As dez músicas barradas do meu ranking de 2023

Dezembro vai passando e o ano alcança seus momentos finais antes de dar a última volta em torno do sol e, aqui no AYO GG, é época de desovar algumas retrospectivas. A primeira que decidi escrever foi a lista das dez músicas que, por diferentes motivos, não passaram na peneira e ficaram de fora da playlist oficial. Como eu vi que nenhum colega meu da blogosfera começou os trabalhos, não tenho quem provocar nesse disclaimer, mas já adianto que essa é uma lista não tão empolgante ou que possa mover torcidas de grupos rivais, algo assim. 

Talvez eu fale melhor sobre isso na primeira parte do top 100, mas acho que vale dizer por aqui também porque é o principal motivo desse post ser mais morno do que os dos dois últimos anos. 2023 foi um ano MERDA. Não só porque grupos de gerações passadas estão cada vez mais limitados em seus lançamentos, mas não teve quase nada que seja novo e me faça perder as estribeiras, pensando em como duas, três, quatro faixas poderiam lutar pela posição mais alta, não teve um clássico ou um debut memorável. Que ano horroroso, fedido, capenga. 

110. AI – World Dance (ft. Chanmina)

Já quero largar aqui o spoiler de que essa vai ser a única aparição da Chanmina nessas retrospectivas, o que por si só diz muito sobre o ano fraco e anêmico da gata, que teve de se escorar na AI (vejam bem) pra conseguir atrair minha atenção. Isso que eu já não conheço praticamente nada da discografia dela, tá? Enfim, World Dance é uma ótima faixa, ahm, dançante do começo da década passada. Ela realmente evoca esse sentimento coletivo que os artistas e jovens brancos num geral tinham em 2010 quando o electropop tava em alta, de festejar segurando seus copos plásticos como se fosse o clipe de Just Dance, da Gaga. Inclusive, em vários momentos que vão além da produção e do nome, as duas músicas se parecem bastante. A canetada da Chanmina é exatamente o segmento que eu gostaria que ela adotasse daqui pra frente, nem que seja em um lançamento só. Uma parceria bem inusitada, dado ao histórico de rapper das duas, que deu certo. 

109. Nogizaka46 – Monopoly

A grande maioria das músicas atuais desses grupos do Sakamichi Series são um grande hit or miss: ou eu gosto bastante, ou eu abomino completamente. Nessa leva, acho que o Nogizaka46, o mais famoso dos três, tem levado a melhor comigo. Só pra comparar, Monopoly saiu oficialmente há umas duas semanas e já foi o suficiente pra escalar a playlist e ficar numa posição relativamente alta, mas eu acho que ela acerta vários pontos cruciais que fazem com que um número desses grupos gigantescos tenha o porte e a carga emocional exatas pra funcionar. Já nas primeiras notas, a gente consegue ver como Monopoly surra toda a discografia recente das chacretes de Akihabara, justamente porque parecem não ter medo de usar essa abordagem mais teatral e novelesca com elas. E conforme os minutos passam, essa dramaticidade só ganha mais e mais força. Não à toa o Nogizaka46 é, hoje, a maior referência de grupo japonês (e quem provavelmente paga as contas do Akimoto). Se tivesse saído um pouco mais cedo, teria subido bem mais. 

108. Reina Washio – Tsuyoku Hakanai Monotachi (ft. Tokimeki Records)

Fazendo esse post, descobri que Tsuyoku Hakanai Monotachi na verdade é cover de um single bem famoso de uma cantora chamada Cocco e, com isso, caí numa toca de coelho com várias versões diferentes (Miliyah Kato, Aimer, até o Bentley Jones tá envolvido??). Ainda assim, a minha preferida continua sendo a da Reina Washio. A forma como a faixa foi desdobrada e teve os compassos trocados deixou tudo com um aspecto tão gostosinho, quase como um sonho. E como eu acho que essa vagabunda canta muito bem, a voz dela vai desenhando o instrumental e transforma tudo num grande compilado de sons para dormir tranquilo. Não é o tipo de música que eu me vejo gostando tão fácil (nem essa e nem a original), mas foi o primeiro passo certo que a Reina deu desde que acabou com o E-girls pra perseguir uma carreira solo. Tem mais uma dela que ainda vai aparecer no top oficial. 

107. LOVElution – Speed Love

O efeito NewJeans na música coreana proporcionou uma avalanche de faixas que caminham pelo drum and bass e suas variações do começo do milênio. E quando um gênero acaba se popularizando, é normal que a grande maioria seja um pouco parecida entre si, mas nenhuma dessas músicas soa tão abrasileirada quanto Speed Love, presente em um dos 50 álbuns que o grupo modular do Jaden Jeong lançou (caralho, que canseira desse homem). Uma falha desses trabalhos do tripleS é as faixas serem muito homogêneas, mesmo em units diferentes, então Speed Love dá uma sobrevida pro catálogo das coitadas. Gosto de como isso se parece com qualquer coisa que o Kaleidoscópio já lançou, e não duvidaria se as referências realmente viessem daí, mas esse foi um momento onde o safado do Jaden conseguiu provocar a Min Heejin fazendo a mesma coisa, pelo menos pra mim. Só lamento por ter esquecido a existência dessa música logo depois que saiu.

106. Purple Kiss – Sweet Juice

Quando o momento chegar, um tal de Lunei vai tentar te enganar dizendo que 7HEAVEN é o melhor kpop do ano, sendo que o Purple Kiss mesmo não lançou nem a melhor música vinda de um grupo que tenha uma cor no nome. Dito isso, Sweet Juice é bem mais interessante. Aqui, elas voltam pro lugar onde tinham parado lá no comecinho do ano passado, numa abordagem mais psicológica a respeito do terror e uma faixa que faz muito sentido dentro da proposta inicial. Eu sei bem que a empresa não faz ideia do que fazer com o Purple Kiss, por isso essas oportunidades de comebacks temáticos com “possível” retorno acabam passando despercebidas. Isso aqui em outubro seria uma delícia. De qualquer forma, não é um grupo que vá durar mais de dois anos daqui pra frente, então se puderem apostar em todos os conceitos possíveis, uma hora elas me arrebatam de vez. 

105. Chilli Beans. – doll

Não faço ideia do que seja um Chilli Beans. Quer dizer, é um prato mexicano e uma marca de óculos, mas a banda mesmo nunca tinha ouvido falar até o Youtube me recomendar essa música aí que, cá entre nós, é boa demais. Nas pesquisas, descobri que elas são uma das artistas favoritas do autor de One Piece, e também li que elas assinaram um contrato com a avex, então o novo álbum e o clipe acima provavelmente tem orçamento provido pelo XG. Como não tenho histórico com elas, não sei dizer se isso estragou ou não o som da banda, mas eu mesma me apaixonei pelo andamento de doll, e como ela passa de um pop introspectivo pra um instrumental mais grooveado, principalmente pelo baixo. A vocalista tem uma voz bem “escola Lilas Ikuta de artistas japonesas”, se é que isso faz algum sentido: é um vocal açucarado e que cai muito bem com esses números mais místicos. Não ouvi o álbum novo ainda, mas se for bom, ele entra na lista do ano que vem.

104. TWICE – Blame it on Me

Não sei se isso é consequência dos anos, com a terceira geração toda morrendo aos poucos e tal, mas o ano do TWICE foi estranho. De lançamentos coreanos, tivemos só esse EP aí, que traz consigo algumas faixas legais, mas é bem mediano, tanto que a primeira aparição delas nessa retrospectiva é na peneira de barradas. Eu gosto de Blame it on Me, principalmente como ela emula essa coisa meio Shania Twain no final dos anos 90 (ou, pras mais novinhas, Taylor Swift no começo de carreira); definitivamente, um “country contemporâneo” era a última escolha que eu esperava pro TWICE, mas caiu bem pra elas. O que dificulta meu apego e não consegue elevar a faixa mais pra cima é que algumas decisões que foram tomadas na produção deixam ela toda bem chata. Acho que é uma música pra momentos específicos, daquilo de ser boa, mas não boa o tempo inteiro. Isso é algo recorrente nesse álbum mais recente do grupo, como vocês vão ver nos próximos dias. 

103. aespa – Don’t Blink 

Já o aespa encontrou seu caminho no cenário e se consolidou dentro do meu coração. O 2023 dessas mocreias foi, de longe, o melhor run do kpop nos últimos tempos. É impressionante como elas se recuperaram e levaram uma porção de desacreditados pelo caminho (eu inclusa). Don’t Blink estar aqui não quer dizer nada além disso: foi um ano extremamente proveitoso, com uma pedrada atrás da outra, e até as mais fracas merecem destaque. Eu comecei a gostar mais dessa aqui recentemente e reparei que a produção é insana de boa, como se pegasse todos os elementos da música do TWICE aí em cima e batesse com um martelo até não sobrar mais nada além de farelo. E é com esse farelo que elas criam uma nova música, apenas resgatando pedaços da guitarra country que introduz a gente a Don’t Blink, um vislumbre do que a música poderia ser, mas não foi. E ainda bem que não foi. 

102. ExWHYZ – Answer

A essa altura, vocês já devem saber o quanto eu gosto do ExWHYZ. A blogosfera tá sempre me mencionando quando fala de algum lançamento das queridas e não é pra menos, porque meu trabalho é atormentar todo mundo pro desgraçado do Watanabe se convencer de colocar elas na line-up de algum evento de anime. Não muito diferente do ano passado, o ExWHYZ vai marcar presença em outros momentos do top 100, então não faz mal pra mim sacrificar Answer agora, que é mesmo a mais fraquinha delas nessa leva (tirando alguns desvios de caráter extremamente dispensáveis que rolaram mais pro final do ano). Desse novo ciclo do grupo, Answer é a que mais se aproxima do que o antigo EMPiRE fazia, mas sem a agressividade roquista. É quase o casamento perfeito entre essas duas identidades, e o trap, por incrível que pareça. só tem a acrescentar nessa mistura. Se você não gosta das pirações eletrônicas que eu mostro aqui de vez em quando, talvez seja uma boa porta de entrada pra conhecer as monildas. 

101. Kalen Anzai – Heaven

Eu li uma coisa no blog do Dougie sobre essa música e me escangalho de rir até hoje: Heaven é a melhor música da pior artista que você já conheceu. Não entendo o gerenciamento por trás da Kalen Anzai e nem sei se um dia quero entender (até porque eu tenho certeza que a gente nunca mais vai ver a prima de novo), mas caralho, como essa música é boa. Nos 48 do segundo tempo, antes de deletar a própria existência do planeta, ela lembrou que era essa artista meio cyberpunk com umas demos crocantudas no bolso e soltou essa que deve ser a melhor da carreira dela. Precisava gravar um visualizer sentada (e com a maior má vontade) igual a Mariah Carey? Acho que não, mas não sei o quanto de grana do XG chegou pra ela, então ganhar um álbum e ter pelo menos uma música inédita audível nessa joça com certeza foi a maior conquista da Kalen enquanto cantora. Como a avex deixou ela morrer com esse bop inacreditável, achei que seria simbólico deixar ela morrer na beirada do top 100. Kalen Anzai nas alturas!

Vocês sabiam que agora eu vendo minhas artes? Lá na Colab55 tem algumas opções de produtos com estampas que eu fiz e você pode comprar pra ajudar essa pobre coitada que escreve o blog.

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11 comentários sobre “As dez músicas barradas do meu ranking de 2023

  1. speed love é sensacional, se o jaden tivesse pego o trem dessa + number 8 no mini dava pra ter feito o trabalho mais diferente do tripleS até então… e eu não acho que pareça tanto newjeans, mas entendo como elas acabaram sendo o vetor do drum n bass/breakbeat que os grupos de kpop tão usando… embora pra mim seja uma trend da mesma natureza da febre que foi o tropical/deep house entre 2015~2018: é um som que eu gosto MUITO, com o qual é difícil de errar mas poucos grupos conseguem fazer o som ser realmente deles.

    agora um pouco nada a ver com o comentário, mas eu gosto muito da comunidade criativa que orbita em torno do newjeans, e acabo gravitando bastante em procurar conteúdo (seja design gráfico, fanart, remix, etc.) desses grupos novos da quarta geração. acho que eram uns poucos grupos que inspiravam uns trabalhos de fã tão sofisticados na terceira geração e esse mesmo pessoal continuou fazendo arte e amadureceu muito (TO ME DELONGANDO ENFIM). eu achei esse vídeo de um “remix”+visualizer frutiger aero de super shy e lembrei do seu post sobre a estética (e o seu trabalho usando o exodus da utada, que eu li!) e pensei que vc gostasse de ver, pq achei um trabalho de encher os olhos e os ouvidos, de verdade:

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