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Pacotão AYO GG | As 100 melhores de 2021 (25-11)

E chegamos com a parte da lista de fim de ano que, na minha opinião, causa mais polêmica: as verdadeiras cortadas do top 10, músicas essas que foram realmente cogitadas a fazer parte da nata em algum momento, mas que, por n circunstâncias, não passaram do corte final. 

Acho que podem rolar várias surpresas aqui, principalmente com faixas que eu prevejo vocês falando que foram barradas injustamente, outras que talvez possam ter ficado alto demais em comparação com o que eu divulguei do ranking até agora, mas assim… Gosto é gosto, né? Querem fazer suas apostas pra descobrir quem foi a coitada que ficou na rabeira enquanto se deliciam com a enorme quantidade de bops do TWICE morrendo aqui? 

25. Kyary Pamyu Pamyu – DODONPA

Esse pancadão da Kyary Pamyu Pamyu é uma delícia. É como uma viagem de ácido muito boa que a gente não quer que acabe, sentindo o instrumental pulsar cada vez mais forte enquanto entregamos absolutamente tudo de nós numa rave duvidosa, dançando feio como se ninguém estivesse vendo. Eu gosto da faceta nóia da Kyary e DODONPA é exatamente isso, com uma letra que não faz o menor sentido, mas é chiclete e faz você querer gritar donchi donchi dodonchi donchi donchi donchi dodotsuki donchi até os confins do universo, sempre esperando a próxima batida frenética dos sintetizadores do Nakata. O lyric video que a música ganhou complementa a loucura que é ouvir DODONPA; trinta segundos disso e você já se sente completamente chapado, quase como se pudesse tocar o vídeo com as mãos. Eu esperei um número assim sem nem saber que eu de fato esperava, mas que bom que a mente do Nakata brilhou no momento certo e abençoou os dez anos de carreira da Kyary com essa maravilha que é a melhor produção dele de 2021. 

24. GWSN – I Can’t Breathe

GWSN é sinônimo de qualidade aqui na blogosfera, sendo uma fonte infinita de garage houses safadíssimos expropriados das falecidas função de X. Só que, muito mais que isso, o grupo soube identificar no ano passado o desgaste do gênero pra apostar em outras coisas igualmente interessantes. A melhor do último EP das garotas do parque é I Can’t Breathe, um dark pop que brilha exatamente por ser assustador, misterioso e hipnotizante. Os vocais são de outro mundo, quase sobrenaturais, graças aos efeitos distorcidos, as harmonizações masculinizadas que soam como lamentos vindos dos fundos de uma mansão mal-assombrada, e o refrão sussurrado que arrepia até o meu último fio de cabelo. I Can’t Breathe já começa forte quando o primeiro verso diz take me I am a sacrificial lamb, e eu sinto como se estivesse escutando um culto demoníaco. Acho que se Tweaks foi a grande estrela de 2020, ganhando MV de tudo quanto é tipo, essa daqui merecia a mesma atenção. Uma pena que a vida do GWSN tá por um fio, aumentando as incertezas sobre o futuro do grupo a cada dia. Se eu pudesse mudar o mundo por elas, eu mudaria.

23. Everglow – Promise 

– Melhor CF – 

Atuando como embaixadoras da campanha da UNICEF para proteger crianças com dificuldades ao redor do planeta, o Everglow lançou Promise, um synthpop inofensivo e quase sem graça. Então por que a música tá numa posição tão alta, você me pergunta. Simplesmente porque é o Everglow e, fazendo um comparativo com outras coisas que elas desovaram em 2021, Promise parece tão boa de se ouvir. É uma versão mais leve de LA DI DA, que canta sobre a paz, espalhando felicidade e esperança pelo mundo na figura de uma criança, que é basicamente onde a humanidade sempre depositou seus votos de um futuro melhor. A introdução é mágica e o refrão é uma gracinha, mas o legal de Promise tá nos sintetizadores surpreendentemente fortes dos versos, que deixam a faixa com aquela característica de girl crush que o Everglow tem, sem pesar a mão no instrumental tentando parecer “bom demais pro kpop”. A Yuehua já aposta nessa sonoridade pra algumas b-sides do grupo, mas ver um single (mesmo que especial) nesses moldes estendeu a vida útil delas comigo. 

22. LOONA – WOW

O LOONA continua sendo um caso complicado comigo. É foda ser viúva do Jaden, mas não tem como não mencionar a falta que o olhar e direcionamento únicos do cara faz pro grupo. Porém, a boa notícia é que, apesar do single horroroso usado nas promoções dessa era, esse último EP tem uma tracklist bem boa, talvez a melhor desses mais de três anos de OT12, e WOW explode em disparada como a b-side mais legal da história do grupo. Essencialmente a música é um jazz, muito levada pelo lado musical da coisa, como se fosse um grande espetáculo da Broadway, até mesmo lembrando a origem de tudo com a Heejin lá em 2016, numa versão muito mais agitada, mas igualmente classuda e sexy. É um lado retrô que eu gosto no kpop, de artistas como a IU e a Ailee sabem fazer, só que eu não via um grupo apostando nessa sonoridade desde o Mamamoo nos primeiros trabalhos. As harmonizações dão uma alegria a mais na coisa toda, e a vibe combina demais com o LOONA. Um número burlesco adolescente de qualidade. 

21. TWICE – Scandal

Mais um ótimo exemplo da Dahyun como compositora, Scandal grita “sou gostosa” pra todos os lados, desde a letra sem vergonha até o instrumental disco-funk provocativo, perfeito para ser ouvido numa noite bem quente de verão. A adição do piano, que emoldura o refrão praticamente inteiro, é pegajoso e viciante, ao mesmo tempo em que soa familiar, como se fosse perfeitamente chupinhado de alguma fase do Streets of Rage (só procurar no Youtube a música Keep the Groovin’ e você vai entender que eu não to louca). Atualmente, o TWICE é um grande expoente em sonoridades retrô, já que, desde o desabrochar com Fancy, essas garotas não param de entregar bops no mesmo estilo. E eu, que sou ratazana de músicas assim, amo demais; e também amo que o grupo consegue soar cada vez mais adulto, como se a gente pudesse acompanhar esse crescimento a cada álbum. Na ótima lista de álbum tracks do TWICE, Scandal é uma das mais sugestivas, sensuais e convidativas da carreira, daquelas que, mesmo se o grupo acabar um dia, a gente vai lembrar sempre que tiver oportunidade. 

20. 3YE – STALKER

Provando que a parcela nugu do kpop soube muito bem se destacar com a blogosfera durante 2021, temos aqui o 3YE e a maravilhosa STALKER, um EDM classudo com elementos de house saídos diretamente dos anos 90 que fez a minha cabeça por praticamente todos os meses desde que saiu. O 3YE é um trio que veio sei lá de onde e eu sempre soube que elas lançavam uns bate-lata péssimos, mas com essa daqui elas me conquistaram. Tem algo em STALKER que te puxa, talvez seja o refrão extremamente energético, que explode depois de um anticlímax recheado de um boom-boom-boom-boo-doo-doom-boom hipnotizante e que não te preparada pro que vem em seguida. E esse refrão cresce numa constante até chegar no seu ápice, uma verdadeira rave particular nos seus ouvidos. STALKER prova que não é preciso se apoiar num trap industrial derivado do Blackpink para ser um grupo de minas fodonas, apesar de ter um verso nesse estilo, mas que não destoa do restante da proposta. Se a fanbase não se contentasse tanto com pouco, talvez essa daqui fizesse um pouco mais de barulho. 

19. YUKIKA – Lovemonth

Antes de abordar o tempo no seu último EP, a YUKIKA apareceu com esse pré-lançamento que serviu pra botar expectativas enormes nas cinco pessoas que acompanham a carreira da japonesa mais coreana de Seul. Lovemonth é linda, mas mais que isso: é uma das composições mais inteligentes da YUKIKA, e a forma como ela relaciona elementos tão clichês como o amor e a lua, fazendo com que isso pareça a reinvenção da roda é maravilhoso. Embalada pela sonoridade dos anos 70/80 do city pop, exercendo aquele papel de ser o reflexo do máximo otimismo do Japão nessa época, Lovemonth soa… Melancólica demais. Querer que o tempo congele pra viver um mês de amor incondicional é tão utópico, mas ao mesmo tempo tão triste; um paradoxo fantástico sobre o que o city pop representa e a idealização de algo praticamente impossível de acontecer. E tudo isso repleto de sininhos e sintetizadores cintilantes, além do timbre de quem tem fé no futuro, o YUKIKA-sound que enche nossos corações de emoção. 

18. Secret Number – Fire Saturday

Cinco reais, uma demo de trance datada e calças boca de sino: foi assim que a concepção de Fire Saturday nasceu, vinda de um grupo que fez muito barulho por absolutamente nada no seu debut. O Secret Number era uma incógnita pra mim, um daqueles atos que a fanbase jura que vai acontecer por detalhes que, na real, não fazem diferença pra quem consome o kpop diretamente, como ter uma ex-Future 2NE1 e a primeira idol indonésia da história na formação. São narrativas tocantes que fazem com que a grande parcela internacional da comunidade aclame por alguns meses pra depois cair no esquecimento. E olha que engraçado, Fire Saturday tem essa exata descrição do começo do parágrafo, tinha chances de dar certo? Por serem nuguzonas, a ousadia fala mais alto e, caralho, como deu certo! A introdução trance promete muito, quase teletransporta o ouvinte pra uma década onde o 2NE1 era o momento. E quando a música abre com uma porrada de papapuns em cima de uma camada de EDM, somos todos surpreendidos de maneira positiva. Fire Saturday foi uma chance em trilhões e, bom, não deu tão certo assim comercialmente falando, mas é ótima o bastante pra estar aqui. 

17. TWICE – SOS

Mais um exemplar do Taste of Love morre aqui, mas não acho demérito. De seis faixas, quatro apareceram nesse listão, sendo a última delas SOS, outro número perfeitamente emulado da discografia da Kylie Minogue. O disco melancólico de fim de festa, que ainda flerta com uma pitada de city pop, com todas pedindo socorro tal qual um sonar captando um objeto perdido em alto-mar, foi uma ótima escolha pra encerrar o álbum. E olha que poderiam ter fechado a tracklist com qualquer coisa, mas esse EP é tão redondo e comprometido com a sua proposta que dá gosto de ver o TWICE se entregando de corpo e alma num projeto. É como se fosse o resumo perfeito de uma viagem de verão, onde você sente o gosto das saudades que aquele período vai deixar, mas sem se arrepender de nada do que aconteceu. Não é à toa que a review do Beats Per Music diz que SOS é memorável o bastante pra se tornar uma favorita dos fãs: é exatamente isso, uma música que vai perdurar por anos como amostra de uma das discografias mais gostosas da história do kpop. 

16. WJSN – UNNATURAL

– Melhor efeito Apink –

2021 foi um grande ano pro WJSN. Renegadas pela Starship (principalmente agora com o novo girlgroup em vista, roubando todos os prêmios dos music shows), o conceito delas se perdeu bastante nos últimos anos, deixando pra trás toda aquela atmosfera de garota cósmica e casas do zodíaco com a qual elas debutaram. E, com isso, o grupo sumiu do meu radar, até o momento em que a empresa resolveu distribuir a pílula apinkzadora pra que elas entregassem uma das melhores farofas sensuais do ano. Isso é UNNATURAL, uma revisitação de outra música que elas lançaram lá no comecinho da carreira, mas com muito mais elegância, um totem moderno e melhorado do antigo sexy concept que inundou o kpop na década passada. Num ballroom noventista chiquérrimo, o WJSN suspira pelos cantos sobre como elas não conseguem fingir normalidade diante de um amor tão forte, mas o melhor de tudo é que o instrumental deixa pistas de que o passado mágico do grupo não morreu, mesmo que não seja mais servido em doses cavalares. Se a onda do Apink sexy trouxe somente bons frutos, o WJSN é o maior exemplar deles.

15. bugAboo – bugAboo

– Melhor debut –

Sim, fãs do IVE (que inclusive não vai aparecer aqui): esse foi o melhor debut do ano passado, quer você queira ou não. E, assim, elas não precisavam mesmo se esforçar pra entregar isso aqui porque, com um nome ridículo desses, o grupo parecia fadado ao fracasso. Que nada, meus amigos… O bugAboo nasceu de quina pra lua e se tornou a merda mais divertida de 2021, provando meu ponto de que esses grupos mais low profile, daqueles que não prometem absolutamente nada, acabam servindo tudo e mais um pouco. O que não falta na self-title é ousadia, misturando um europop vencidíssimo e um negócio meio velho oeste, soando como uma história antiga passada por gerações. Sem falar na sonoplastia, né? Eu vivo por esses efeitos de cavalo relinchando, chicote estralando e os trompetes malucos no refrão que são absurdamente mais altos que o restante da música. Mixagem de outro nível, porra. bugAboo é tão brega que faz a curva de forma lindíssima, se tornando um candidato perfeito para o que chamam de camp. Daqui uns anos, vocês vão ver a fanbase cultuando essa música como um filme trash, e eu vou ficar feliz de dizer que eu avisei.

14. Purple Kiss – Cast pearls before swine

Teve uma época em que era quase obrigatório os grupos terem um número reggae no EP. Não sei se isso caiu em desuso, ou eu que não prestei atenção, mas o Purple Kiss acabou servindo duas amostras, sendo que Cast pearls before swine foi a que mais durou comigo. Primeiro por ser uma versão mais selvagem de Skip Skip, do álbum de estreia, e, consequentemente, mais melancólica (e mais bem produzida). A música toma o versículo bíblico sobre jogar pérolas aos porcos pra cantar sobre vingança e, por isso, eu consigo extrair uma tristeza estranha daqui. É uma sensação de solidão, aquela que existe entre o descobrir a verdade sobre alguém e o processo de amor próprio, nem que ele seja conquistado na base do ódio. Cast pearls before swine toma pra si um instrumental que remete a um barquinho flutuando sozinho no oceano, e é um dos melhores exemplos que mostra essa mistura de “cores” do Purple Kiss, transitando do azul triste e vazio ao vermelho passional e agressivo, pra dar origem a um hino glorioso de superação. 

13. TWICE – The Feels

Como todo mundo viu, o TWICE trabalhou horrores em 2021. O lado coreano se sobressaiu, o japonês foi uma esquisitice só e, surpreendendo a todos, surgiu uma terceira via: músicas em inglês. Foi a forma que o JYP encontrou de fazer com que o seu grupo, já consagrado em terras asiáticas, trilhasse um novo caminho no ocidente com The Feels. E, provando ser um filho da puta esperto, ele acertou em cheio na sonoridade dessa aqui. A faixa foi um sucesso absurdo; fez entradas ótimas na Billboard Global e bateu ponto nas listas de melhores do ano desses sites especializados, como o Pitchfork, Rolling Stone e NME. Não é pra menos, The Feels é uma delícia absurda, ao mesmo tempo que serve como um paradoxo interessante na discografia do TWICE. Diferente do que tivemos ao longo do ano, o instrumental é bem simples e até manjado, um funkzinho torto que funciona quase 100% das vezes, mas serviu como um ótimo cartão de visitas (tanto que hitou horrores no Tiktok). Se o BTS deixou a entrada mais acessível para o kpop, saibam que o TWICE foi quem abocanhou a oportunidade da forma correta, referenciando divas pop do momento pra dar a sua cartada global. Só não foi a melhor porque outra música delas totalmente em inglês conquistou um espaço maior no meu coração.

12. WJSN The Black – Easy

– Melhor sub-unit –

O WJSN rendeu duas vertentes totalmente opostas: a divertida e tosca Chocome, que emula grandes sucessos do trot coreano e de grupos icônicos como o Crayon Pop e o Orange Caramel, e a The Black. A Starship reuniu um quarteto de gostosas do grupo e deu uma demo roubada da gaveta da SM pra elas fazerem o que quisessem; e elas fizeram bem mais que isso. Easy surgiu assim, como um bando de garotas imitando os números do Taemin e deixando tudo ainda melhor, elevando o conceito sexy pra um patamar acima, com mulheres de terno rebolando num deep house descaradamente safado. É bem curioso ver como essa identidade mais “masculina” pode ser bem trabalhada quando se tem vontade de sair do senso comum, uma produção bem densa que exala esse charme que dizem que boygroups possuem, mas numa faceta muito mais feminina, sensual, inebriante, que te sufoca. Sem contar a high note que é basicamente um gemido, né? O direcionamento do WJSN como um todo tem se mostrado maravilhoso e minha única reclamação é sobre como essa unit saiu tarde do papel. Talvez só estivessem esperando o momento certo de soltar pra mostrar pra todo mundo como é que se faz. 

11. Everglow – Pirate

Pirate saiu outro dia e conseguiu a proeza de pular até a 11ª posição dessa lista. Pois é, por pouco essa belezinha não figura no top 10 e foi por puro merecimento do Everglow, que finalmente deixou de lado todas aqueles batidões histéricos e a pretensão ridícula de parecerem fodas o tempo inteiro e se jogaram de cabeça num EDM da década passada, assim como o T-ARA faria. A graça de Pirate é não se levar a sério, nesse instrumental caótico e datado onde elas cantam que as mulheres vão conquistar o universo, e isso é simplesmente perfeito nos momentos em que eu só quero ouvir kpop como uma adolescente nos anos 2010. Pegaram a pavorosa So What do LOONA e a groselhona do Weki Meki chamada Cool e bateram no liquidificador, e o resultado foi essa crocância aqui. Eu juro que não aguentava mais as lacradas do Everglow soando vazias e forçadas, vendo todo mundo bater palma pro óbvio, mas acho que finalmente entendi o propósito do grupo: o segredo é ouvir sem esperar nada, porque é assim que músicas não-intencionalmente divertidas como essa surgem. Ainda bem que deu tempo do grupo fazer a volta e recuperar o péssimo 2021 que elas tiveram. 

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