Hula Hoop expõe dois lados de um mesmo LOONA: qual a BBC deve seguir?

Faz umas semanas que o LOONA lançou seu debut japonês, mas só agora o MV saiu. Motivos? Bom, sabemos que as coitadas se encontram na sarjeta depois que um tablóide coreano expôs a situação do grupo, com várias dívidas que somam um valor milionário, quebra de acordo com uma empresa que financiava os materiais de produção (músicas e MVs) e falta de pagamento dos funcionários. 

Hula Hoop não teve o mínimo de divulgação. As fotos promocionais (que são poucas) estão com uma resolução horrível, nenhuma espécie de marketing da BBC lá no Japão, além de terem divulgado o single bem antes do MV, como se não tivesse ficado pronto a tempo. Parece que o negócio tá feio mesmo, já que até a Kim Chi se ofereceu para ajudar o grupo a superar essa fase (a Chuu aparece em 50 programas fazendo absolutamente qualquer coisa, mas só isso não tá fechando as contas).

Vamos dar uma olhadinha nessa preciosidade do baixo orçamento.

Como vocês já sabem, Hula Hoop foi a minha favorita do mês passado, mas vou tentar refletir sobre algumas diretrizes da BBC com base nesse MV e de outras coisas que eu observei acompanhando o LOONA desde um bom tempo. Eu conheci o grupo poucos dias antes do solo da pirralhinha Yeojin, quando ela tinha *apenas* 14 aninhos e tentou beijar um sapo. Desde então, fiquei fascinada com aquele universo, pesquisando teorias e montando as minhas próprias, assim como qualquer pessoa que tenha se aventurado pela história que ia se desenrolando aos nossos olhos.

Cada lançamento era uma emoção diferente. Fomos de Heejin dando vida ao mundo e Yves o corrompendo, Olivia Hye se rebelando, Choerry viajando entre mundos e fazendo um paralelo com a Hyunjin, Chuu sendo salva pela Haseul de ser congelada numa noite de inverno, a robô Vivi despertando sua consciência assim como a Gowon descobre sua própria vaidade, Kim Lip e Jinsoul assumindo o fronte. E Yeojin beijando sapinhos. Quando as 12 se encontraram em Hi High, foi um sentimento de dever cumprido, e de novas expectativas. E medo: será que vão dar continuidade a essa narrativa tão incrível?

Tirando qualquer coisa a não ser minha opinião, o tempo foi injusto com o LOONA. Independente do que tenha acontecido (saída do Jaden, interferência do Sooman, mudança de foco), o grupo se perdeu na grandiosidade que tinham oferecido. De repente, era só mais um girlgroup no meio de tantos, por mais que a gente quisesse arrancar teorias e dizer o quanto elas eram diferentes. Acho que a expectativa, a mesma que eu mencionei acima, foi um pouco além, por parte dos fãs mesmo. So What parecia uma coisa fora da curva, mas o que veio depois concretizou o fato de que aquele LOONA, etéreo, sofisticado, inteligente e questionador, não existia mais.

No meio dessa confusão toda com a BBC, surge Hula Hoop. E eu nem sei quantas vezes eu já assisti esse MV enquanto escrevo esse post. É barato, dá pra ver que chamaram o sobrinho de alguém que manja um pouco mais de After Effects (crackeado) pra editar isso aqui, mas é TÃO genuíno. Os efeitos cartunescos e todas as sobreposições são um charme a parte; tem muita informação rolando, uma avalanche de referências ao próprio LOONAverso prontinha pra agradar qualquer saudosista (como eu, por exemplo). Roupas, frutas, animais, cores, letreiros, poses, units, cada pedaço de Hula Hoop conta uma história, como se fosse algo do tipo “de onde viemos, como estamos, pra onde vamos”. Vocês não sabem como é satisfatório ver o grupo lembrando das próprias raízes. 

A música é uma delicinha, acho que a gente já pode parar de fingir que não. Eu gosto muito do trechinho do refrão que diz “eu posso te fazer dançar em volta de mim como um bambolê” porque esse é exatamente o efeito que Hula Hoop tem: atrair e deixar doidinho quem vê e escuta uma coisa dessas, fazendo com que você repita e repita até cansar. Existe uma felicidade suprema nesse instrumental, de sentir pequenas explosões dentro de si até querer gritar como a Chuu faz na ponte. É divertido e contagiante, como há muito tempo o LOONA não era.

Consigo ver claramente que a BBC possui duas escolhas, quase como a pílula vermelha e azul de Matrix. O LOONA nunca serviu pra ser convencional, de lançar farofas industriais como a gente vê em pencas todos os dias no kpop (principalmente se você tem um blog). Na verdade, elas nunca couberam em caixas, por isso criaram seu próprio universo. Se abrir mão de alguma migalha de mainstream for gerar músicas tão verdadeiras como Hula Hoop, o resto dá pra ajeitar, nem que seja pra se colocar à venda.

“Pra onde vamos?”. Esse foi um dos questionamentos que o MV deixou. O LOONAverso vai continuar existindo, como uma fita de Mobius; cabe à BBC deixar que a gente veja o futuro dessa história. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

2 pensamentos

  1. “o grupo se perdeu na grandiosidade que tinham oferecido. De repente, era só mais um girlgroup no meio de tantos, por mais que a gente quisesse arrancar teorias e dizer o quanto elas eram diferentes”

    ISSO.

    Quer dizer, a narrativa do loonaverso continuou nos lançamentos seguintes (embora bem mais diluída do que na fase pré-debut), mas um dos grandes diferenciais do LOONA era a variedade enorme de estilos que foram gravados nos solos e units – com o grupo completo, essa variedade acabou ficando restrita às B-sides.

    Mas o complicado é que eu não consigo julgar a BBC, porque foi justamente quando o LOONA se tornou “só mais um girlgroup no meio de tantos” que as vendas delas começaram a aumentar expressivamente. E considerando que já havia notícias da situação delicada da empresa logo depois de “Butterfly” (tanto que o comeback seguinte levou um ano pra sair), entendo que apostar na escolha mais segura deve ter sido a melhor decisão em termos comerciais. E a volta ao “fofo” em “Hula Hoop” talvez tenha menos a ver como uma volta às origens (embora a gente aqui no Brasil certamente agradeça) e mais a ver com apostar na sonoridade que o mercado de idols no Japão consome mais.

    Torço pra que eventualmente o grupo possa voltar a explorar sua originalidade e experimentar com mais estilos musicais (e se possível trazer as units de volta – sempre achei que o ideal no LOONA seria usar as units como os grupos principais com comebacks mais frequentes e só colocar as doze gravando juntas em intervalos maiores e para ocasiões especiais) – mas, a essa altura, já fico muito agradecido se elas conseguirem continuar na ativa. Nesse sentido, espero que elas consigam lucrar muitos ienes no Japão e, quem sabe, formar uma fanbase grande por lá.

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    1. No mais, fica a dúvida se o MV de “Starseed~ Kakusei~”, presente em uma das versões exclusivas do EP, também vai ser disponibilizado depois no YouTube (e se o orçamento dele conseguiu ser ainda menor que o de “Hula Hoop”).

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