Finalmente a Heize fez valer o seu debut lançando Happen

É isso mesmo que você leu, vadia. A blogosfera (eu) está se mobilizando pra comentar um dos lançamentos mais improváveis em muito tempo: uma música da Heize! Parece que ir pra PNation fez bem, mesmo tendo vivido em situação de barril por meses (nem Instagram a coitada atualizava), mas tudo não passou de uma jogada de marketing, não é mesmo? 2021 tá um ano perigosíssimo pros ansiosos, é surpresa atrás de surpresa. Eu que o diga. 

Enfim, a Heize está de volta em uma nova empresa, sendo esse seu primeiro lançamento desde quando ela receitou aquele diazepam chamado Lyricist no ano passado. E acho que é de costume deixar essas músicas da Heize como som ambiente enquanto faz outra coisa porque é tudo tão sem graça que já tava virando rotina. Só que com Happen as coisas rolaram de um jeito diferente.

Vamos dar uma olhadinha no MV.

Happen é sobre coincidências. Esse é o mote do MV todo, recheado de encontros e desencontros entre a Heize e o ator Song Joongki. Quem nunca teve essa sensação antes? De ver uma pessoa ou presenciar fatos, e, de repente, alguma coisa dentro da gente diz que aquela não é a primeira vez; o famoso déjà-vu, fenômeno “místico” que a ciência ainda não consegue reproduzir nos laboratórios. E a Heize passa isso de uma forma tão palpável, mas ao mesmo tempo tão inacreditável, que o enredo todo do MV se torna extremamente carismático. 

Ao longo dos segundos, fica meio impossível não torcer a favor do casal que está se formando ali, quase um romance slow burn condensado em quase quatro minutos e que tem tanta história pra contar. Como a Heize conheceu esse cara? Como ela se apaixonou? Como eles se cruzam tanto e quase não se veem? Happen até soa contraditória quando fala sobre acontecimentos sem acontecer quase nada, mas acontecendo tudo. Sabe assim? Esses pequenos plot twists de encontros, quando finalmente a gente acha que eles vão trocar olhares, mas aí… A vida volta aos trilhos de novo.

Eu acho que esse MV é tão inteligente que ele acaba sendo aberto a várias interpretações. Porque, se por um lado, a Heize canta que, pra ser uma coincidência tudo parece pré-determinado demais, também é possível que, dentro de um coração apaixonado como o dela, esses encontros sejam produzidos. Ou seja, Happen levanta um grande debate a respeito do destino e do acaso, e o que de fato rege a nossa vida. Estamos todos determinados a encontrar alguém, ou os seres humanos só vivem no automático?

Essa dualidade é representada pelos próprios personagens do MV, sendo a Heize o destino, e o Joongki o acaso. Isso fica muito claro em várias cenas: enquanto ela carrega um livro chamado “A Coincidência”, ele parece escrever uma tese chamada “A probabilidade de uma coincidência”. E, a partir daí, Happen de desenrola em uma série de encontros e desencontros que culminam na parte da galeria de arte, o grande clímax de tudo. No que a Heize chama de “um pequeno ponto chamado destino”, as linhas se cruzam e o casal se enxerga. Pelo destino ou pelo acaso? Enquanto o personagem masculino caminha, diversos recortes de cena aparecem, sugerindo ser fragmentos de memória da Heize depois que ambos se encontram de vez. 

E é aí que mora a grande sacada do MV. Não só tudo acabou sendo mais uma tentativa frustrada de começarem uma história juntos, como fica claro que se tratava da própria Heize alimentando suas expectativas o tempo inteiro. Joongki passa reto por ela. Talvez eles não precisem se encontrar nessa vida; talvez eles sejam duas linhas paralelas no espaço-tempo e tá tudo bem. Nem sempre um déjà-vu é um acontecimento real, às vezes esperamos demais que o universo mexa seus palitinhos e aja ao nosso favor. 

Happen é um grande acerto da Heize comigo, eu sinto como se ela tivesse acabado de debutar. Deixando de lado todas as baladas e músicas de cafeteria sem expressão, esse novo lançamento é um R&B delicioso com influências do funk music, e o MV que acompanha vem com um belo acréscimo do conjunto todo, enriquecendo visualmente a letra super bem escrita por ela própria. 2021 realmente tá seguindo um curso estranho, comigo gostando de várias coisas que jamais pensei gostar. Posso chamar isso de destino ou acaso? 

Escute também: Flu (ft. CHANGMO)

Mais uma cantora coreana lançando uma música chamada Flu num espaço de tempo curto em meio a uma pandemia, e eu destacando de novo. Não tem muito que fazer, até porque é a melhor faixa da tracklist do EP da Heize, só que, diferentemente da IU que comparou o amor com sintomas de gripe de uma forma mais boba, aqui tem uma carga bem dramática em cima do que parece ser um término, e esse tipo de letra mais melancólica já é característico da Heize. Porém, o que me fez destacar essa música das demais foi uma influência muito forte da sonoridade do Epik High, até perceber que Flu foi composta pelo Tablo. Acho que isso deu uma diferenciada na música; esse instrumental mais pesado e a presença do CHANGMO no segundo verso contrastam bem com a voz aguda dela, fazendo com que a faixa seja um número bem interessante dentro do EP.

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

4 pensamentos

  1. Quem diria que Heize se renderia ao instrumental de disco-funk TÃO corriqueiro no k-pop? Como vc mesma disse, a mudança de empresa fez bem a ela, pois JAMAIS imaginaria ela cedendo a algo comum, porém eficiente no k-pop. Pontos pra ela e pra P-Nation do PSY, que de pouco em pouco, tá estruturando uma boa discografia a favor da empresa. Aliás, Lunei deve ter curtido seu post inconscientemente, já que né

    Curtido por 1 pessoa

    1. o bom de ter cedido a uma sonoridade mais “pop” é que ela conseguiu trabalhar o conceito todo do mv, unindo letra e clipe, e tudo ficou muito mais interessante do que se fosse um negócio que ela tá acostumada a fazer. é a melhor música dela em, sei lá, anos.

      Curtido por 1 pessoa

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