Com Easy, o WJSN The Black se torna uma unit inesperadamente boa e bota todos os outros grupos pra mamar

Seguindo o cronograma do mês de maio, que promete ser arrebatador, a Starship lançou a segunda unit sob a marca do WJSN. Pra quem não lembra, ano passado tivemos o Chocome, que lançou uma música de procedência duvidosa, mas que funcionou muito bem dentro do Tiktok e lembra grupos da segunda geração, como o Crayon Pop. Agora temos o The Black, que segue uma proposta bem diferente.

A música escolhida pra estreia foi Easy e, pelas fotos, eu fiquei com medo de duas possibilidades: ou de ser um trap industrial bem xexelento, ou de ter a sonoridade parecida com UNNATURAL (o último comeback do grupo principal). Felizmente eu fui bem servida, vocês não imaginam a delicinha que tá isso aqui.

Por favor, ouçam primeiro pra entenderem os parágrafos a seguir.

Hoje eu li dois comentários muito interessantes no Facebook sobre a nova geração do kpop. Interessantes no sentido de alienação mesmo, achei curioso como as opiniões, às vezes, podem ser um pouco desinformadas (pra não dizer burras). A discussão era sobre a sonoridade dos novos grupos que estão surgindo (que claramente está mudando, e pra pior, isso é um ponto de discussão meu e de outros colegas da blogosfera). O primeiro comentário dizia que o kpop não muda “do nada”, de um ano pra outro, e o segundo dizia que é necessário mudar. 

Daí eu quero falar sobre o debut do The Black tomando como base esses dois comentários. É óbvio que o kpop não muda do dia pra noite, nada muda desse jeito. A derivação sonora que a gente tanto fala foi algo gradual: funcionou com o Blackpink e foi se espalhando aos poucos pelos outros grupos, até resultar nas péssimas músicas que temos hoje. A música é mutável; se não fosse, todo mundo estaria escutando música erudita até hoje. Mas a mudança de som se tornou tão frenética que o kpop hoje é uma grande massa homogênea. Daria até pra dizer que é um grupo enorme lançando música por units. 

Por isso é muito ruim acompanhar uma estreia esperando o pior. Claro, a gente pode se surpreender, como aconteceu aqui, mas tira o prazer do negócio, ainda mais em tempos de pandemia onde a gente só quer ter um pouco de entretenimento, como por exemplo um quarteto de gostosas planejando um assalto. Diferentemente daquele outro grupo lá, Easy serve o verdadeiro conceito máfia: bem feito e que me convence a entregar até minha própria vida só pra deixar elas pisarem em mim. 

Eu absolutamente amo que vasculharam as melhores demos do Taemin, Wonho e até da Chungha, e criaram esse número delicioso de deep house. Como o nome da música diz, Easy é uma música muito fácil de ouvir, apesar da densidade do conceito. É baseada em diferentes registros vocais das integrantes e brinca muito com as sonoridades e quebras de expectativa no instrumental, se assemelhando muito a UNNATURAL, mas com direcionamentos bem diferentes, como uma unit que se preze deve ser. 

Concluindo meu pensamento do início do post, fica muito claro que as empresas estão apostando na uniformização dos girlgroups, que, durante muito tempo, foram o diferencial do kpop, tornando o ano muito produtivo com os vários conceitos que elas se aventuravam a fazer. Agora os rumos genéricos do kpop estão tornando tudo uma massa amorfa de músicas desinteressantes, barulhentas e de péssimo gosto que apenas boygroups entregavam. Easy pode ser considerado também um lançamento masculino interpretado por mulheres, mas vem de uma safra mais interessante que mencionei mais acima, o que faz do The Black (e do WJSN no geral, já que o último mini delas é tão bom que eu comprei uma cópia física) um dos grupos mais curiosos de se acompanhar atualmente. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

3 pensamentos

    1. na verdade essa reflexão eu tive por conta de uma reflexão sua no post do itzy (do comeback, não do álbum) que faz muito sentido, essa massa amorfa e apática péssima que vários grupos estão derivando

      Curtido por 1 pessoa

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