Em Bijin, Chanmina é uma rainha feudal da ditadura da beleza enquanto reflete sobre seu passado

Desde quando eu comecei o blog, eu não via a hora de comentar alguma coisa lançada pela Chanmina. Por indicação indireta do Pop Asiático, várias músicas dela pipocaram na minha playlist, mais pela versatilidade que ela apresenta mesmo, como por exemplo essa delícia que é hit até hoje no mundinho Rafa.

Pois bem, finalmente o dia chegou e eu berrei de felicidade pela oportunidade de falar sobre uma música da gata aqui no blog. Dessa vez, temos Bijin e duvido que não tenha um integrante da blogosfera (implicando que o número já é pequeno e menor ainda são os que acompanham jpop) não tenha deitado com a porrada que ela deu nessa música. 

Sabe por quê? Dá uma olhada no MV. 

Bijin inicia essa nova era da Chanmina com um trap composto de alguns elementos que deixam o instrumental mais assustador no sentido de ser incômodo, a atmosfera perfeita para que ela possa passar seu recado de forma clara. Aqui, a Chanmina traz uma mensagem de dor e resistência acerca do que é o belo, enquanto tenta ser uma rainha feudal banhada em perfeição e subordinação de seus empregados. 

A letra de Bijin conversa muito com o passado da Chanmina enquanto construía sua imagem artística. Pra quem não sabe, ela é filha de pai japonês e mãe coreana, e se mudou para o Japão depois dos três anos de idade. Em uma vida repleta de bullying, Chanmina debutou aos 17 anos e sempre foi muito criticada por conta da aparência, fato que ela deixa explícito em um dos versos de Bijin.

“Chanmina está tão linda recentemente”

Nunca vou me esquecer daquela tormenta

Naquela época eu só tinha 17 anos

Lembro de tudo que vocês me disseram

”Você não pode ser bonita,

você não pode ser famosa,

uma vadia feia como você não deveria ser cantora”

Enquanto eu enlouquecia, meu talento desabrochou

Cada felicidade e infelicidade que vivi foi extraordinária

Não é a primeira vez que Chanmina faz uma crítica direta aos padrões de beleza pelos quais foi imposta, mas o fato desse lançamento ser tão visceral, mostrando graficamente o que comentários maldosos podem fazer com uma pessoa, é o que destaca Bijin de outras músicas. Ainda em seu papel de rainha feudal, é como se seus subordinados fossem cada uma das pessoas na vida real que esperam que ela falhe em algo. E quando alguém percebe que uma lasca de pedra corta seu rosto tão milimetricamente perfeito, Chanmina revive todas as experiências cruéis pelas quais passou. 

Como resultado, a música muda seu tom para algo mais dramático ao passo que Chanmina caminha para uma corda sugestivamente amarrada ao teto enquanto grita que somos todas mulheres, e somos todas maravilhosas. A rainha feudal não aguentou a pressão e teve um fim trágico, mas é importante ressaltar que a música dá um ótimo conselho sobre como se amar: Seja seu próprio modelo. Foram quatro anos até que a Chanmina encontrasse seu bijin (美人, beleza), então que todas sejamos bonitas à nossa própria maneira. 

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Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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