Agência japonesa Sweet Power, que gerencia a carreira da ex-KARA Jiyoung, envolvida em um escândalo de assédio

Desde ontem, eu estou acompanhando um caso bem bizarro que está acontecendo lá no Japão e resolvi trazer para o blog, principalmente por trazer alguns nomes famosos. Ao que parece, a revista Shuukan Bunshun está conduzindo uma investigação sobre a Sweet Power e acusam a agência de acobertar os crimes de assédio sexual de sua presidente, Naomi Okada.

Criada nos anos 90, a Sweet Power é uma agência responsável por recrutar apenas garotas. Dizem que Okada possui um “olhar especial” para reconhecer meninas que podem se tornar estrelas na indústria japonesa, e o sucesso da Sweet Power vem disso. Grandes nomes do país como as atrizes Mirei Kiritani e Meisa Kuroki fazem parte do portfólio da agência. 

A denúncia partiu de uma pessoa chamada Yuka Suzuki (nome falso), recrutada pela própria Okada, e ela revela que os problemas começaram a surgir logo depois de entrar na agência. Frequentemente, Suzuki era requisitada para dormir com Okada em uma cama de casal enquanto ambas davam as mãos. Obviamente, Suzuki reclamou disso na época. Com essas informações, a Shuukan Bunshun procurou Okada para maiores explicações.

Em sua defesa, Okada informou que “todos tinham uma cama de casal nos dormitórios onde dormiam sozinhas” e que nunca havia dormido com Suzuki. Isso foi comprovado como mentira, pois Suzuki ficava em um prédio separado dos dormitórios da agência. A advogada de Okada complementa que isso não caracteriza assédio sexual, mas que a vítima era menor de idade na época do ocorrido, implicando que a responsabilidade pela sua integridade e bem-estar era de Okada.

Ainda em entrevista, a Shuukan Bunshun questiona Okada sobre uma situação hipotética onde convidaria as trainees para dormirem com ela. “Você não concorda que as meninas se sentiriam numa posição vulnerável onde não poderiam recusar?”. Okada responde: “Posição vulnerável? Isso serve apenas para garotas que têm ambição! Nós somos diferentes. Nós recrutamos garotas sem motivação e nos desdobramos para acomodá-las bem. Portanto, elas nunca estariam em uma situação assim, pois elas podem desistir a qualquer momento”. Eu, pessoalmente, acho essa fala muito perigosa, em qualquer sentido.

Horas depois dessa publicação da Shuukan Bunshun, a Sweet Power anunciou que a ex-KARA Jiyoung decidiu encerrar seu contrato, existente desde 2014, época em que ela deixou o grupo. Em comunicado pelo site oficial da agência, é dito que o motivo principal para o término do contrato é por conta da pandemia do coronavírus, que impede que Jiyoung transite entre o Japão e a Coreia do Sul com facilidade, e agora a KeyEast, empresa coreana responsável pela atriz, cuidará de todas as suas atividades.

Porém, como o anúncio veio muito de repente, suspeitou-se que teria a ver com o caso de assédio sexual pelo qual Okada estava sendo acusada. A Shuukan Bunshun prometeu trazer mais detalhes sobre o envolvimento de Jiyoung nisso tudo, e como o fato se conectaria aos relatos já dados por Suzuki anteriormente. 

Hoje, a ARAMA! postou uma matéria que, como prometido, traziam mais ligações feitas pela Shuukan Bunshun sobre o que eles chamaram de “comportamento predatório” da Okada para com a Suzuki e a Jiyoung. Apesar de não conseguirem uma entrevista individual com a ex-KARA, a revista teve acesso a uma testemunha que explica como foi o processo de recrutamento dela pela Sweet Power.

Depois que Jiyoung deixou o KARA, ela foi recrutada pessoalmente pela presidente e, rapidamente, elas assinaram um contrato. Assim que Jiyoung se mudou [para o Japão ou para o dormitório, não ficou claro], Okada frequentemente se gabava das coisas que elas fariam juntas, como tomar banho e segurar as mãos. Ela até mesmo costumava objetificar Jiyoung para os outros, comentando sobre o corpo dela de forma inapropriada.

Okada aparentemente permaneceu assediando Jiyoung até que ela voltou para a Coreia do Sul, fazendo de Suzuki seu novo alvo. E, como era de menor na época e morava sozinha em Tóquio (realidade de muitas meninas que tentam a sorte na indústria japonesa), foi difícil recusar as investidas de Okada. Um dos motivos que a deixava receosa de dizer algo era o fato de sempre jogarem na cara dela o valor que foi investido pela agência para fazer a carreira dela acontecer. Okada costumava se referir a Suzuki como “a garota em que eu enfiei mais de 12 milhões”.

Outra coisa que Suzuki tinha medo era que, quando se recusava de maneira explícita, Okada agia de maneira dúbia. Existiam momentos em que a presidente demonstrava descontentamento, mas o pior era quando ela ficava ainda mais excitada com a possibilidade de Suzuki estar “se fazendo de difícil”. Isso se manteve até o ponto de Suzuki ser diagnosticada com estresse pós-traumático. Esse foi o cúmulo para que ela reunisse toda sua coragem e mantivesse distância de Okada.

A presidente, então, passou a monitorar cada passo de Suzuki, desde todas as pessoas com as quais ela se encontrava, até quantas vezes ela teria ido ao banheiro. Posteriormente, Suzuki foi enviada para fora de Tóquio. Olhando o portfólio do site oficial da Sweet Power, não dá pra saber muito bem quem está por trás do nome falso Yuka Suzuki, até porque é bem possível que os responsáveis pelo site já tenham retirado qualquer evidência que aponte a responsável pelas denúncias.

Apesar de não termos o lado da Jiyoung de fato e nem da KeyEast, fica claro que o rompimento do contrato com a Sweet Power caracteriza um escândalo de assédio sexual com duas ou mais meninas envolvidas. Como bem a ARAMA! lembrou, quando a Johnny’s foi acusada de acobertar casos de pedofilia e assédio sexual, o que ficou provado em julgamento, a indústria inteira continuou vivendo como se nada estivesse acontecendo. Com o status poderoso que a Sweet Power tem no país, o medo é que o caso seja ignorado novamente. 

Sendo assim, eu finalizo esse post com uma pergunta: até quando? 

Autor: Rafa

26 anos, de São Paulo e ativa nessa vida de pop asiático há mais tempo do que eu gostaria.

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