Super Lady é uma música bem bizarra e a culpa nem é do (G)I-DLE, é minha (eu acho?)

Ao longo dos anos, eu conquistei uma relação de amor e ódio com o (G)I-DLE. Comecei amando até as músicas soarem todas iguais, então passei a odiar. Quando a Soojin saiu, o grupo sofreu uma metamorfose tão grande que nem dá pra chamar de revamp; foi bem mais que isso. E aí voltei a gostar delas muito mais do que antes, até as composições da Soyeon entrarem num ciclo vicioso de novo porque, aparentemente, ela se fixa muito em determinados detalhes ou assuntos e consegue esgotar os recursos muito rápido, ao mesmo tempo que ninguém mais pode mexer nas produções senão elas perdem a característica que dá aquele toque especial que só o (G)I-DLE tem.

Sendo sincera, não me importei o suficiente com os teasers e sequer lembrei que esse comeback veio acompanhado de um pré-release, então não tenho muito pra dizer a respeito. A thumb pelo menos tá bonita.

Sempre que eu ouço um lançamento pela primeira vez, existem três opções primárias. A primeira é gostar, simpatizar e ouvir mais uma vez no Spotify pra ter a certeza de colocar a música na playlist do blog, ainda que ela não dure tanto nos meus ouvidos. A segunda é o oposto: detestar, odiar, sentir repulsa (já ocorreu), correr pro Twitter e falar mal; às vezes até acontece de, mais uma vez, ouvir de novo e confirmar o diagnóstico, ou talvez processar o motivo de tanto nojo. O que nos leva pra terceira possibilidade, que deve ser a mais comum. Costumo voltar atrás nas minhas decisões, então pode ser que escutar novamente sirva como uma reavaliação de todos os meus sentimentos com o pedaço de mídia que eu acabei de consumir. Talvez eu tenha gostado do refrão, mas não dos versos. Talvez a produção seja um grande problema e se fosse trabalhada de outra forma, a música teria um novo significado pra mim. Talvez seja só um lançamento mediano mesmo e tá tudo bem. 

Hoje, ouvindo Super Lady, eu acabei desbloqueando uma nova reação: gostar e não gostar. E não é no sentido que eu descrevi no parágrafo de cima, de botar na balança e não considerar certas coisas a favor de outras; eu literalmente gostei e não gostei. Ao mesmo tempo. E isso fica tão contraditório na minha cabeça, sabe? Tipo uma palavra proibida que não deveria ser dita em hipótese alguma. Super Lady é tão intrinsecamente boa e ruim, entrelaçada por produções e letras que são e não são ao mesmo tempo que chega a ser bizarro. Perguntei pra amigos e eles disseram que isso é possível, mas não parece ser o caso porque não existe cálculo matemático ou ponderações que eu consiga fazer. Desde o momento que eu ouvi, é algo que vem me martelando. Achei que daria pra expressar em palavras, mas acho que to meio louca nas descrições. 

Acho que o melhor exemplo que eu posso dar é um produto produzido por “proto” inteligência artificial. Comerciais esquisitos com figuras que parecem humanos de seis, sete, oito dedos e vozes distorcidas ou que não pronunciam direito as palavras, e caem diretamente no vale da estranheza. Super Lady começa animada, mas é atravessada por um tom altíssimo da Soyeon e o clima imediatamente se torna dramático. Os versos que seguem voltam com bastante carisma e o pré-refrão da Miyeon de repente soa como uma composição do Teddy Park. E o refrão? É uma delícia perdida do catálogo EDM do T-ARA, quando elas eram mais odiadas que o Kim Jongun, com vozes minimamente processadas por computadores do mesmo jeito que a segunda geração fazia. E depois ele evolui pra um treco teatral meio 9MUSES, virada essa que eu achei muito pequena. O refrão todo é minúsculo, aliás. Visualmente, é um suco geladinho de década passada, quando o cromado estava na moda, mas como um MV consegue ser tão rico e tão pobre ao mesmo tempo? Será que Super Lady realmente é uma música que deveria existir em condições normais?

Comecinho de noite dessa segunda-feira e ainda não sei descrever o que eu achei do comeback do (G)I-DLE, e acho que a minha bolha tá mais ou menos no mesmo caminho. Teve gente que chamou de 2NE1, teve gente que chamou de 4Minute, teve gente que chamou de bosta, teve gente que fez remix pra melhorar pontos cruciais da produção (eu particularmente não gostei, deixou a música uniformizada demais). Por mais disruptiva que seja, Super Lady vai continuar num limbo dentro dos meus pensamentos. Se fosse mais comprida, se não tivesse tanto a presença da Soyeon, se as catchphrases não fossem tão constrangedoras, não sei se tem coisa demais acontecendo na faixa, ou se coisa de menos, sei lá. O resultado é inconclusivo até eu entender o que foi que eu ouvi. 

Também não sei qual faixa do álbum recomendar, mas é porque é tudo muito ruim mesmo. Tá, nem tudo, Vision é legal. Escutem Vision então. Yay!

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3 comentários sobre “Super Lady é uma música bem bizarra e a culpa nem é do (G)I-DLE, é minha (eu acho?)

  1. Acho divertidíssimo acompanhar você cobrindo os lançamentos do gidle, acho que são sempre meus posts favoritos seus. Acho que o problema dessa música comigo é ser muito curta, geralmente eu não ligo tanto pra música de 2min, mas tudo aí é tão minúsculo que eu fico meio sem reação com a música.

    Pelo menos, para mim, é mais digerível que queencard!!!

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