Em Door, Eunbi entra na nossa casa e come toda a nossa família sem nem pagar um cafezinho antes

Se tinha alguém do IZ*ONE que eu não esperava debutar solo era a Eunbi. Na verdade, eu tinha algumas apostas e nada tá acontecendo do jeito que eu imaginei #crise. Pra Eunbi, eu pensei que o ideal seria ela cantar algumas OSTs e ter alguns singles digitais pra manter o nome vivo, mas a Woolim acabou me surpreendendo ao ter um plano todo montado pra gata assim que o IZ*ONE desse seu canto do cisne. 

Pula pra hoje com o lançamento de um FUCKING EP. Pois é, a empresa apostou logo um mini álbum, tentando fazer da Eunbi a sua própria potência solo e competindo com outras ex-Producers por aí. Assim começa a onda inevitável de debuts solo do IZ*ONE, mas talvez todo mundo esteja surpreso pelo pontapé inicial não ter sido dado pela Chaeyeon. 

Prontos pra abrirem a porta? Vamos dar uma olhada no MV antes de começar.

A impressão que me dá é que Door parecia ser uma música muito forte enquanto instrumental, mas com a adição dos vocais da Eunbi, ela perde um pouco desse apelo. É como se pudesse funcionar bem sendo uma demo do IZ*ONE, talvez teria sido uma boa despedida no lugar de Panorama por combinar mais com aquela estética de cinema e tal, mas um pouco desse brilho foi embora nas mãos de quem sempre pareceu meio alheia ali dentro do grupo. Ainda assim, é um ótimo debut e eu vou tentar te explicar o porquê. 

Um jazz contemporâneo meio pop sempre cai bem comigo. Acho que rende os melhores números e, de quebra, as melhores histórias. É o que acontece em Door ao trazer a narrativa mitológica da caverna de Platão pra dentro do kpop. Dentro de casa, a Eunbi é segura, comedida, receosa, vivendo um dia de cada vez entre quatro paredes tediosas; porém, o mundo reserva um trilhão de novas oportunidades da porta pra fora. E é curioso a Eunbi enxergar pela janela a Eunbi coelha, é quase como se fosse o coelho apressado da Alice correndo de lá pra cá, despertando a curiosidade do outro lado. Afinal, não foi por conta da pressa do coelho que a Alice caiu na toca direto pro país das Maravilhas?

Portas são alegorias muito comuns na cultura pop. São elas que nos reservam surpresas, mas nunca sabemos se são boas ou ruins, por isso a Eunbi canta cada vez mais, eu sinto uma emoção destemida quando a porta se abre. Nesse caso, o sentimento que cresce dentro do peito a cada porta aberta é o prenúncio de que a Eunbi talvez já soubesse que um amor a aguardava do outro lado, senão a curiosidade não faria sentido de existir. E, ainda usando a história da Alice (que pode ter ou não usado o mito da caverna como base), se temos uma Eunbi coelha nesse rolê todo, ela mesma fornece dicas de como abrir as portas dentro de si já que, segundo o Coelho Branco, “a eternidade, às vezes, é apenas um segundo”.

Tudo bem, teoria montada. Agora, por que algumas coisas acabam não funcionando da forma que deveriam aqui? Acho que poderiam ter viajado muito mais nesse conceito do que realmente temos como produto final. Door é um pop jazz excelente, quase se dividindo sozinho em atos por conta do seu instrumental cheio de camadas, feito um livro ou filme mudo. Talvez tenha faltado a tal da tridimensionalidade que solistas como a IU sempre entregam com esse tipo de música (temos o Modern Times como um ótimo exemplo). É uma carcaça bonita, mas faltou corpo. Faltou a Eunbi se entregar de verdade pra uma música tão poderosa quanto essa, como se ela estivesse armada com um revólver de gatilho quebrado. 

Mesmo sem historinha profundamente viajada no ácido ou carisma por parte da Eunbi, eu considero Door um ótimo debut, ainda mais sendo a intérprete quem ela é, e todo o histórico de “simplesmente não ligo se ela faz parte do IZ*ONE ou não” que ela tem comigo. Já tá muito acima da minha expectativa e cumpre a meta de me conquistar sem que eu precise ouvir de novo e de novo, entrando num loop infinito de desgosto como outros lançamentos desse ano. 2021 é o ano das solistas mesmo. Não sei se a Eunbi vai se destacar nesse mar de gente, mas que bom que a Woolim deixou uma porta aberta pra ela se aventurar.

Pra não estragar a sua experiência com Door, não vou recomendar nada do EP da Eunbi. A gente finge que ele nunca existiu e tá tudo bem. Abra essa porta e coma o cu da minha família, Eunbi!

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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