Sunmi reacende o debate falido sobre cringe com You Can’t Sit With Us

Não sei a opinião geral da blogosfera, mas a Sunmi é uma artista que eu sempre espero muito e, na maioria das vezes, sou bem alimentada por ela. E ver que ela finalmente lançou seu terceiro EP depois de três anos do Warning aumentou ainda mais as minhas expectativas pelo que poderia vir, mesmo sabendo que uma solista do porte dela pode segurar um full muito bem. 

Pois bem, Sunmi está de volta com um single de nome bem curioso, no mínimo. You Can’t Sit With Us faz referência a um clássico girly dos anos 2000, e esse é mais um dos lançamentos femininos coreanos que se utilizam da estética Y2K pra promoção (pena que os outros dois não deram tão certo assim). Como a Sunmi é a rainha do aesthetic retrô, a gente pode confiar de olhos que ela vai entregar qualidade aqui. 

Primeiro, vamos dar uma olhada no MV (que é recheado de história). 

Às vezes fica difícil de acreditar, mas a Sunmi tem 31 anos (pela idade coreana). Difícil porque ela consegue encaixar esses conceitos mais joviais com muita credibilidade, se passando por Geração Z mesmo sendo, tecnicamente, uma “cringe”. E mais que isso: a estética Y2K veio antes de muito kpopper que aclama ela no Twitter, mas ainda assim a renovação que a Sunmi promove na sua imagem faz com que o lançamento seja extremamente refrescante, como se nunca tivesse sido feito antes.

Dito isso, como o Arthur bem comentou no post dele, ela se aproveita dessa roupagem mais jovem e traduz num grande feed aesthetic que é o MV de You Can’t Sit With Us, quase uma Olivia Rodrigo “velha” (e servindo muito mais carisma) tentando se comunicar com os mais novinhos. A diferença é que a Sunmi deve ter vivido tudo isso: o icônico V3 da Motorola, locadoras de DVD e Meninas Malvadas, o que faz tudo isso ser muito mais verdadeiro do que um punhado de fotos do Pinterest. 

Ainda sobre o MV, que doideira conectar esse conceito com From Dusk Till Dawn, filme cult escrito e estrelado pelo Tarantino em 1996. É aí que a estranheza do pseudo-gênero “Sunmi music” mora, esses cruzamentos bizarros de referências da cultura pop com uma sonoridade bastante característica que nem sempre conversa com o restante. Foi assim com a excelente TAIL, e foi assim com outros lançamentos dela; não poderia ser diferente aqui. Pode ser uma abordagem genérica, juntando todos os trapos que tão na moda atualmente e costurar, mas é o que a Sunmi faz de melhor. É assim que ela continua conquistando o kpopper novo. 

Sobre a música, You Can’t Sit With Us não é aquele follow-up que a gente esperava pra TAIL, mas é uma faixa legal de ouvir se ignorar alguns elementos bem desnecessários, como o rap. Ganha pontos por ser totalmente em inglês, mas quebra bastante da fluidez da música e eu até colocaria numa caixinha de raps constrangedores que eu tenho na minha cabeça (quem sabe eu faça uma lista falando disso). Outra coisa: desde sempre (pelo menos, desde Gashina) a Sunmi escreve sobre amores acabados e superação, então eu tava esperando um show de misandria aqui, com ela metralhando uma horda de zumbis arrependidos, mas… Por que ela ficou com o cara no final, se ele é odiado? Péssimo desfecho do MV pra quem me ensinou a odiar homens. 

Num geral, a Sunmi sabe o que dá certo pra ela e também entende a cabeça do jovem kpopper, que muitas vezes era um bebê de fraldas durante o sucesso do Wonder Girls. Pra se manter em relevância, surgem coisas como You Can’t Sit With Us, e não acho que ela tá errada de ir pra esse lado genérico não, afinal, os mais velhos considerados “cringes” já ganharam seu mimo referenciando seu próprio debut solo no começo do ano. Ela tem seus dois públicos, sabe se comunicar com eles quando quer e, contanto que ela lance coisa boa no fim do dia, por mim tá tudo bem. 

Escute também: Call

Como eu disse no começo, ter um mini álbum da Sunmi depois de três anos é, ao mesmo tempo, uma delícia e uma revolta sem fim pelo porte dela como solista. Por exemplo, o ⅙ renderia uma tracklist excelente de nove, dez faixas bem trabalhadas. A gente sabe que ela consegue, Abyss. Mas, já que é o que temos pra hoje, a gente precisa aproveitar. Como muitos comentaram, o ⅙ parece uma coletânea do Summer Eletrohits e, apesar de ter sido lançado só no Brasil pela Som Livre, eu não negaria se a Sunmi dissesse que bebeu dessa fonte. Ela explorou muitos gêneros da música eletrônica aqui, fazendo com que esse EP seja muito mais consistente que o Warning (que muitos julgam uma bíblia, mas eu nem gosto dele tanto assim), além de ter uma característica bem veranesca em todas as faixas. Call foi a que eu mais gostei, me lembra das músicas do Cascada com uma pitadinha de Bob Sinclair, um número influenciado pelo eurodance muito bem executado. A gata acertou demais nas referências. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

5 pensamentos

  1. “o jovem kpopper, que muitas vezes era um bebê de fraldas durante o sucesso do Wonder Girl” – Já vi canal de youtube grande a aclamado que, ao contar a tragetória da Sunmi, IGNOROU a existência do Wonder Girls kkkk Boa parte do povo não deve saber nem que elas existiram kk

    Mas, de certa forma, eu concordo contigo (concordamos em muitas coisas mesmo kk), mas achei que o caráter mais inventivo e meio estranho dela se perdeu um pouco aqui… Acho que, apesar de ser um clipe lindo e ter cenas lindas, é o pior dela desse quesito…

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  2. Que Sunmi é a Uhm Junghwa dessa geração, todxs nós já sabemos. Mas o que me preocupa é que o k-popper coreano atual não tá aceitando ela, tanto que a coitada flopou feio nesse ano, mesmo servindo como sempre. Medo dela se render a algum trap 101 ou alguma música maçante de cafeteria

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