O valor de uma mulher dentro da indústria do kpop

Com a pauta escassa no começo de ano, eu preciso me virar nos 30 pra trazer alguma coisa e deixar o site movimentado e com algum conteúdo legal. Então, enquanto eu rolava o feed do Twitter (me sigam lá também, aqui oh), eu encontrei duas notícias que chamaram minha atenção e me deram um insight sobre qual tipo de assunto eu poderia abordar aqui, fora do âmbito de lançamentos e reviews.

Daí eu pensei: bora botar essa galera pra pensar um pouco. Esse tipo de conteúdo é mais sério (não que eu faça as coisas por meme, ou será que faço?), então não é sempre que eu vou ter essa elucidação, mas acho que vale a pena usar o blog como um espaço de discussão de vez em quando.

Enfim, o Koreaboo postou uma matéria sobre a Bomi, do Apink, que recentemente participou de um programa chamado My Fanta House (esses programas coreanos tem uns nomes assim né, acho tudo) com a sua colega Chorong, e em dado momento abre-se uma discussão sobre casas feitas com argila vermelha.

A Bomi comentou que tem procurado casas feitas com esse material por conta de algo, no mínimo, tenebroso que aconteceu com ela por volta de 2016, antes de promoverem o comeback daquele ano. Ela entrou numa dieta e perdeu de 8 a 9 quilos e isso fez com que a imunidade dela despencasse.

Perdi bastante peso, por volta de 8, 9 quilos. Meu sistema imunológico ficou enfraquecido e eu acabei desenvolvendo dermatite atópica. 

Era como se formigas andassem pelo meu corpo. Tentei dormir com as minhas mãos amarradas pra não me coçar, mas quando eu acordava, percebia que me soltava durante o sono e minhas mãos estavam molhadas de sangue de tanto que me cocei. 

Tentei vários tratamentos, mas no fim das contas o que deu certo comigo foram os produtos naturais. Desde então, passei a ficar interessada em produtos desse tipo, como vestir roupas enriquecidas com argila.

O que me assusta aqui nessa história toda não é só o fato da Bomi ter desenvolvido uma eczema, mas também como esses relatos são normalizados na indústria coreana. Quer dizer, o que interessa no final das contas é ter um corpo dito “apresentável” pra promover; quais métodos, adversidades e qualquer outra coisa que aconteceu pra se chegar ao resultado final é dito na maior naturalidade.

Lendo essa matéria, eu comecei a me perguntar qual o real valor de uma mulher dentro do cenário de entretenimento coreano. Uma coisa é certa: elas possuem validade, e enquanto estiverem no prazo, são admiradas por alcançarem algo que é completamente irreal e não saudável.

Então me deparei com outra matéria no mesmo dia. A Johyun, integrante de um grupo menos famoso, o Berry Good, participou de um canal do youtube chamado KPOP IDOL OLYMPIC. De acordo com essa matéria do Allkpop, a Johyun, que já foi patinadora antes de ser idol, compartilhou seus pensamentos em relação à imagem mais sexy que ela tem dentro do seu grupo.

Não me sinto pressionada. Sou grata pelas pessoas gostarem desse meu lado mais sexy, mas às vezes eu penso: “Será que as pessoas gostariam de mim se eu não fosse assim?”

Esse pensamento deve ser muito comum dentro do kpop. Eu imagino que idols acabem refletindo sobre isso no fim do dia, se as pessoas em volta as tratariam do mesmo jeito se não fosse isso ou aquilo. Ler essa declaração da Johyun dói, porque é pequena, mas tem um impacto enorme.

Algo que a Coreia faz questão de lembrar todos os dias, seja em programas de TV, em comentários do Naver ou qualquer outro lugar, é que idols femininas, independente do seu trabalho e importância cultural, são mulheres. E mulheres, dentro da cultura oriental (e ocidental também), precisam se encaixar em um padrão. Precisam estar sempre bonitas (mas não tão bonitas), jovens e à disposição.

Vamos lembrar do caso do Stellar. Grupo produzido pelo Eric Mun, do Shinhwa, o Stellar guardava grandes expectativas desde o seu debut em 2011, que infelizmente fracassou por falta de qualidade tanto musical quanto do MV. Depois de mais algumas tentativas que não deram certo, o grupo foi totalmente repaginado pra um conceito mais sexy e provocativo, que também acabou gerando feedbacks negativos para as meninas.

Tudo isso a gente já sabe porque foi revelado tempos depois pelas próprias integrantes, já fora do Stellar. Também estamos acompanhando a Gayoung no Miss Back tentando recuperar sua confiança depois de anos de abuso por parte da empresa, a Polaris Entertainment.

O que a gente não sabe é que, ano após ano, novos grupos surgem, lutando por um espaço dentro dessa indústria. E, pra isso, elas precisam estar 100% apresentáveis, sorridentes, submissas a qualquer proposta. Depois que o caso do Stellar veio à tona, será que não existem meninas que são abusadas por figurões do entretenimento? Será que não existem acordos absurdos para que elas alcancem um pequeno sucesso e sobrevivam?

O valor de uma mulher dentro da indústria do kpop depende do quão fragilizada ela está, emocional e fisicamente. O que vocês pensam sobre o assunto? Deixem aí nos comentários.

Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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