BEcause desponta como a melhor tentativa de k-rock trevoso de verão do Dreamcatcher

Depois de longos dias sem atividades meramente relevantes no cenário coreano (pelo menos para as garotas), o kpop dá uma pequena ressuscitada nesse finalzinho de julho com o surpreendente retorno do Dreamcatcher. Surpreendente porque eu não estava esperando as meninas agora no verão, mas fiquei bem ansiosa pra ver o que elas entregariam depois do sucesso gostoso da minha playlist, BOCA. 

Pra ser sincera, eu não gostei das fotos que eu vi. Achei meio… Pobre? Mesmo sendo um álbum especial que não entra na linha do tempo do Dreamcatcher, poderiam ter um pouco mais de cuidado com a montagem das fotos, né? Ao contrário da primeira imagem promocional que tivemos, que é MARAVILHOSA, parece até que foram feitas por equipes diferentes de design, sei lá. Mas ainda me mantive confiante porque um comeback de verão do Dreamcatcher costuma render coisa boa. É como dizem: não julgue o livro pela capa.

Vamos dar aquela espiada no MV antes de prosseguirmos com os comentários sobre BEcause.

Quando se escuta BEcause pela primeira vez, ela não te passa confiança nenhuma. Dá a sensação de ser uma música morna do Dreamcatcher e até bate alguns segundos de decepção por fazer parte de uma discografia tão boa quanto a do grupo. Mas, na real, isso aqui guarda umas surpresas tão boas no conjunto todo que chega a ser ridículo de tão bom que é. E obviamente eu vou explicar o porquê.

Às vezes fica um pouco difícil pensar em como o Dreamcatcher pode se reinventar, principalmente com esses comebacks de verão. Em BOCA, tivemos um grande acerto com o trap-rock com notas sutis de moombahton que resultam num refrão explosivo contra os haters, mas depois do anúncio do álbum desse ano, eu tive um receio em saber como elas conseguiriam se superar. Eis que surge BEcause, um drum and bass eletrônico meio calypso que me lembrou vagamente o refrão de Genie in a Bottle, da Christina Aguilera. E que combinação doida é essa que funciona tão bem? 

Acho que muito do sucesso de BEcause comigo é por conta da sua estrutura mais diferenciada, e é aqui que ela se difere de BOCA. Começando mais lenta, a música quebra em um pré-refrão agressivo pra, de repente, desacelerar de novo. E assim a magia acontece, captando diversos ganchos instrumentais que deixam a gente só na vontade, resultando numa das músicas mais interessantes de se ouvir em um ano tão fraco pro kpop como esse. Com essas quebras de expectativa, o ouvinte só é instigado a adentrar ainda mais a grande “toca do coelho” que é BEcause. 

E isso combina muito com a atmosfera creepy que o MV e a letra proporcionam. Um dos conceitos mais simples porém legais de se explorar dentro do terror, mas que os grupos coreanos quase nunca aproveitam, é o do parque de diversões. Red Velvet teve uma oportunidade de fazer isso em Psycho e foi jogado fora; ainda bem que o Dreamcatcher existe e botou essa veia mais aterrorizante dos primeiros lançamentos do grupo pra trabalhar de novo, indo da estética ao instrumental de carrossel velho nos segundos finais da música. O MV é fantástico, ainda melhor produzido e dirigido que Odd Eye (e eu nem sabia que isso era possível) e todas as integrantes atuam muito bem, passando a ideia de “amar até a morte” de forma tão convincente que eu venderia minha alma pra elas.

Em uma época tão tristemente fuleira pra girlgroups como a que estamos vivendo, o Dreamcatcher se destaca como um dos únicos grupos que se esforçam de verdade em trazer algo que passe do limite do “aproveitável”. BEcause é uma música extremamente comercial com um conceito nem tão “vendável” assim, trazendo o melhor dos dois mundos atualmente. Acho que elas aprenderam a trabalhar diferentes gêneros musicais dentro da própria vertente e, felizmente, pra todos nós, a fonte não seca tão cedo. 

Escute também: Alldaylong

O EP, pelo contrário, não segue a mesma qualidade da música-título, o que é uma pena, já que eu esperava ver mais esse conceito teatral sendo explorado ao longo da tracklist. O Summer Holiday é bem qualquer coisa, mas pode ser que uma ou outra faixa agrade quem quer ver um lado diferente do Dreamcatcher, um lado que não seja inteiramente voltado ao rock. Se for ouvir o EP com essa ideia, até que dá pra aproveitar alguma coisa, como eu, que ouvi o highlight medley e fiquei simplesmente chocada em ver o grupo interpretando um city pop purinho que poderia ser um single avulso da YUKIKA se fosse trabalhado com um pouco mais de profundidade. Alldaylong tem todas as características do gênero e é o maior destaque do álbum simplesmente por ser uma aposta arriscada pro Dreamcatcher, mas que ainda assim combinou super bem. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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