de vez o lado mais sóbrio da Yena e como ela consegue fluir entre essas personalidades com facilidade. Diria até que ela consegue ser uma versão contida da BIBI aqui, e não me surpreenderia se fosse mesmo a inspiração dela. Enfim, é consistente e BOM, no nível “quero ver mais disso em outras oportunidades”.

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