Kpop, News

Chiquita é o grito de resistência oitentista do Rocket Punch que todos nós queríamos ouvir

Quase nunca um raio cai duas vezes no mesmo lugar, mas quando o Rocket Punch anunciou o comeback mostrando praticamente a música inteira nos teasers, a gente sabia que coisa boa estava sendo feita nos forninhos da Woolim. Depois que Ring Ring abocanhou um top 3 na minha lista do ano passado, as expectativas cresceram demais em torno disso aqui, mesmo com todo o dinheiro da empresa ter ido parar no debut IUzado da Eunbi. 

Pois estava marcado no calendário: 28 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, o mundo seria purificado com a beleza de mais um conceito retrô do Rocket Punch. Com o orçamento de uma coxinha na rodoviária do Tietê, mas não importa porque elas vieram determinadas a salvar o kpop, principalmente depois que a JYPE cagou nas nossas cabeças a diarreia mais fudida da história. 

Prontos pra embarcar nos sintetizadores exageradíssimos do Rocket Punch? 

YASSS SLAY KWEENS!!!!!! Quando você pega uma demo de algum grupo dos anos 80 e trabalha em cima dela, botando uns vocais ardidos de um bando de coreaninhas, não tem como dar errado. Sério, não tem. O Rocket Punch provou que o gênero retrô é o favorito de dez em cada dez gays com Ring Ring quando socou a mesma fita de Take on Me nos nossos ouvidos; deu certo e seria idiotice demais largar o conceito de mão justo agora, por isso a Woolim novamente pegou as referências de época, dessa vez de alguma gaveta perdida do Soft Cell, e trouxe uma versão ainda mais barulhenta e caótica do que seria a new wave. Assim nasceu Chiquita.

Pra não parecer muito parcial, queria deixar um comentário sobre a estrutura da música que vai parecer mais um fato curioso do que uma crítica em si. Normalmente, esses singles de kpop começam muito bem e tendem a cair a partir da segunda parte. É bem comum que os produtores coloquem as partes mais chamativas entre os primeiros versos e o refrão porque depois, principalmente se a música for mais frenética, vem uma respirada (que nem sempre é boa). Se foi proposital ou não, nunca vou saber, mas Chiquita começa MUITO estranha. É quase um mashup de duas faixas que não combinam entre si, parecido com o que tem aos montes na internet, do tipo “como o Red Velvet soaria se fosse lançado na MTV dos anos 90” e aí a música em si não tem nada a ver com Red Velvet ou anos 90. 

Mas é como se elas botassem a mão no meu ombro e pedissem calma, e aí as monas se jogam (e me jogam) num túnel colorido e, de repente, cá estamos nós no meio de um monte de sintetizadores Yamaha que explodem a cada palavra que elas cantam, resultando naquela onda de felicidade que Ring Ring causou, mas com o fator nostálgico que o lançamento passado não tinha. Acho que o MV contribui muito pra esse novo sentimento, já que ele é bem mais imersivo na temática retrô, repleto de neons e efeitos especiais que acabam me remetendo a isso, mesmo que involuntariamente. 

Pensa que acabou? Que nada, já que Chiquita ainda arranja mais um espaço pra brilhar quando tudo desacelera na ponte, o que parece bem contraditório quando estamos falando de uma música tão enérgica assim. Mas não é exatamente o momento mais calmo que ganha destaque, e sim o que vem depois dele, quando o instrumental dá uma virada e os sintetizadores parecem ainda mais elaborados, dando lugar pra que os vocais do Rocket Punch, tão criticados em Ring Ring, pudessem mostrar suas cores verdadeiras. Esses últimos segundos de música vão ficando cada vez mais melancólicos como um fim de festa, as vozes parecendo um singelo apelo pra que a faixa não acabe, cada vez mais instrumentos vão entrando… E tudo vira um monte de ooh-ooh-ooh-chiquita-chiquita-what. É lindo, lindo demais.

A Woolim ter concedido esse conceito ao Rocket Punch me parece a escolha mais certeira pra carreira delas. Ao mesmo tempo que tudo se encaixa naturalmente, pode ser lido como uma espécie de transição dos três primeiros EPs que elas lançaram, já que o grupo acabou amadurecendo junto com a sonoridade mais retrô e isso meio que deu um charme a mais. Chiquita é um enorme acerto no geral, mas mais que isso: é um grande passo pra que o Rocket Punch tenha sua assinatura dentro do kpop. Agora que a trend passou, é a hora delas se destacarem, pelo menos entre as blogueiras que vivem por esse tipo de conceito. Nossas heroínas!

Escute também: In My World

Eu falei do orçamento da Woolim pro Rocket Punch, mas eu acho que foi um dos casos onde o dinheiro foi mais bem aproveitado e distribuído pras suas determinadas partes. O single tá bem produzido, o MV é mais que decente, os figurinos e props tão muito bons e ainda rendeu um EP, que é o Yellow Punch. E não pensem que as músicas são de se jogar fora porque a tracklist tá bem coesa e amarradinha, com o bônus de não terminar numa balada ou soft R&B como 99% dos grupos fazem. Eu gostei de bastante coisa, mas In My World se destaca por ser a versão fofa da title. Os sintetizadores são muito Pretty in Pink (que, inclusive, completa 36 anos hoje), uma coisinha bem adolescente nos anos 80, colorida, feliz, talvez uma música que seria sucesso na voz de alguma one hit wonder da época. Se você precisa de uma dose de serotonina a mais nessa segunda-feira (tipo eu, que to trabalhando), eu recomendo demais essa daqui. 

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2 comentários em “Chiquita é o grito de resistência oitentista do Rocket Punch que todos nós queríamos ouvir”

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